Fevereiro 26, 2007

[*]

=)

[e assim começa, oficialmente, a contagem descrescente para os 30...T - 28 dias, que é como diz, falta um mês!!]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 11:15 AM | Comments (6)

Fevereiro 22, 2007

Looking at the world with different eyes

Os óculos já cá cantam...a partir de agora não são mais aceites dores de cabeça, vista cansada e jogadores de futebol desfocados no ecran da televisão. Só ontem tive a real noção de como estava a ficar cegueta e nem dava por isso.
Não que me interessem os jogadores de futebol para alguma coisa [gosto de Q.I.'s mais elevados], embora alguns apresentem umas perninhas bem jeitosas. Mas só ontem, ao fazer zapping e ao deparar-me com o FCP - Chelsea na RTP 1 é que percebi que com os óculos até já os via.

Lembro-me que o meu irmão [mais velho] aqui há uns anos, quando começou a usar óculos [o astigmatismo dele é forte e feio!], andou "maravilhado" por uns dias. Porquê? Porque afinal era tudo tão diferente à volta dele! E é verdade.

Mas adiante! Não estou aqui para falar de óculos! [mas que são lindos....são! =D ♥!]

Apesar de todas as meninas grávidas que me rodeiam, e são muitas, tantas que já lhes perdi a conta, o simples facto de eu andar com desejos estranhos de comida, e ao contrário do que ela diz, eu NÃO ESTOU GRÁVIDA, nem por simpatia! Se bem que esta última hipótese seria aquela mais perto da realidade...*cof* mas para isso, para se estar grávida, mesmo que por simpatia, teria que haver um pai, nem que fosse por simpatia também! Mas não há! [se bem que sou capaz de me lembrar de dois ou três casos...hum, ok, dois casos, em que não me importava nada de partilhar genes!]

Desde gelatina de morango [que adoro desde sempre - lembro-me de ir a festas de aniversário na escola primária e só comer gelatina de morango...] a comida mexicana [há tanto tempo - mais de um ano, certamente! - que não vou ao mexicano aqui das Amoreiras], passando por "doces de colher" sem ter um específico de eleição até ao [agora já definido doce de colher] New Yorker Cheesecake...daqueles que vão forno e ficam deliciosos. . .e não daqueles fajutos que só sabem a natas. . .Ah! E, claro, sushi, sashimi, California rolls, Hot Philladelphia [exclusivo do Japa] e tudo o resto cujos nomes agora me escapam [há tanto tempo que não vou ao Japa. . .].
Mas não. . .não estou grávida, embora, tenho a certeza, não me importasse nem um pouquinho. [quem sabe, um dia. . .]

A novidade do momento é mesmo a saída do meu irmão e da namorada lá de casa. Aleluia! Finalmente! Oba! Oba! Oh eu aos pulinhos de contente =D já não os posso ouvir. Uma pessoa tenta dormir, mas com tanta converseta e risota e gargalhada fora de horas, é impossível. . .Logo comigo, que tenho um mau dormir desgraçado! Acordo ao mínimo som [tirando quando estou completamente estoirada, que pode cair o Carmo e a Trindade, podem os brasileiros dos prédios da frente fazer um arraial - andam muito caladinhos ultimamente - e eu não dou por nada]. Mas como dizia. . .para conseguir adormecer, especialmente quando estou muito cansada como nos últimos tempos [meses!] tem que haver sossego. Não digo silêncio absoluto, mas sossego. E lá por casa é impossível.
Mas a casa está quase pronta, falta só pintar [o que iria ser feito hoje, espero que sim!] e começar a mudar as poucas coisas que têm para levar.

Pode ser que assim as coisas acalmem comigo, que preciso de espaço que não tenho [física e psicologicamente], que preciso de paz à minha volta, em vez daquele clima de guerra fria que por lá anda.

Quero conseguir recuperar de tudo o que veio para trás, e preparar-me com força para os novos desafios que se avizinham e que, espero, podem vir a fazer [alguma] diferença.

O ano passado não foi fácil em termos físicos. Para além das várias infecções na garganta que tive em tão pouco tempo [3 em 3 meses], a gastroentrite que me derrubou em Novembro, descobri ainda a mononucleose que me fez arrastar-me como zombie durante meses, sem perceber porquê.
Os sinais da mononucleose já estão quase longe de mim, mas o cansaço ainda cá anda, embora já muito diferente do que era, por exemplo, em Novembro, quando descobri que tinha passado por mim.

