01 de Fevereiro, 2004

Morticia

Passeio tranquilamente com a pequena Sam... Vamos brincando com as minhas borboletas e trazemos o Tommy e o Fred connosco...
Sinto que estamos a ser seguidas e segredo baixinho à Sam:
- Pequenina fica juntinho a mim, não te afastes nem para apanhar uma flor...
- Sim, mas porquê Arti?
- Vamos para casa?
- Sim, pode ser - ela sorri docemente.
Enquanto caminhamos seguro a mão dela, faço sinal aos dois esquilinhos para subirem para os nossos ombros e no preciso momento em que levanto voo, cai uma rosa negra mesmo no local onde nos encontrávamos...
A pequena Sam agarra-se com força ao meu pescoço...
- A tia Morticia... É ela Arti... É ela... Foge Arti, ela é má, ela quer que eu fique com ela...
- Calma Sam, calma fofinha...
Nisto Morticia surge mesmo à nossa frente, a Sam aperta-me o pescoço com força, eu seguro-a com todas as minhas forças, como que a dizer-lhe para não ter medo que eu protege-la-ia...
- Ora, ora, ora... Quem são elas...
- Que é que a senhora quer? Este lado da floresta não lhe pertence... Saia daqui...
- Vejamos... Uma recém fada que ousa desafiar-me...
Aproxima-se de nós mas eu elevo o meu voo.
- Minha menina, venceste uma vêz nao vences segunda..
- Que é que a senhora quer? Se me quer a mim vejamos se consegue, agora a Sam vai embora...
- AH AH AH... Vejamos se eu entendi bem?!... Isso é um desafio?!
- Se o entende assim muito bem, isso é consigo... Vamos Sam, vamos para casa...
Ela agarra-me o braço em estilo ameaçador, solto-me com facilidade..
- Largue-me, a mim não toca facilmente... vá-se embora JÁ!!!
Assim que prenúncio estas palavras, sou rodeada por dezenas de fadas e antes de abalar Morticia prenúncia...
- Artemisa, não perdes pela demora!

Morticia

Posted by Fairy at 01:13 AM | Encantamentos (3)

Após Morticia

Depois do encontro com a Mortícia sinto-me estranha, uma tristeza enorme invade-me o espírito…
Sinto necessidade de estar sozinha mas ao mesmo tempo de me abraçar a alguém, de me sentir protegida, de ter aquela segurança que me falta…
Deitada à chuva as lágrimas rolam de mansinho, misturando-se com as gotas de chuva… o pequeno Jim vem ter comigo:
- Arti, vem abrigar-te, vais ficar doente…
Acato pois tenho a plena consciência de que me faz mal, estar ali assim… Quando chego dentro de casa a Feather abraça-me e todos me olham com preocupação…
Vou para o meu quarto e choro pela ausência cada vez maior da pessoa que mais quero!

Posted by Fairy at 07:17 PM | Encantamentos (2)

02 de Fevereiro, 2004

Aléxis

Os dias passam e eu encontro-me apática, a Feather e os outros estão preocupados comigo... Todos os dias os oiço sussurrar à porta do meu quarto.
Sinto falta de algo que nunca tive, uma pessoa especial que me dê carinho, atenção e, principalmente, que me compreenda, que me deixe chorar quando preciso e que nessas alturas não faça perguntas, apenas espere que eu me acalme e depois me deixe falar, que ria comigo quando eu rio e que me vá moldando aos poucos, que não exija muito de mim logo de início...
Num dia de chuva intensa abro a janela, sento-me no parapeito e deixo a chuva cair-me no rosto, se dizem que a chuva lava/limpa a terra pode ser que me lave também a alma...
Enquanto penso nos últimos acontecimentos fecho os olhos e finalmente, nos últimos dias descontraio... Mas nisto oiço passos sobre as folhas e a caruma dos pinheiros... Abro os olhos e salto para o lado de fora
- Quem está aí?
- Calma Arti - diz a Feather que entretanto aparecera junto de mim - é o meu irmão Aléxis que veio de volta para nos ajudar com a Morticia.
Respiro fundo e ainda um pouco atordoada e envergonhada digo:
- Peço imensa desculpa!! - sem perder mais tempo volto para casa e fecho-me no quarto.
O pobre Aléxis fica um pouco confuso:
- Quem era aquela maravilhosa fada?
- É a Artemisa, a fada/humana por quem pedimos autorização especial.
- Meu Deus ela é maravilhosamente bela, mas parece-me meio atordoada, perturbada... Que lhe aconteceu?
- A Morticia, Aléxis, ela po-la à prova e embora a Arti tenha sido a única a enfrentá-la, ficou perturbada... Penso que sente a falta de um carinho especial e de um apoio único. Todos os rapazes daqui a olham com respeito e admiração, mas não se aproximam dela, com receio de algo...
- Pequenita Arti, tão bela, tão forte e ao mesmo tempo tão frágil...
Feather sorri ao ver o ar deliciado do irmão...
Depois do jantar, onde mais uma vez mal toquei na comida, digo à Feather:
- Vou até à cascata, preciso sair daqui um pouco...
- Sim querida, mas leva a Ceres, a Métis e Éris contigo, elas protegem-te se for preciso...
Concordo com a cabeça, dou-lhe um beijo na face e sorrio...
- Aléxis, por favor, vai e fala com ela...
- Sim maninha, eu vou, fica descansada.
Sento-me numa pedra a alguns centímetros do chão, seguro os joelhos e quando descontraio oiço passos de novo... Quando me levanto Aléxis surge da escuridão...
- Sou eu Arti, tem calma, senta-te... E descontrai... Este é o meu lugar favorito, apenas vim descontrair um pouco, depois da longa viagem que fiz... Fica aí em cima, que eu fico aqui em baixo e nada de mal acontecerá...
- Obrigado e desculpe por me assustar sempre consigo!
- Arti, POR FAVOR, trata-me por TU...!!!!!
Rio da cara traquinas de Aléxis e sento-me mais descontraída, a levar com a chuva no rosto...
Apercebo-me que Aléxis me observa com atenção, respeito, admiração e algum carinho... Mas pela primeira vez na minha vida, isso não me incomoda....

