Life Is Like A Box Of Chocolates . . .

A Vida é realmente como uma caixa de chocolates. . .e nunca sabemos o que vamos encontrar. . .

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Junho 24, 2004

Perdi-me em Inglaterra. . .ups, afinal nem saí de Lisboa. . .lol

Na 2ª feira, tinha uma ecografia marcada para saber o estado do meu tornozelo.
Marcada em cima da hora e por especial favor para as 18h no Campo Pequeno.

Deixaram-me sair do emprego mais cedo.
Eram 17 horas e estava eu a sair do escritório.

Durante a minha ida ao Banco de manhã, que fica no Rossio, senti-me estrangeira na minha própria cidade.
O Rossio era ponto de encontro para os adeptos ingleses, assim como tinha sido no Domingo para os espanhóis.
Às 10 da manhã já o ambiente era de festa, música, cânticos, muita animação. E tudo muito pacífico.

Enquanto subia de novo pelos Restauradores em direcção ao escritório, só via passar por mim adeptos vestidos a rigor.
A sua (grande) maioria ingleses, mas alguns croatas também.

À hora de almoço, enquanto procurava um sítio para almoçar, o cenário era idêntico. . .ingleses e croatas desciam a Avenida da Liberdade, vestidos a rigor, a caminho do Rossio.

Chegou a hora de saída para a famosa ecografia. . .que não fiz.

Assim que saí do prédio do escritório, vi o caos que os Restauradores se tinham tornado.
Trânsito cortado para o Rossio, apenas com passagem para transportes públicos.
Praça de táxis vazia, com uma fila enorme de adeptos à espera.

E eu precisava de um táxi. . .que não apanhei.

Decidi ir até ao Rossio, pensando (ingenuamente) que haveriam táxis lá. . .

Quando lá cheguei, depois de passar por milhares de adeptos (sim, milhares), vi que o Rossio era palco da maior festa dos últimos tempos.
Milhares de adeptos ingleses (e uma meia dúzia de croatas) confraternizavam com música, bolas de futebol a voar pela praça, e cerveja, muita cerveja.

Pensei. . ."é melhor apanhar o metro, que se lixe, ou então não chego a tempo."

. . .asneira. . .

Entrar na estação foi fácil. . .pelo menos até chegar às bilheteiras.
Ao chegar aí havia umas largas centenas (mas muito largas mesmo) de adeptos ingleses, que cantavam bem alto, que iam apanhar a linha azul. . .curiosamente eu também tinha que apanhar essa linha até ao Marquês de Pombal.
"São só duas estações, não há problema."

Pois, se calhar não haveria problema se o número de ingleses fosse ligeiramente mais pequeno.
Consegui passar os torniquetes apenas porque um inglês reparou que eu estava de muletas e parou os colegas para que eu pudesse passar.
Mas imediatamente me arrependi.
A gare estava a abarrotar como eu nunca tinha visto.

O ambiente estava ao rubro e os ingleses não paravam de chegar. Quando dei por mim, tinha um cordão policial a separar-me dos ingleses que queriam descer para a gare.

Decidi não ir à ecografia. . .claro!
Para voltar para casa tinha que apanhar o metro no sentido oposto (Baixa-Chiado).
Perguntei a um dos polícias como estavam as coisas por lá.
"Não estão muito diferentes."

Resolvi então deixar-me ficar na estação, já no sentido Baixa-Chiado, a assistir à festa do futebol.
Milhares de ingleses no metro que não conseguiam entrar no comboio mas que também não forçavam.

Cantavam "Not going home, not going home, we are not going home!".
Cantavam outros cânticos tipicamente futebolísticos.
Cantavam o hino.

Um autêntico ambiente de festa.
Brincavam com as pessoas que estavam do lado oposto (onde eu estava).
Batiam palmas sempre que chegava um novo comboio.
Gritavam "uuuuhhh" por não conseguirem entrar no comboio.
Até que o metro decidiu enviar comboios vazios especialmente para a estação dos Restauradores para aliviar os milhares de ingleses que lá estavam.
Sempre que chegava um comboio vazio, novamente palmas mas muito mais entusiasmadas.

Isto tudo sempre escoltados pela nossa PSP.

Digam o que disserem dos ingleses, eu estive no meio do caos com eles por uma hora, podiam fazer barulho, podiam gritar, podiam não parar de beber, mas sempre pacíficos.
Quando foram barrados pelo cordão policial, não barafustaram, apenas continuaram os seus cânticos.

Triste foi, na Baixa-Chiado, terem lançado um very light.
Quando finalmente consegui apanhar o metro para lá (porque a ligação tinha sido interrompida) o fumo que estava na estação era bastante incómodo.
Mas de resto, o cenário era o mesmo.
Milhares de adeptos prontos para apanhar o metro (por isso é que nos Restauradores não entrava ninguém).

A única coisa que posso dizer é que me diverti imenso.
Não há palavras para descrever aquilo a que assisti, por muito que tente.

Só quem lá esteve, sabe realmente do que falo. . .=)

~º(",)º~

Posted by Kooka at Junho 24, 2004 05:37 PM


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