A barreira que separa os dois mundos é uma das fases mais marcantes para todas as fadas. Deixamos de ser seres pequenos, leves e com asas, para nos tornarmos pessoas como todas as outras.
Aléxis e eu damos as mãos, de frente um para o outro elevamo-nos no ar transportados pela força da barreira. O cheiro predominante a rosa, jasmim, eucalipto e pinheiro, misturado com cores fortes e borboletas que rodopiam à nossa volta, deixam-me estonteada e a perder as forças.
Sinto as mãos a escaparem das de Aléxis, mas no último segundo ele agarra-me… aperta-me pela cintura e abraça-me com força. Nesses segundos que se seguem mil e uma imagens me invadem a mente, sinto-me sufocar, tremo dos pés a cabeça, sinto-me nauseada, começo a chorar sem conseguir controlar.
Recordo-me da primeira troca de palavras com Feather, da missão inesperada que tinha pela frente; dos dons, defeitos e virtudes que me apontaram, para me persuadirem a tornar-me numa fada; do meu primeiro acto; do encontro com Morticia e de tudo o que se seguiu: as guerras, as aflições, os presságios. Do encontro com Aléxis… a troca de olhares, a paixão instantânea, os ciúmes, o amor… o imenso amor que nos uniu durante tanto tempo…
Do contacto com os duendes; da estruturação dos ataques; da destruição de Morticia e da ascensão de Yazmina; do regresso ao mundo dos humanos; do aparecimento de Hélios, Ceres, Éris e Métis em minha casa; da experiência na hospedaria; do reencontro com todas as fadas que tanto apostaram em mim e principalmente do brilho e sorriso no rosto de Aléxis quando me abraçou, me acariciou e sussurrou palavras doces e ternas ao ouvido…
Da descoberta de ser a princesa das fadas; do reconhecimento de todos os reinos pertencentes ao reino de meus pais; do surgimento de Andrew que complicou, em grande parte, a tranquilidade da nossa viagem; do afastamento gradual de Aléxis e, por fim, da maldição de que fomos vitimas…
Aterramos tranquilamente no chão, abraçados e a chorar… a chuva cobre-nos os corpos e a tristeza consome-nos a alma. Temos um grupo de pessoas à nossa espera. Observo o novo Aléxis que se me apresenta: mais alto que eu (como se isso fosse possível), com um corpo escultural, de olhos castanhos cor de mel, mas mantendo todas as feições do rosto que tão bem lhe conheço. Está lindo como sempre… ou ainda mais.
Já eu, tornei-me um pouco naquilo que era quando abandonei a vida humana, com a diferença de os meus olhos se tornarem esverdeados e o cabelo se ter tornado bem mais claro.
Neste momento há uma decisão a tomar… ou continuamos juntos mais uma dura batalha, ou vamos ter de nos separar.
Olhamo-nos em silêncio com medo de decidir, com medo do futuro… com medo…
Sussurro quase sem voz: “Gosto muito de ti”.

sniff... :(
Posted by: d3x7r0 at Janeiro 10, 2005 09:32 PMA continuação dos sentimentos à flor da pele é transmitida deliciosamente para a história.
Mas tens de recuperar e de te sentires como nova.
Sinto que estejas a passar por maus bocados.
Espero que tudo se componha.
Bjs.
Posted by: polpas at Janeiro 26, 2005 05:37 PM