In Love

Posted by Fairy at 12:06 AM | Encantamentos (2)

03 de Fevereiro, 2004

O nascer de uma nova alma

Entretanto a chuva cessa de repente… Aléxis retira a blusa que traz vestida e mergulha angelicamente… Eu acordo do meu breve sono com alguns dos seus salpicos…
Quando emerge e repara que eu acordei, fica meio embaraçado:
- Ops, desculpa Arti, não te quis acordar… Foi sem querer… Mas as saudades desta cascata foram mais fortes e além do mais fico confuso: ou resisto a estas maravilhosas águas ou à tua singular beleza…
Para disfarçar um pouco a minha timidez, faço um gesto com a minha mão e as minhas borboletas, como que por magia, fazem surgir em mim um magnífico vestido rosa bebé… Sem perder mais tempo mergulho na cascata e quando venho à superfície deito um repuxo de água em cima dele…
- MEU DEUS… Ela ri, ela brinca, ela já não faz cara feia e foge de mim a sete pés com carinha de amuou…
Solto uma gargalhada do ar de criança de Aléxis, salpico-o com água e elevo-me no ar, graciosamente, estilo parafuso…
Ele persegue-me e quando me alcança eu mergulho de novo...
- Arti, pára, por favor, deixa-me olhar para ti… Por favor…
- Que foi sua Alteza?! Não me consegue encontrar?!
Aléxis redopia em si mesmo…
- Deixa-me ver-te… Por favor… Deixa ter a certeza de que sorris e de que já não choras… VÁ LÀ!!!
Toco ao de leve no seu ombro e sussurro:
- Uma pequena fada ao seu dispor…
Aléxis toca-me no queixo e fica a admirar o meu rosto, baixo os olhos delicadamente, ele ergue-me mais o rosto e diz:
- Não escondas essa beleza genuína e única… Deixa que todos a possam observar, não te deixes vencer pela Morticia… Esse estado de isolamento, negação de ti mesma e de crédito no que julgas serem os teus valores, tudo isso e muito mais é o que a minha irmã quer… Arti, pequenita, por favor, ergue a cabeça e volta a ser tu mesma!!!
- Aléxis – sussurro de lágimas nos olhos – ajuda-me a ultrapassar isto, ajuda-me a voltar a ser o que era… Ajuda-me por favor!
- Ajudo sim pequenina Artemisa, eu ajudo, fica descansada que eu ajudo…
Ele abraça-me docemente e eu soluço baixinho no seu ombro, na tentativa de acabar de vez com este maldito sentimento de "fraqueza" que me invade.

Posted by Fairy at 12:00 AM | Encantamentos (6)

04 de Fevereiro, 2004

Morticia - quem ri por último é quem ri melhor

Aléxis pousa-me delicadamente no chão, segura-me no queixo:
- Pequenina, sorri para mim, sorris? - Esboço um sorriso envergonhado, ele beija-me a testa.
- Vamos para casa?
Faço-lhe uma careta e digo “Apanha-me se conseguires!!” e começo a correr, ele olha-me com ar incrédulo e estupefacto, mas de repente, como se um clique... Como se uma pequena luz lhe tivesse nascido na mente, bate as asas e persegue-me a toda a velocidade…
Paro de mão na cintura e ar traquinas, olho para ele com um sorriso grandioso:
- Seu batoteiro, isso não vale, tu és um batoteiroooooo… - Faço um beicinho e ele solta uma gargalhada de uma sonoridade única e singular que me delicia e arrepia…
Corro e levanto voo, é uma espécie de corrida, mas sem darmos conta efectuamos um bailado lindo, que delicia todos quanto nos esperavam junto de casa…
Feather sorri, a Sam e o Jim correm para nós:
- Vamos brincar, vá lá… vamos brincar os quatro. – Pego na pequena Sam ao colo e puxo o Jim para junto de mim…
- Meninos eu, a vossa mãe e o tio Aléxis precisamos conversar, vão brincar com os outros que nós já lá vamos ter!
Saem os dois de casa aos pulinhos e de mão dada, cantarolando uma música de criança que os diverte, pois ainda consigo ouvir as suas gargalhadas. Feather e Aléxis olham para mim incrédulos e ele pergunta-me:
- Que se passa pequenina?? Porquê esse ar tão sério? Estavas tão bem…
- Calma Aléxis, deixa a Arti explicar.
- Sentem-se por favor. Aléxis não se passa nada de especial, apenas tomei uma decisão, mas para que possa po-la em prática preciso da vossa ajuda e da vossa colaboração.
- Que se passa Arti? Estamos a ficar preocupados…
Sorrio e suspiro:
- Bem, eu quero arranjar um plano para apanhar a Morticia! Já chega de maldades e de fazer os outros sofrer!
Eles olham-se extasiados, sem qualquer resposta ou reacção, pois esperavam tudo menos aquilo que eu lhes propus…
- Como pretendes fazer isso? – Pergunta Aléxis
- Primeiro precisamos de definir estratégias, recrutar e treinar pessoas/fadas… Acho que a Morticia necessita de apanhar um susto, ou talvez pura realidade, isso só depende de nós e dos nossos futuros colaboradores.
Feather sorri:
- Lá vem a menina corajosa e aventureira… Então Aléxis? Ajudamo-la?
- Hummmmm… Mão sei… - solta uma gargalhada – É claro que sim, a Arti tem razão, a Morticia precisa apanhar um susto ou mesmo uma mudança radical.
- Podemos começar a tratar disso amanhã? – Pergunto com ar exausto
- Claro linda!
- Vou-me só despedir das crianças e vou dormir…
- Eu vou contigo!
Eu e Aléxis saímos da sala, despedimo-nos dos pequenos, ele acompanha-me ao quarto:
- Dorme bem doce e maravilhosa princesa.
- Durma também bem, meu adorado senhor!
Dou um beijo fugitivo na face de Aléxis e entro no quarto, após ter trocado de roupa oiço algo a bater na minha janela… era Aléxis:
- Importaste de contemplar este maravilhoso luar comigo? – Saio pelo parapeito da janela com a ajuda dele… Ele segura-me na mão e meio abraçados vimos e apreciamos aquele luar lindo e indescritível… Antes de eu ir dormir, Aléxis coloca-me um pequeno, delicado e maravilhoso malmequer no cabelo, dando-me um beijinho no nariz…