Este ano a coisa já se complicou com uma gripe de semana e meia de cama, mas espero ficar-me por aí.

Estou [continuo] fartinha do meu emprego, cada vez tenho menos vontade de vir para cá, para não fazer nada o dia inteiro. Mas já está decidido que algures em Março vamos mudar para o Campo Pequeno, para um escritório maior, e onde vamos juntar as duas empresas e trabalhar todos juntos [não faz sentido ter um escritório dentro do próprio Japa quando nem condições tem para se trabalhar o dia todo - uma mezzanine minúscula por cima da cozinha que nem luz natural tem].
Aí o trabalho também vai ser diferente, vou finalmente estar muito mais ligada ao Japa do que neste momento, porque é lá que estão os programas, os papeis, os contactos, tirando os do banco e alguns fornecedores.

Venham os desafios. Gosto deles! [mas o maior mesmo vai ser ter que conviver com o cromo. . .*oh well...*]

O outro emprego pode ser chamado de "o emprego que nunca chegou a ser". . .Fiz os 3 dias de formação debaixo de febre, espirros, tosse, muita tosse e uma gripe a fazer estragos. Fiquei de cama no dia em que a acção iria arrancar. Uma semana e meia mais três dias de formação fazem 15. Sendo um contrato a termo incerto, o período de experiência são 15 dias. . .quando me apresentei para ir trabalhar, dispensaram-me. . .*oh well...* Lá se há-de arranjar outra coisa e de preferência sem gripes!

Cada vez tenho mais vontade de me dedicar em exclusivo ao que faço no outro lado, mas também tenho consciência que é impossível. Embora os projectos, as ideias, a vontade, cresçam a cada minuto que passa! Infelizmente não há tempo para tudo e torna-se difícil conseguir concretizar tudo, especialmente quando o cansaço se mistura. E normalmente vence-me.

Mas está decidido. Se quero apostar em força no que aí vem, tenho que abdicar de algumas coisas e começar a disciplinar-me mais, muito mais [um dos meus problemas é falta de auto-disciplina].
Por isso mesmo, a partir de hoje, as estadias nocturnas no msn vão ser mais curtas, só mesmo o tempo essencial para consultar o e-mail ao chegar a casa, fumar um cigarro depois do jantar e pouco [ou nada] mais. Entre outras coisas.
Tenho que ser capaz de realizar todas as ideias que carrego comigo. E para isso preciso de me organizar [com a saída do meu irmão, vou finalmente ter espaço para trabalhar à vontade, sem incomodar quem está na sala, onde tenho as minhas tralhas todas espalhadas, tecidos para um lado, feltros para o outro, missangas, linhas, tesouras, alfinetes, moldes, fitas, galões, botões, etc etc etc. . .]

[por falar em botões, aceitam-se donativos dos baús das avós ou mesmo das mães. . .lol]

Como diria o outro. . ."é a viding!"

~º(".)º~

Posted by Kooka at 11:09 AM | Comments (2)

Fevereiro 19, 2007

Piadinhas de carnaval

Ontem à noite, 23h17m, o telemóvel toca, número anónimo. Não é normal receber chamadas a esta hora. E quando as recebo, normalmente é o boss [felizmente, dele a esta hora são poucas!]

Levanto o sobrolho [sim, Paula, também já levanto! lol], atendo o telemóvel. . .do outro lado silêncio. . .até que de repente. . .começa um pato a rir!
Sim! Um PATO a RIR! *quá quá quá quá!* *quá quá quá quá!* *quá quá quá quá!*

. . .e desligaram. . .

Não sei quem foi, mas eu caí que nem uma patinha! *quá quá quá quá!*

[lol]

[o que não teve piadinha nenhuma foi chegar hoje ao escritório, atrasada por ter adormecido - ou por não ter conseguido acordar, o que vai dar no mesmo - e o boss me dizer "Era para lhe ter dito para não vir, mas esqueci-me! Olhe, já que cá está, fica até à hora do almoço!"]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 11:17 AM | Comments (2)

Fevereiro 18, 2007

Estar grávida TEM que ser a melhor sensação do Mundo!

