6ª feira cheguei ao Hospital à hora certa: 22h30m.
Deixo o carro no estacionamento em frente ao pavilhão onde iria dormir, subo ao quarto andar e encontro o meu quarto.
Quando entrei, vi logo que aquilo que eu chamava de ronc ronc party, iria ser uma festa da arrastadeira! Ao lado de cada uma das 6 camas estava uma cadeira, em cada uma das cadeiras estava...uma arrastadeira =D
Vi também de imediato que as minhas companheiras de quarto tinha quase todas idade para serem minhas avós [pronto, duas podiam ser minha mães].
Não sou pessoa dada a muitas conversas de circunstância quando me vejo em ambientes estranhos com pessoas que não conheço, por isso fiquei sempre na minha onda, "metida para dentro", embora tenha notado claramente que todas me olhavam e estranhavam (e com razão, não é muito comum apneia do sono na minha idade...).
Voltei à rua para mais um cigarro antes de dormir, fiz um telefonema e deu para umas quantas risadas à conta da festa da arrastadeira. Mas por dentro havia uma espécie de nervoso miudinho que eu não conseguia (e ainda não consigo) explicar.
Voltei para o quarto e pensei "se me mandaram estar cá às 22h30 é porque não deve faltar muito para virem cá ligar-me os aparelhos..." por isso toca de ir vestir o pijama e sentar-me na cama com o meu livro, numa tentativa vã de me concentrar na leitura. Afinal, a esta altura já as minhas vizinhas conversavam entre elas como se se conhecessem desde sempre (embora nunca tenham sequer dito os nomes umas às outras...).
A risota no quarto era muita, acompanhada pelo ruído da televisão que estava ligada na RTP 1 com o Jorge Gabriel a apresentar um qualquer concurso que eu não consegui perceber muito bem o que era, enquanto as minhas vizinhas reclamavam por não poderem estar a ver a telenovela ["não perco um episódio...posso até adormecer no sofá a ver, mas eu gosto mesmo é da novela..."].
Desisti do livro. Não conseguia ler mais de duas palavras seguidas. E o sono a esta hora era já muito.
O tempo passava e de equipa de enfermagem nada...
As minhas vizinhas continuavam na sua tagarelice, a tentar decidir qual delas tinha mais doenças e maleitas, qual delas é que tinha aguentado mais anos sem nunca ter sequer ido ao médico a não ser por causa de gripes e constipações.
E o tempo a passar e eu em cima da cama, quase a dormir, morta de sono, a bocejar, "metida para dentro".
Claro que tinham que tentar falar comigo, primeiro para saber a minha idade, depois para tentar perceber "porque é que está tão triste?" "Não estou triste" disse eu, "tenho é muito sono"...[mas confirma-se...quem não me conhece, à primeira vista tira-me a pinta pelo olhar...].
Chegou a meia noite e de equipa de enfermagem nem sinal...até que à meia noite e vinte apareceram! "Aleluia!" pensei eu! Finalmente iria dormir!
Ligaram-nos os aparelhos todos. 3 no peito e dois nos dedos mais um tubo no nariz ligado ao Oxímetro. E a recomendação "se precisarem de urinar durante a noite, usem a arrastadeira"...
Pedi um cobertor porque não consigo adormecer se tiver frio. Pedi para me levantarem as laterais da cama, porque já não estou habituada a camas tão estreitas.
Desligaram-nos a televisão e mandaram-nos dormir.
Mal apagaram as luzes, foi imediato...começou a parte do ronc ronc. Alto e em bom som! E começou o meu martírio...
Se dormi alguma coisa, foi muito, mas mesmo muito mal dormida como há muito tempo não dormia...
Sei que me virei demasiadas vezes durante a noite. Sei que acordei várias vezes durante a noite. E sempre que adormecia, era um sono leve.
Sei que, às 7 e meia da manhã, quando nos vieram acordar para tirar as máquinas, tinha o cobertor no chão, a manta meio na cama, meio no chão, o lençol debaixo enrolado não sei onde e eu deitada directamente no colchão, o lençol de cima enrolado nas pernas e nos braços.
Sei que, pelo que me disseram as minhas companheiras de quarto, o meu sono foi tão agitado que várias delas acordaram à noite assustadas com os "saltos" que dei na cama...
E eu acordei de manhã desejosa de chegar a casa, de voltar para a minha cama e finalmente tentar dormir!
Estou desconfiada que o exame vai ter que ser repetido, porque duvido que tenha sido possível monitorar seja o que for. Afinal, segundo as enfermeiras "é preciso é que durmam descansadas..." Pois...
Mas, pelo menos hoje, já dá para me rir com a experiência.
O resto do fim de semana também não foi muito famoso em relação a sonos...e por isso hoje ando movida a cafés...

~º(".)º~
Posted by Kooka at Maio 18, 2009 06:27 PMOlá! Agora o próximo passo é tentar descobrires porque tens um sono tão agitado. O que tu precisas é de por o sono em dia, talvez de umas valentes férias, para poderes ter dois dias ou 3 para ti, só para relaxar, dormir para ver se isso entra nos eixos. Eu acredito que vais vemcer esse problema do sono. Cafés.... quem me dera um agora!!! Linda imagens que desencantaste da net... não me acredito que tenhas bebido tantos cafés...lol... ainda se fossem taças de mousse de chocolate, aí acreditava..... Um abraço e uma boa semana! beijos
Posted by: nuno at Maio 19, 2009 07:17 PM