Posted by Fairy at 12:03 AM | Encantamentos (5)

05 de Fevereiro, 2004

A estruturação do ataque

Pela primeira vez, após tantos dias de melancolia, apatia e tristeza, acordo extremamente descansada, os pesadelos foram banidos e os sonhos felizes começaram a vencer esta dura batalha.
Acordo radiante, com um sorriso nos lábios, apercebo-me de que sou a primeira a levantar-me… Chego à cozinha e preparo o pequeno-almoço para todos.
Quando vão ao meu encontro, ficam boquiabertos com tamanha surpresa! Comemos numa conversa animada e divertida. Os pequenos vão para a escola… Eu, a Feather, o Aléxis e o Josh ficamos a conversar.
Decidimos que o primeiro a fazer será marcarmos o consílio das fadas, primeiro convocamos o nosso reino e depois alargá-lo-emos ao aos reinos vizinhos. Precisamos de reunir o maior número de aliados possíveis, depois em conjunto decidiremos como actuar.
Feather e Josh encarregam-se da convocatória do nosso reino, enquanto que eu e o Aléxis vamos falar c os duendes, eles também serão uma ajuda útil.
- Vamos no meu Unicórnio.
- Vamos o quê? Estás doido?! Nunca andei a cavalo vou andar de unicórnio?
Aléxis ri-se da minha cara de “horrorizada” e temerosa:
- Uma menina que pretende enfrentar a mais temida das fadas negras, tem medo de um pobre unicórnio? – Diz-me ele com ar de gozo.
Devido à provocação de que fui alvo, subo para cima do Oziel, olho para ele com ar travesso, mas ao mesmo tempo autoritário:
- Por que esperas? Temos uma tarefa muitíssimo importante para fazer, não é só brincadeira.
Aléxis indica a Oziel qual o nosso caminho e iniciamos o percurso… Chegamos a uma zona da floresta que eu não conheço e fico deliciada e estarrecida com tamanha beleza: o sol magnífico consegue, aqui e ali, penetrar as copas das árvores… Pequenos pássaros e borboletas brincam entre si, nota-se uma grande harmonia entre todos os animais e a própria natureza.
Chegamos junto a uma árvore centenária, enorme e que coloca bastante respeito… Aléxis ajuda-me a descer do unicórnio, batemos à porta e entramos.
Dunaz encontra-se de pé, junto de uma janela:
- Podemos? – Pergunto ao entrar na sala onde ele se encontra.
- Sim, já estava à vossa espera – Olha-nos com um sorriso e um ar afectuoso – Afinal que vos traz por ca?
- Vimos falar sobre a Morticia.
Desta vez Dunaz olha-nos com ar aterrorizado, Aléxis coloca-me a mão na cintura, em estilo encorajador e sussurra-me…
- Agora começa a primeira fase da dura batalha que temos pela frente.