A minha mana do coração está com quase 6 meses de gravidez. E tal como todas as mulheres grávidas, está cada dia mais bonita.
Não tenho estado muito com ela desde Novembro, altura em que a barriguita dela já se mostrava apesar de estar ainda com pouco tempo. E quando a vi hoje, tão feliz, completamente devota ao seu filhote, fiquei super feliz.
Conheço a Joana desde que nasceu [há 27 anos!], tivemos as nossas pequenas discussões como todos os amigos têm, especialmente quando estamos a crescer. Mas temos estado sempre lá uma para a outra quando é preciso. E, espontaneamente, adoptamo-nos uma à outra como irmãs [eu não tenho irmãs, só [?] 3 irmãos!].

E agora aqui está ela...com uma barriga linda, e um puto que não pára de dar pontapés! [Nunca tinha sentido os movimentos de um bebé ainda na barriga, e mesmo sendo o Francisco um moço muito tímido [lol] ainda deu uns quantos pontapés de Olá à tia babadíssima].

Ok, admito...estou super babada e muito contente por ter estado com a minha mana e por ter conhecido um pouco mais o meu sobrinho =)

*baba* *baba* *baba* *baba* lol

~º(".)º~

Posted by Kooka at 12:53 AM | Comments (8)

Fevereiro 17, 2007

Palavra nova [*]

Astigmatismo


do Gr. a, priv. + stígma, atos, ponto

s. m.,
falta de estigmatismo;
aberração dos sistemas ópticos que não reproduzem fielmente a imagem de um objecto;
defeito visual devido ao facto de a córnea transparente não ser perfeitamente esférica.


Resumindo e concluindo...estou pitosga! Ou melhor...meio pitosga, porque só não vejo bem de um olho! Se até há bem pouco tempo, tinha que usar óculos só para trabalhar, hoje tenho que os usar sempre....[socorro! nunca quis usar óculos...custa-me a habituar-me à ideia....]
Se antes as lentes eram 0.25 cada uma, hoje temos uma 0.25 e a outra a 0.50 and rising...

Resultado: 100 euros numa armação nova [toda fashion, lilás** e linda de morrer! - sim, tive que comprar uma armação que não me fugisse por vontade própria...eu sei que sou do contra, odeio armações leves!!!] + 110 euros num par de lentes...

Com contas destas quando não se está à espera, não há orçamento que resista!!!!

[mas, pelo menos, a bela da dor de cabeça que me acompanha há meses, vai-se embora =D oh yeah!]

Resumindo e baralhando, venha daí o new look!


* o astigmatismo não é novo para mim. Está nos genes! Cá em casa todos padecem do mesmo...só me faltava tocar a mim...=/
** são liláses para não serem cor de rosa, declaradamente! Ainda os experimentei em rosa, mas gostei mais de me ver com os liláses...oh well...*think pink*!

~º(".)º~

Posted by Kooka at 01:07 PM | Comments (7)

Fevereiro 16, 2007

7

Eu e o 7 temos uma ligação [quase] afectiva muito especial.

Para além de ter nascido em 1977, o 7 tem-me acompanhado sempre em diversas situações.
Na escola, durante anos a fio, fui o número 7 da turma.
Na altura do meu exame de código, também o 7 esteve presente. Marcado para dia 17/07, começou às 9h07m. Eu, fui encaminhada para o computador nº 7 e terminei o exame em 7 minutos.
Passei no exame, sem falhas, mesmo não estando muito preparada para o exame.

O último post que aqui deixei, foi o post nº 1777.

Hoje, 7ª sexta feira de 2007, deixo aqui a minha homenagem ao 7...=)

Simbologia do 7

O 7 é o símbolo da totalidade perfeita, do anúncio de uma mudança. Para além disso, é uma porta aberta do conhecido para o desconhecido: um ciclo encerrou-se, como será o seguinte?

Sobre o 7, de acordo com relatos antigos, Hipócrates terá dito: “O número 7, pelas suas virtudes escondidas, mantém no ser todas as coisas; dá vida e movimento; influencia seres terrenos e até os conjuntos celestes”.