Oziel

Posted by Fairy at 12:25 AM | Encantamentos (5)

09 de Fevereiro, 2004

Dunaz, o velho e simpático Duende

Depois do olhar aterrorizado que presenciamos, eu e Aléxis, ficámos um pouco apreensivos em relação ao que iríamos fazer em seguida e em como conseguiríamos dar a volta à situação.
Dunaz, o velho duende, pede para que nos sentemos, oferecendo-nos algo para beber, o que recusamos delicadamente.
- Bem, vamos lá tratar de coisas sérias – diz Dunaz – Como vocês sabem a Morticia tem tentado com todos os meios e mais alguns destruir o reino dos duendes, tem-nos feito muito mal e agora que estamos numa época de tréguas, sinto-me um pouco receoso no que vos possa ser útil.
- Sr. Dunaz – Começou Aléxis – como príncipe do reino Glorious e uma vez que a rainha, minha irmã Feather, e o rei, seu marido Josh, se encontram ocupados a tratar da convocatória real para um consílio no nosso reino; faço-me acompanhar pela nossa mais recente fada, Artemisa.
- Muito prazer menina e muitos parabéns por ter conseguido uma nomeação para o reino Glorious, o reino mais exigente de todo este mundo.
Baixo delicadamente o rosto, um pouco envergonhada, não há motivo para tal, mas é mais forte que eu e sussurro “Muito obrigado”.
- Concedemos à Artemisa uma licença especial para entrar no nosso reino – prossegue Aléxis – Ela é uma humana que se tornou fada. Muito provavelmente a Morticia pensou que devido à sua condição meia humana, a Arti, não estivesse à altura de resistir a um dos seus ataques, mas não, a ela foi a mais corajosa de todas as fadas atacadas pela Morticia e apenas se guiou pela sua intuição e escapou duas vezes ilesa das mãos da minha irmã.
O pobre duende tem uma expressão de estarrecimento tal e de total admiração que começo a sentir-me incomodada.
- Antes do meu regresso, a Arti, encontrava-se num perfeito estado de apatia; aos poucos tenho lutado para que volte a ser o que era e para que prove à minha, cruel, irmã que ela não vai intimidar.
- Ainda não sabemos ao certo como vamos actuar, daí o motivo dos consílios que pretendemos organizar, mas gostaríamos de saber se poderemos contar com a vossa total e incondicional ajuda?! – digo eu, com a finalidade de pôr termo à conversa sobre mim.
- Acho que vocês compreendem o meu receio em tomar qualquer que seja a decisão sozinho, vou ter de vos pedir uns dias para marcar o consílio dos duendes e penso que seria importante a vossa presença.
- Pode contar connosco – afirma Aléxis – Bem é melhor irmos andando que ainda temos coisas para resolver. Sr. Dunaz, envie-nos uma lasca de cortiça a confirmar a data do vosso consílio.
- Fiquem descansados e que os espíritos dos Duendes vos acompanhem.
Enquanto nos pomos a caminho vamos com a sensação de uma primeira derrota, mas de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Posted by Fairy at 12:00 AM | Encantamentos (1)

Morticia no reino Glorious

Enquanto nos dirigimos para casa a tristeza invade a minha alma… Aléxis ao aperceber-se do meu estado de melancolia, em vez de se dirigir directamente para casa conduz-nos até à “nossa” cascata…
Ajuda-me a descer do Oziel, senta-se numa pedra e senta-me ao seu colo, faz-me festas no cabelo e no rosto, ficamos assim, sem dizer uma só palavra, apenas contemplando a beleza natural que nos rodeia: a cascata e a calmaria das águas, pequenos esquilos e coelhos a brincarem entre si, os pássaros a fazerem pequenos bailados…
O nosso estado de tranquilidade é interrompido por um som agudo, de dor, de desespero… salto do colo de Aléxis, elevo-me no ar, abro os braços, fecho os olhos… sinto de onde vem o som e voo o mais rápido possível. Aléxis voa atrás de mim e depressa me apanha, apenas trocamos um olhar, onde ele me transmite confiança.
Por entre as copas das árvores consigo desvendar a silhueta de uma figura humana agarrada a um pé, desço a pique e vertiginosamente, Aléxis segura-me na mão fazendo-me uma pequena festa…
Ajoelho-me ao lado da jovem rapariga, olho-a nos olhos e sussurro:
- Tem calma, estamos aqui para te ajudar, conta-nos o que sentes e o que te aconteceu… não tenhas medo.
Os olhos da rapariga rasam-se de lágrimas, a voz treme, levanta as calças onde eu e Aléxis vislumbramos as marcas de uma dentada…
- É uma dentada de javali – diz Aléxis.
- Aléxis, traz-me água da cascata e três folhas de eucalipto… URGENTE… Manda o Oziel chamar reforços, não pode haver um javali à solta a morder a quem quer que lhe apareça à frente!!!
- Não demoro, se precisares de alguma coisa, manda a Ceres ir ter comigo – Aléxis parte levando consigo a Métis.
- Como te chamas?
- Vânia.
- Sou a fada Artemisa, não te preocupes, vais ficar bem, Éris… vai chamar o Tommy, o Fred e a Sam… eles que me tragam pequenos tufos de algodão, pétalas de malmequer e de rosa… RÁPIDO!!!
Enquanto esperamos, ajudo a Vânia a dobrar as calças de forma a tratar da dentada… Oiço passos, coloco-me de pé para me poder defender a mim e a ela… começo a ficar preocupada, pois oiço passos de dois caminhos diferentes, fico ansiosa e um pouco receosa… olho para um lado, olho para outro e quase ao mesmo tempo aparecem a Éris e a Métis, os dois grupos correm para junto de mim e entregam-me os “ingredientes”.
- Sam, ajuda-me, dá-me a água e as folhas de malmequer, Tommy e Fred… terra, rápido.
Enquanto lavo a perna e cubro a marca da dentada com lama e malmequeres, oiço Aléxis a falar com Josh… Assim que acabo dirijo-me a eles e digo-lhes:
- Sinto a presença da Morticia na floresta, avisem tudo e todos… ela invadiu o nosso território!
Josh e Aléxis olham-me surpreendidos, volto a baixar-me para acabar o curativo.

Posted by Fairy at 12:56 PM | Encantamentos (3)

Ataque a Morticia

Ato a perna da Vânia com as folhas de Eucalipto, mas antes passo com pétalas de rosa… Levanto-me, chamo o Oziel e peço a dois guardas que a levem, juntamente com a Sam para casa.
Junto-me a Josh e Aléxis, este abre um pouco a roda e abraça-me enquanto conversamos:
- Arti que é que pensas sobre tudo isto? – pergunta-me Josh.
- Bem, sinceramente acho que o Javali foi enfeitiçado pela Morticia e eu sinto-a muito próximo de nós… Penso que nos devíamos separar e tentar descobri-la o mais rapidamente possível, antes que seja tarde de mais!
Dividimo-nos em quatro grupos, cada uma para seu ponto cardial… Eu, Aléxis e mais quatro Fadas (do sexo masculino), dirigimo-nos para oeste, eu vou rodeada por eles, tal e qual como se se tratasse de uma escolta… o ar começa a cobrir-se de um cheiro nauseabundo e com umas nuvens negras muito carregadas.
- Atenção, estamos perto dela, mantenham-se alertas, não se dispersem e sigam apenas a intuição… nada mais que isso, apenas e só a vossa intuição! – Afirmo com convicção.
Faço passar água da cascata por todos nós de forma a mantermo-nos mais como nós próprios, sem nos deixarmos levar pelo poder da Morticia… Assim que acabo de colocar o pequeno frasco de água dentro do saco, uma dor trespassa-me o peito, ergo a cabeça e os olhos da Morticia destacam-se na escuridão…
- Hei-la! – Aviso apontando ao mesmo tempo… Ergo-me em parafuso, agarro em duas pinhas e ao mesmo tempo desapareço pelo meio das copas das árvores… A Morticia começa a ficar desorientada com o perfume a rosas que todos nós possuímos, sem ninguém se dar conta aproximo-me pelas costas de Morticia e atiro-lhe as pinhas, neste momento já os outros me ajudam assim como todos os animais.
- Morticia vai-te embora, ainda não percebeste que não és bem vinda aqui?! Vai-te embora antes que seja tarde de mais… - diz Aléxis.
- Vai-te embora e leva os teus animais negros contigo… Leva toda a tua maldição daqui… Desaparece e nunca mais voltes! – Ordeno eu.
A Morticia nem tem poder de argumentação… Parte e leva consigo toa a tristeza que invadiu o reino Glorious.
- Vamos embora… Ceres, Métis, Éris… Avisem os outros que nos encontramos em casa e que tudo está resolvido.
Voamos o mais rápido possível, pois encontramo-nos exaustos. Quando chegamos todos nos esperam ansiosos, Feather e Josh acolhem-nos com um sorriso de orgulho magnífico…
- Por favor, apenas um duche e algo para comer…
Enquanto me arranjo coloco um vestido amarelo e solto o cabelo, chego ao pátio e sou recebida em grande ovação…
Em jeito de agradecimento elevo-me no ar, num voo em espiral, de braços abertos… Quando acabo e abro os olhos, Aléxis rodeia-me com os seus braços começamos um bailado tranquilo e reconfortante.

Artemisa

Posted by Fairy at 11:47 PM | Encantamentos (6)

11 de Fevereiro, 2004

Consilio no reino Glourious

Todos nos sentimos um pouco mais confiantes, pois a Morticia mais uma vez deu-se mal.
O Consílio das fadas estava marcado para o dia seguinte ao ataque de que fomos alvo… a jovem Vânia voltou para casa, mas prometeu-nos que se precisássemos de ajuda ela estaria pronta para retribuir o que tínhamos feito por ela.
Depois de um dia em que andámos a vigiar e a recompor as protecções do nosso reino, chego a casa extremamente cansada, mas preparada para a longa noite que ainda teria pela frente.
Chegamos os quatro à orla da floresta, o reino em peso encontra-se presente… a abrir caminho vão Josh e Feather, eu e Aléxis seguimos mesmo junto a eles… embora as fadas sorriam para nós, os nossos rostos encontram-se sérios e com um ténue semblante de preocupação… aquele consílio não era motivo de festa, ao contrário, era motivo de decisões extremamente importantes, para o futuro de todos os reinos, melhor, para o futuro do mundo das fadas.
- Vamos tentar acalmar e prestar atenção ao que temos para vos comunicar, por favor – começa Josh – ao contrario do que pensam este consílio não tem um motivo feliz.
- Como todos sabem fomos atacados pela minha irmã Morticia – continua Feather – Felizmente, contradizendo o que alguns pensavam, temos entre nós uma fada nata, uma fada que mostra mais lealdade, devoção e carisma que muitos outros.
- Graças a ela conseguimos evitar uma tragédia no nosso reino – Prossegue Aléxis – eu estava la, presenciei tudo e de facto não há ninguém como a Artemisa.
- Pedi para que a Feather convocasse este consílio – digo eu - pois penso que precisamos de fazer qualquer coisa urgentemente! Não podemos andar constantemente em sobressalto. A minha ideia é juntarmos todos os reinos e irmos ganhando terreno, de modo a conseguirmos encurrala-la. Alguém tem mais sugestões?!
Começa um enorme burburinho mas ninguém se prenuncia concretamente. O consílio acaba com a divisão em grupos, aos quais seriam atribuídas tarefas posteriormente.
No consílio, alem do nosso reino, encontravam-se representantes de mais três: Fabulous, Magnificious e Imaculous. Quando me dirijo a Aléxis, para poder falar com ele sobre o consílio, este encontra-se rodeado pelas cortes dos outros reinos… baixo a cabeça e ao mesmo tempo ergo-a de novo, eleve-mo no ar e dirijo-me para a cascata… enquanto voo as lágrimas começam a rolar pela minha face, sento-me numa pedra, abraço um joelho e soluço baixinho, Métis voa até ao meu dedo… nisto oiço passos e os braços de Aléxis rodeiam-me.
- Arti, pequenina, porque choras? – pergunta ele enquanto me ergue o rosto até junto do dele – Não acredito.. Não me digas que estás com… ciúmes? – limpa-me as lágrimas, olhando-me docemente e faz o sorriso mais espectacular do mundo...