7 é o número da conclusão cíclica e da renovação positiva, evocando todos os conjuntos perfeitos. 7 é um número com uma simbologia bíblica muito forte, figurando 77 vezes no Antigo testamento, em momentos diversos: o candelabro tem 7 braços; os 7 céus; Salomão construiu o templo em 7 anos; Após a tomada de Jericó, 7 sacerdotes com 7 trompetas deveriam, no 7º dia, dar 7 vezes a volta à cidade; Eliseu espirra 7 vezes e a criança ressuscitou; um doente mergulha 7 vezes no Jordão e sai curado; o justo cai 7 vezes e levantou-se perdoado; José sonha com a profecia das 7 vacas gordas e as 7 vacas magras e 7 anos de fartura e 7 anos de miséria se seguiram; 7 animais puros de cada espécie seriam salvos no dilúvio.

Entre os egípcios, o 7 era símbolo da vida eterna, simbolizando um ciclo completo, numa perfeição dinâmica.

Na China, as festas populares tinham lugar num 7º dia e os chineses relacionam as 7 estrelas da Ursa Maior com as 7 aberturas do corpo e as 7 aberturas do coração.

No Islão, o 7 é igulamente um número auspicioso, símbolo de perfeição: 7 céus, 7 terras, 7 mares.
No Irão, no momento do parto, coloca-se sobre uma toalha uma lâmpada acesa com 7 espécies de frutos e 7 espécies de grãos aromáticos. A criança recebe geralmente o seu nome ao 7º dia.

Em Cuzco, o antigo panteão Inca, um muro tinha, junto da árvore cósmica, um desenho que representava 7 olhos, chamados “os olhos de todas as coisas”.

Em África, 7 é símbolo da perfeição e da unidade, da união dos contrários (4 é o feminino e 3 é o masculino) e também símbolo da fecundação. Na Grécia, o 7 aparece em inúmeras tradições e lendas: As 7 Hespérides; as 7 portas de Tebas; os 7 filhos e as 7 filhas de Niobe; as 7 cordas da lira, etc. 7 é o número dos raios do Sol numa tradição hindu: seis correspondem às direcções do espaço e o 7º ao centro.

Informação daqui.

~º(".)º~

Posted by Kooka at 03:02 PM | Comments (6)

Fevereiro 14, 2007

Ele há coisas. . .

Já toda a gente sabe que na caixa do correio aparece de tudo um pouco. Desde a Dica da Semana, aos panfletos de viagens de fins de semana em que oferecem um presunto e um garrafão de 5 litros de azeite, até mesmo [imagine-se!] contas para pagar.

Quando se trata de um edifício de escritórios, o cenário não muda muito. Tira-se a parte dos panfletos com viagens de fim de semana e presuntos e azeites, substitui-se por anúncios de pedidos de emprego e a coisa vai.

Mas de vez em quando, aparecem anúncios de pedidos de emprego que levantam algumas dúvidas. . .

Atenção que eu sou mazinha mas só q.b.! Só ao ponto de colocar aqui o pedido! Tirei o número de telefone da moça [embora, se calhar, fosse bem feito não ter tirado] mas não fui eu que passei a marcador verde fluorescente o que já estava previamente a bold!

Agora a minha dúvida. . .ora, se as "propostas de carácter duvidoso ou ilegais serão encaminhadas para a polícia". . .e se o que a moça parece procurar é um trabalhinho decente, honesto e legal. . .que raio nos interessa a nós saber que a mesma é ESTRITAMENTE HOMOSSEXUAL?! Ou será que por carácter duvidoso ou ilegal ela quer dizer trabalho que não é de p**a?

[eu sei. . .eu sei. . .só eu para me lembrar destas coisas. . .mas faz-me comichão, querem o quê?!]

não é por nada, mas até à parte do ESTRITAMENTE HETEROSSEXUAL a coisa cheirava-me a anúncio de "massagista"

~º(".)º~

Posted by Kooka at 10:43 PM | Comments (5)

Feliz dia dos Encalhados =D

Solteira[o], encalhada[o] e feliz com isso?! Então hoje é o teu dia! Bem como meu ;)

=D

~º(".)º~

Posted by Kooka at 09:55 AM | Comments (3)

Fevereiro 13, 2007

Conversas de Café - cappuccino e uma caixa de chocolates [conversa 64]

O blogue KØNTRÅSTËS 2.0 está a publicar um conjunto de conversas informais mantidas via e-mail com os mais diversos bloggers©. O objectivo é conhecer um pouco mais do blogger que dá vida ao blogue e abrir uma cortina para o que move cada autor de blogue. A convidada de hoje é. . .euzinha!