Ciúme

Posted by Fairy at 12:38 AM | Encantamentos (4)

12 de Fevereiro, 2004

Yazmina, a princesa de Imaculous

Assim que regressámos a casa, mais tranquilos e cada vez mais próximos, tencionávamos poder ficar os dois a apreciar o luar, mas ficamos um pouco desiludidos ao repararmos que ainda se encontrava a corte do reino Imaculous e, que por sinal, ficaria a passar uns dias connosco.
A princesa Yazmina era a mais bonita fada que alguma vez tinha visto: jovem, cabelo negro comprido, olhos amenduados, castanhos escuros e um rosto de boneca de porcelana de cortar a respiração… era a princesa perfeita.
Feather chama-nos até eles, a conversa parece animada mas o olhar avaliador que Yazmina me deita não me satisfaz… conversamos animadamente e pouco tempo depois peço desculpa e retiro-me para o meu quarto com o objectivo de descansar…
Assim que me preparo para deitar, oiço vozes lá fora, espreito subtilmente pela janela e vejo Aléxis e Yazmina a conversar, ela faz-lhe uma festa no rosto e pelos vistos ele não oferece resistência.
Nessa noite durmo terrivelmente mal, assim eram seis horas da manhã e já andava a pé, preparo o pequeno-almoço para todos e deixo um bilhete “fui correr, levo a Éris, a Métis e o Tommy comigo, se precisarem se alguma coisa mandem a Ceres que ela encontra-me… Beijos Artemisa.”
Feather fica preocupada e pressente que eu não me encontro bem desde o ataque da Morticia, quando venho a regressar a casa encontro a fada Cibele, uma fada mensageira que se encontra ao serviço do reino dos Duendes, ela traz consigo a lasca de cortiça de que estávamos à espera.
- Artemisa? És tu? – Pergunta ela um pouco confusa por me ver como uma humana
- Sim, Cibele, sou eu… desculpa ter-te assustado, mas precisava mesmos descontrair um pouco, Trazes alguma coisa para mim? – Ela entrega-me a lasca da cortiça
- Amanhã Arti, apareçam, pode influenciar bastante. - Sorrio para ela e dou-lhe um beijo na testa.
Quando chego às redondezas da casa vejo a Yazmina deitada a apanhar banhos de sol, ao ver-me dá um grito e todos correm até ela… Ao passar por eles tiro o boné, sorrio e digo:
- Desculpe princesa Yazmina, não foi minha intenção assuste-la… Feather, Josh, Aléxis... Tenho notícias, podem chegar aqui por favor?
Já na sala, entrego a lasca de cortiça, eles ficam surpreendidos. Dunaz pede peremptoriamente a nossa comparência. Yazmina entra na sala:
- Afinal que é que ela trouxe de novo? – Diz com desprezo
- Desculpem, vou tomar duche – saio da sala.
Aléxis segue-me:
- Arti que se passa?! Porque evitas a Yazmina? É uma rapariga espectacular!
- Aléxis eu não sou obrigada a lidar com quem não me transmite confiança… vai ter com ela, ela precisa mais de ti do que eu!

Yazmina

Posted by Fairy at 07:40 PM | Encantamentos (7)

16 de Fevereiro, 2004

Mais uma batalha

Encontro-me deitada no parapeito da janela, abraçada aos meus joelhos, a apreciar o esplêndido por do sol que se faz sentir… Feather entra no quarto, senta-se na cama e pergunta-me:
- Querida Artemisa, que se passa contigo? Desde ontem que te noto estranha, distante, melancólica… Queres falar?
Nesse preciso momento, Aléxis e Yazmina passeiam no jardim… Olho para Feather com os olhos rasos de lágrimas…
- Ainda preciso dizer alguma coisa?
Ela levanta-se e vem abraçar-me, Sam entra no quarto e sem dizer nada senta-se ao meu lado na janela, olha-me com aquele olhar doce que me tranquiliza e faz-me suaves festas no cabelo e no rosto, dá-me um beijinho na bochecha e diz:
- Arti, não estejas triste, eu também não gosto da Yazmina… Ela é má para mim e para o Jim, não nos deixa brincar com o tio Aléxis, quere-o todo só para ela…
Limpo as lágrimas, olho para ambas e digo:
- Deixem passar o Consílio dos Duendes que eu resolvo o assunto… Agora vamos animar, porque ela não vai conseguir deixar-nos tristes…
Quando me deito, olho a lua e as estrelas, pedindo em pensamento “Deiam-me forças para mais uma batalha que me espera!”, durmo mais tranquila, mas nunca tão descansada como anteriormente.