Ide ler, ide.

[a coisa podia ter corrido melhor, é verdade, mas uma conversa de café também pode ser assim...]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 10:16 AM | Comments (10)

Fevereiro 12, 2007

Shake it! Shake it!

Alguém [em Lisboa] sentiu o tremor de Terra de há momentos?

[Vivam as casas de banho das Torres das Amoreiras onde não se sente nadica =D lol]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 10:59 AM | Comments (10)

Fevereiro 10, 2007

[sim]

the-safety-pin.org

~º(".)º~

Posted by Kooka at 12:29 AM | Comments (6)

Fevereiro 09, 2007

Em casa, de molho, há mais de uma semana

Já começo a ficar um bocadinho farta!

*humpf*

~º(".)º~

Posted by Kooka at 10:34 PM | Comments (0)

E seu fosse uma música romântica, seria...

Estes gajos têm tendência para acertar nestas coisas...

[e mais uma vez, a culpa é dela!]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 12:39 PM | Comments (1)

Motivos para votar SIM

São muitos.

E o artigo que saiu esta semana na Visão fala de muitos deles. É de ler até ao fim, engolir a revolta e reflectir muito antes do próximo Domingo para quem tem alguma dúvida sobre a necessidade urgente de despenalizar estas mulheres.

Morrer e calar

Teresa sobreviveu alguns minutos com o útero perfurado. Ester aguentou três semanas ligada às máquinas. Uma adolescente queimou o estômago com 64 comprimidos. Histórias de vítimas do aborto ilegal.

«A minha filha diz que lhe matei a mãe.» Henrique baixa os olhos, afundados numas olheiras profundas e carregadas, e faz uma pausa. Passa alguns segundos em silêncio, sem coragem para levantar a cabeça. Nota-se-lhe a angústia, o desgosto, a raiva. A culpa. Durante aqueles breves momentos, perde-se na recordação mais dolorosa da sua vida. De queixo apoiado no peito, regressa ao dia de todos os pesadelos: 5 de Março de 1998.
Henrique Couto, emigrado em França há um ano, tinha engravidado a mulher, Maria Teresa, seis semanas antes, durante uma visita a casa, em Vilar Formoso. A medicação para a tuberculose que ela tomava anulou o efeito da pílula. A preparar uma vida no estrangeiro, o casal teve de tomar uma decisão, para não hipotecar o seu futuro e o dos seus três filhos – o que Henrique ganhava na construção civil era já apertado para cinco, quanto mais para seis. Bateram à porta do Hospital da Guarda, a cerca de 40 quilómetros de sua casa, mas a resposta foi previsível: a lei não deixa.
Eram oito da noite quando Henrique e Teresa entraram em casa de uma enfermeira, na Guarda, que alguém lhes indicou. Com dificuldade, conseguiram reunir 300 dos 350 euros que a parteira pedia. Tudo ficaria resolvido em 20 minutos. Mal chegaram, o marido saiu, a pedido da enfermeira, e foi encharcar-se em bicas, num café ao lado.
Surgiu uma ambulância. Henrique correu para casa da enfermeira e encontrou Teresa deitada no chão do corredor, de olhos abertos. Morreu minutos depois, a caminho do hospital, com o útero perfurado e hemorragias vaginais e abdominais. Tinha 37 anos. Deixou um filho com 5 meses, outro com 15 anos e uma filha com 14.
Foi o início de um inferno. Nos anos seguintes, a filha responsabilizou Henrique pela tragédia, deixou de lhe falar e saiu de casa. Os pais de Maria Teresa adoeceram e acabaram por morrer, «de desgosto». E o marido – o viúvo – passou a afogar a dor em álcool.

Causas camufladas
Henrique levanta ligeiramente a cabeça. «Fiquei com a vida destruída. Andei feito um bandalho. Adormecia todos os dias no sofá, bêbado.» A parteira foi condenada (homicídio por negligência) a dois anos e meio de pena suspensa. Mas o marido de Teresa, hoje com 42 anos, está longe de culpar apenas a enfermeira. «Se houvesse clínicas em condições, não tinha acontecido o que aconteceu.» Jura que se vai sentir traído se o Não vencer o referendo e indigna-se com os partidários da actual lei. «Essas pessoas deviam passar pelo que passei».
Teresa morreu a três meses do primeiro referendo para despenalizar o aborto. Não podia esperar. De qualquer forma, de nada lhe serviria. A lei manteve-se, até agora.
Ninguém sabe quantas mulheres morreram desde então, vítimas de aborto clandestino. Os movimentos pelo Sim falam em 13 mortes na última década, mas esses números são impossíveis de confirmar oficialmente.
Os dados governamentais indicam apenas que o aborto inseguro é responsável por cerca de 19% da mortalidade materna, que vitima 5 mulheres por cada 100 mil nados-vivos. Ou seja, morrerá, todos anos, uma portuguesa na sequência de um aborto ilegal. É a primeira causa de morte materna, na adolescência, e a segunda causa, na idade adulta, sendo ainda um dos principais motivos de complicações em gravidezes posteriores.
No entanto, o verdadeiro número de vítimas está ocultado pelas diferentes classificações nas certidões de óbito, que se limitam a referir septicemias (infecções generalizadas) e doenças tão insuspeitas como broncopneumonias. «As pessoas são enterradas com outros diagnósticos», garante José Pinto da Costa, médico-legista e ex-director do Instituto de Medicina Legal do Porto. «Tudo isto é clandestino e não interessa que se investigue se foi por causa de um aborto ou não», acusa este médico, favorável à despenalização.
O medo obriga à ignorância. Mas, às vezes, a sensação de injustiça é mais forte – e as mortes tornam-se públicas.

Dois dias terríveis
Junho de 2000, aldeia de Nelas de Cepões, concelho de Viseu. Maria Ester estava grávida de oito semanas. Os biscates do marido, mas obras e nos campos, mal davam para sustentar uma família com duas filhas. Outra criança. naquela casa sem água, luz ou esgotos, mais semelhante a uma barraca de tijolos, podia fazer a diferença entre terem comida na mesa e passarem fome.
Havia só uma solução, acreditou o casal: recorrer aos serviços de Palmira, uma mulher da freguesia, nos seus sessenta e muitos anos, que, julgava-se por lá, tinha trabalhado num hospital francês (na verdade, só terminara a 3ª classe). Ester já o tinha feito uma vez, dois anos antes. Saíra da cozinha da «parteira» com dores e a sangrar, mas sobrevivera. E não conhecia alternativa.
António Gomes, o marido, levou-a novamente à «gira», assim baptizada pela aldeia, a recordar a sua beleza de juventude. Deu-lhe metade dos 200 euros que ela pedia e esperou à porta. Lembra que a viu ir buscar um «pauzinho de videira», para puxar o feto do corpo de Ester. Ouviu-a recomendar, à saída, comprimidos para as dores.
Maria Ester passou dois dias terríveis, com hemorragias agudas e a chorar de for. António queria levá-la ao médico, mas ela recusava-se. Finalmente, deixou-se convencer – o pavor da morte ultrapassou o pavor da lei. Paula Viana, a médica que a acompanhou, no Hospital de São Teutónio, em Viseu, lembra que Ester chegou chegou aos Cuidados Intensivos já ventilada e sedada, com deficiências respiratórias profundas e sinais de disfunção hepática. «Não se sabe se foi uma infecção devido ao uso de instrumentos não-esterelizados, no aborto, ou se as substâncias que lhe deram a tomar lhe provocaram um choque anafiláctico (reacção alérgica extrema)», comenta a especialista.
Resistiu três semanas, ligada às máquinas. Morreu sem voltar a recuperar a consciência. Tinha 32 anos. Deixou dias filhas, com 11 e 14 anos.