Posted by Fairy at 10:37 PM | Encantamentos (3)

Consílio dos Duendes

O dia está frio, embora o sol brilhe com toda a sua beleza, o nevoeiro que nos rodeia dá-me uma sensação envolvente de mistério.
Durante todo o dia, procuro afastar-me ao máximo do espaço onde Yazmina se encontra, tenho-me entretido a brincar com a Sam e o Jim... Depois do almoço, enquanto arrumamos a cozinha, eu e a Feather falamos sobre o consílio dessa tarde:
- Que vais tu dizer no consílio?
- Vou-me limitar a contar o que passei e senti nas duas vezes que me encontrei com a Morticia e tentar relembra-los de todo o mal que ela já lhes fez.
Preparo-me para o consílio, visto um vestido roxo, apanho o cabelo num rabo de cavalo o que me realça mais o olhar… O sentimento que me assola é uma mistura de confiança e conformidade, por termos feito tudo o que estava ao nosso alcance. Vou ter com a Feather, oiço ela a discutir com alguém, passo à porta do escritório, que se encontra aberta:
- Já chega, isto agora é assim?! Passa-se por cima dos sentimentos das pessoas?! Retira-se, num estalar de dedos, os lugares que se alcançam com o esforço, empenho e amor ao nosso reino e, principalmente, ao nosso mundo?!
- Mas…
- Nem mas, nem meio mas… Não é por ela ser a princesa do Reino Imaculous que vai passar por cima de quem quer que seja… No nosso reino não é assim e tu sabes tão bem disso quanto eu… Arti, entra, não vás embora… Levas contigo a Abigail e o Aléxis vai contigo… Estamos entendidos?
Enquanto avançamos até ao reino dos Duendes, nem uma palavra trocamos… Noto que Aléxis se sente incomodado, embaraçado, ansioso, parece que colocou uma barreira entre nós, a qual eu não vou fazer nada para quebrar… Se ele quiser sabe que pode vir ter comigo… Nunca neguei esse direito a ninguém.
Dunaz aguarda-nos com mais dois duendes, saltamos dos unicórnios, encaminhamo-nos para uma clareira onde todos nos esperam.
O consílio inicia-se, Dunaz explica a todos o que se passa e o porquê do nosso pedido, Aléxis lê um comunicado da Feather. Os duendes fazem questão que eu relate os dois acontecimentos com a Morticia… Concluo com um pedido:
- Por favor, unam-se a nós, vai ser uma batalha, muito dura e todos os reforços são poucos…
Nesse preciso momento, pressinto a presença da Morticia, elevo-me no ar em parafuso, abro os braços e de olhos fechados procuro o sítio onde a sua presença é mais forte… Um murmúrio de espanto percorre a plateia, Aléxis ao aperceber-se do que se passa, pede a Dunaz para que acabe o consílio…
Assim que volto ao meu lugar, a votação é unânime, eles irão apoiar-nos… Os duendes dispersam-se:
- Aléxis, vai para casa, avisa a Feather do que se passa… Hoje fico em casa da Cibele, manda-me o Kirios e o Nataniel, iremos reparar as protecções do reino dos duendes, voltaremos assim que acabarmos.
- Eu também venho – contrapôs Aléxis, num momento de lucidez – eu quero vir pequenina…
- Não! – digo peremptoriamente – Ficas no reino Glorious, além da Yazmina a quem tens que dar atenção, também tens que defender e proteger o resto do reino… Eu desenrasco-me só com eles… Vai-te embora, quando chegares envia a Ceres, a Éris e a Métis… Elas vão ser úteis..
Aléxis sente-se inútil e antes de partir triste, faz uma festa no rosto sussurra:
- Toma conta de ti, cuidado, porque eu quero ver-te sã e salva no reino Glorious, quero ver esse sorriso deslumbrante e singular que me anima e aquece o espírito de qualquer um…

Artemisa

Posted by Fairy at 11:30 PM | Encantamentos (4)