Que sirva de exemplo
Em tribunal, provou-se que Ester abortou naquelas condições, com um «pauzinho» introduzido no útero. No entanto, uma deficiente autópsia não permitiu fazer uma ligação que, sem margem para qualquer dúvida, garantisse uma causa-efeito (o Tribunal da Relação de Coimbra acusou os serviços de Medicina Legal de «incúria»).
António, 40 anos, refez a vida como pôde. Voltou a juntar-se e teve mais uma filha. Mas a nova família não lhe consegue dissipar da memória aquele quente 20 de Julho, em que conduziu a mulher à casa de Palmira. Ou as imagens de Maria Ester a sofrer, ao seu lado, durante 48 horas. Ou o desespero de um referendo, dois anos antes, que podia ter evitado tudo. «Tinha-a levado ao hospital para fazer o aborto, claro, se pudesse. Mas não podia. E ninguém me venha dizer que deixa de se fazer abortos neste país, porque é proibido», desabafa António. «Agora, só espero que ela, ao menos, sirva de exemplo.»
É um curto consolo para Liliana, 18 anos, a filha mais nova de Ester. «Se não fosse esta lei, a minha mãe ainda estaria viva», acredita, com um sorriso triste.
João Paulo Malta, obstetra da Plataforma Não Obrigada, devida muito. «Ninguém me demonstra que diminuiu o número de mortes se legalizarmos o aborto. Não desaparece a possibilidade de as mulheres morrerem em abortos legais.»
A Organização Mundial de Saúde diz o contrário: seria possível reduzir em 90% estas mortes, bastando para isso que os países alterassem as «leis restritivas» e proporcionassem, nos seus serviços de saúde, abortos seguros.

A morte aos 14 anos
O panorama do aborto clandestino alterou-se muito, nos últimos anos, explica Maria José Alves, obstetra da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e dirigente do movimento Médicos pela Escolha. «Felizmente, já não morrem tantas mulheres com perfurações do útero.» Desde 1998, as portuguesas recorrem menos às curiosas de «vão de escada», seduzidas pela publicidade das clínicas espanholas. Descobriram, também, o misoprostol, princípio activo de comprimidos para a úlcera, com propriedades abortivas, que passaram a ser vendidos no mercado negro – em alguns bairros de Lisboa é possível comprar um comprimido por 25 euros, embora em sites na Internet se cheguem a pedir 400 por três pastilhas. É um negócio próspero, pois uma caixa de 20 unidades custa 19 euros na farmácia…
«As mulheres da classe média e média-alta vão a Espanha, onde conseguem um aborto seguro e acessível (entre 350 e 500 euros). Mas as mais desfavorecidas viraram-se para os comprimidos», diz Maria José Alves. São essas mulheres mais pobres, ou muito jovens, que a obstetra atenda na MAC, todos os dias. «Chegam, geralmente, com abortos incompletos (retidos), depois de terem tomado os comprimidos em casa. Vê, assustadas, cheias de dores, com vómitos, diarreia, arrepios de frio». Segundo dados da Direcção-Geral de Saúde, o número de internamentos por abortos retidos disparou. na última década. Em 2005, foram internadas 3216 mulheres com este tipo de problema. Mais de 9600 entraram nos hospitais com complicações pós-aborto – embora nestes números estejam incluídos outros casos não decorrentes do universo clandestino, como os abortos espontâneos.
As situações clínicas mais complexas actualmente dizem respeito ao abuso de misoprostol. Muitas mulheres «carregam» nas doses, tentando compensar o estado mas avançado de gravidez – mas, após as 10 ou 12 semanas, muito dificilmente um aborto clínico resulta. «É usual chegarem aqui mulheres que tomaram 30 comprimidos», conta Manual Hermida, director do serviço de Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Essa sobredosagem provoca lesões externas no sistema digestivo, por vezes com necrose do intestino e infecções muito graves. Tão graves que já não têm solução, quando chegam às urgências de um hospital.
Foi o que aconteceu a uma adolescente que deu entrada no Hospital de Santa Maria, no final de 2005, depois de ter tomado 65 comprimidos de misoprostol. Estava grávida de 20 semanas. Não havia volta a dar às «extensas lesões vasculares do esófago e do estômago». Morreu, esvaindo-se em sangue, numa amálgama de dores. Tinha 14 anos.

Seis vítimas por hora

Em 2002, outra mulher faleceu no serviço de Obstetrícia de Santa Maria, com uma infecção generalizada, depois de ter entrado nas urgências com complicações pós-aborto. Apesar de todas as tentativas da VISÃO, ninguém, no hospital, foi autorizado a dar mais informações sobre estes casos. Os seus nomes e as razões do seu desespero permanecerão escondidos, nos arquivos hospitalares.
Essas mulheres são, em Portugal, duplamente vítimas da clandestinidade. A nível global, o assunto está bem documentado. Sabe-se que o aborto ilegal leva à morte de 68 mil mulheres por ano, em todo o mundo. Seis vítimas por cada hora que passa. A informação foi avançada, na semana passada, no estudo Aborto Sem Condições de Segurança: a Pandemia Evitável, publicado pela revista científica inglesa The Lancet. Como diz o obstetra Mahmoud Fathalla, perito das Nações Unidas, «estas mulheres não estão a morrer por causa de doenças intratáveis, mas sim por causa da sociedade que ainda não decidiu se vale a pena salvar as suas vidas».
A sociedade portuguesa é chamada a decidir sobre a despenalização do aborto, e a sua prática em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, no próximo domingo, 11 de Fevereiro. Henrique Couto, viúvo de Maria Teresa, empenha-se na discussão – não quer que outras famílias passem pela mesma dor: «Se a lei não mudar, mais mulheres vão morrer na mesma situação que a Teresa. Isto tem de parar por aqui».

Luís Ribeiro e Patrícia Fonseca, Visão, 8 de Fevereiro de 2007

O meu obrigada ao blog do Movimento de Jovens Pelo Sim por ter disponibilizado este artigo que, aparentemente, não está acessível na Visão Online.

~º(".)º~

Posted by Kooka at 01:47 AM | Comments (1)

Fevereiro 08, 2007

What the...?

You Are "Dizzy and Giddy"
What Japanese Smiley Are You?


[E a culpa é dela.]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 08:59 PM | Comments (1)

Fevereiro 07, 2007

Só me apetece dizer uma coisa...

[os mais sensíveis que tapem os ouvidos!]

AI CA PUTA DA DOR DE ESTÔMAGO!!!!

~º(".)º~

Posted by Kooka at 10:27 PM | Comments (0)

Fevereiro 05, 2007

Porque a despenalização do aborto não obriga nenhuma mulher a abortar

Eu voto SIM!

[Dizem os apoiantes do Não: O aborto mata.
Digo eu: o aborto clandestino mata mulheres que a ele se sujeitam.]

~º(".)º~

Posted by Kooka at 09:33 PM | Comments (0)

Fevereiro 04, 2007

Há coisas que custam a engolir...

E uma delas, e que parece cada vez mais ser moda por aqui, é o copianço descarado mascarado por um "inspirado em"...

Desta vez passa-se directamente comigo e não está a ser muito fácil aceitar.
Por muito simples que seja uma ideia, por muito básica que seja, foi preciso alguém pensar nela e torná-la realidade. Tudo o resto que vem depois é aproveitamento de ideias e, em muitos casos [como agora], nada mais do que cópias.

Conheço várias pessoas, muitas delas que estão na lista do outro blog, outras que andam pelo Flickr, que já viram os seus trabalhos copiados. Alguns na integra, outros ligeiramente alterados para não ser tão notória a cópia, uns com direito a "inspirado em", outros nem por isso. Desta vez toca-me a mim directamente e custa a engolir...

Fica o desabafo...porque de nada serve barafustar.

~º(".)º~

Posted by Kooka at 12:11 AM | Comments (1)

Fevereiro 03, 2007

Eu voto SIM

~º(".)º~

Posted by Kooka at 11:58 AM | Comments (5)

Fevereiro 02, 2007

*Atchim* *cof* *cof* *atchim*

Doente, com uma gripe daquelas, a arrastar-me desde 2ª feira, há dois dias em casa.
Muita coisa para fazer, uma feira para preparar e sem disposição física para isso.
Entre muitos *atchins* e *cof* *cof* e toneladas de lenços de papel, vamo-nos aguentando...só não sabemos muito bem como.

~º(".)º~

Posted by Kooka at 10:07 PM | Comments (4)
Ads used on this website can use cookies and/or web beacons to collect data in the ad serving process.