19 de Fevereiro, 2004

Nataniel e Kirios

Nataniel e Kirios chegam passado uma hora… eu, Cibele e Dunaz encontrávamo-nos reunidos na sede do reino dos Duendes, tínhamos vários mapas espalhados em cima das mesas.
Cibele é uma jovem fada, de cabelos castanhos claros, sempre penteados ou com totós ou com tranças… Kirios é bem mais alto que Cibele, é gorducho, olhos com uma cor muito indefinida que lhe dão um certo mistério, pois se um dia são verdes, no outro já são meio cinzentos, e cabelos castanhos claros. Nataniel é um jovem mais ou menos da minha altura, cabelos castanhos escuros, olhos quase negros, um charme incrível que faz suspirar todas as fadas do reino.
Quando entram na sala, Nataniel dá-me um beijo na testa, apresenta-me o Kirios e em seguida eu retribuo apresentando a Cibele, o Dunaz e o Adonias (um duende que nos veio ajudar)… Cibele fica encantada com o olhar e jeito meio doido de Kirios… Começamos a visualizar os mapas e depois de escolhermos o caminhos a seguir dividimo-nos em dois grupos, um formado por Cibele, Kirios e Adonias que seguiram por um lado… eu, Nataniel e Dunaz por outro, uma vez que este fez questão de nos acompanhar…
Enquanto trocávamos algumas plantas e persuadíamos alguns animais fui-me apercebendo do olhar que Nataniel me lançava…
- Porque abalaste tão estranho esta manhã? – Pergunto a Nataniel.
- Nada de especial, apenas uma coisa que ouvi e não gostei nada, só isso, não te preocupes…
- Preocupo sim, mas se preferes não falar sobre isso, sabes que estás à vontade…
Ele ajuda-me a subir para a Abigail e segura-me nas mãos:
- Magnífica Artemisa, há alguém que te quer destruir além da Morticia…
- Já sei quem é… é a Yazmina, não é?
- Como sabes?
- Porque sem querer ouvi uma conversa entre o Aléxis e a Feather e apercebi-me de algo estranho...
- E que vais fazer?
- Nada… vou continuar aquilo que sempre tenho feito… Nataniel, eu não tenho só este mundo, tenho muitas pessoas que não têm nada contra mim mas sei que muitas outras, infelizmente e sem qualquer razão, tentam fazer-me a vida negra, tentam deitar-me a baixo com o mais pequeno gesto… além do mais eu odeio ser o centro das atenções, adoro passar despercebida… infelizmente ou felizmente, nem sei bem, desde que entrei neste mundo essa minha particularidade desapareceu, virei o centro das atenções onde quer que vá e isso faz-me uma confusão tremenda…
- Arti, mas tens de te habituar, além dessa personalidade forte que faz inveja a muita gente, pois és uma pessoa que não desiste facilmente das coisas e enfrenta tudo e todos com a mesma garra e força, não te podes esquecer que tens uma beleza única e singular, o que suscita ainda mais a inveja das raparigas e mulheres deste mundo…
- Nataniel não exageres, por favor… como costumo dizer, eu sou como sou e se gostarem de mim será por isso mesmo, não por fingir ser algo que não corresponde à realidade.
Até à noite nem mais um sinal da Morticia, mas eu sentia que ela voltaria quando menos esperávamos… sento-me no chão a olhar o céu e as estrelas… Nataniel vem ter comigo, senta-se ao meu lado de olhar fixo em mim… olho para ele e faço um sorriso doce e tranquilo.

Posted by Fairy at 06:29 PM | Encantamentos (5)

23 de Fevereiro, 2004

A prisão de Artemisa

O dia apresenta-se chuvoso, um cheiro estranho paira no ar… Eu reconheço-o, mas não digo nada a ninguém para não alarmar… Chamo o Nataniel à parte:
- Nataniel, temos que acabar de repor as protecções, não podemos esperar nem mais um segundo!
- Mas que se passa? – Pergunta-me ele preocupado.
- Explico-te no caminho… Agora preciso que vás avisar o Dunaz para partirmos rapidamente!
Dunaz vem atrás de Nataniel a tentar demover-nos de abalarmos com o dia terrível que se fazia sentir… Mas tal não era possível, uma vez que eu sentia a presença da Morticia e o Nataniel pressentia que algo de muito grave e importante se estava a passar, para eu me predispor a passar um dia como aquele na rua…
Enquanto nos dirigíamos para retomar o que nos faltava, Nataniel pergunta ansioso:
- Arti, que se passa? Fala comigo… Porquê tanta pressa?... Acalma-te por favor!
- A Morticia anda por aqui, eu sinto a sua presença e sei que o ataque que ela prepara vai ser devastador… Acredita em mim Nataniel… Acredita!
Assim que prenuncio estas palavras, somos rodeados por um grupo de fadas negras… Sinto um arrepio nas minhas costas, levanto os olhos e deparo-me com o olhar gélido e quase imortal da Morticia…
- Com que então um ataque devastador?! Olha… Olha… A menina sabichona a falar do que não sabe! - Diz Morticia com ironia e desprezo.
Nataniel tenta chegar perto de mim para me proteger, mas isso levou a que o segurassem…
- E tu pirralho, está mas é quieto que aquilo que queríamos já não vamos perder, pois está totalmente rodeada… Prendam-na e podem libertá-lo... Ele já não nos faz mal.
Elevo-me no ar, de livre e espontânea vontade, abro os braços… De cabeça erguida olho nos olhos da Morticia e digo:
- Podem levar-me…
Nataniel fica furioso por eu não oferecer qualquer resistência, olho para ele, faço um sorriso triste e melancólico, suspiro resignada. Enquanto me levam vou cantarolando e chorando ao mesmo tempo… Sobrevoamos o Reino Glorious, um aperto enorme invade-me o coração...
Reparo que a Morticia deixa cair a sua pulseira, mas não digo nada… Esta cai no chão e toma a forma de um A, uma lágrima rola-me pela face e acaba por cair em cima de uma rosa… Entretanto soletro:
E S P E R A N Ç A

Posted by Fairy at 12:34 AM | Encantamentos (3)

24 de Fevereiro, 2004

Chegada ao reino Obscurus

Assim que chegamos ao reino Obscurus, a Morticia olha-me com ar de superioridade e desafio:
- Desta não te escapas minha menina… Acredita no que te digo!
- Nem sempre podemos ganhar, não é D. Morticia?! Mas não se esqueça de uma coisa: cantar de galo nem sempre dá resultado, não queira colocar o carro à frente dos bois e não se esqueça de que quem ri por último é quem ri melhor! – Digo retribuindo o tom de desafio e lançando um olhar fulminante aos que me rodeiam.
Todos ficam espantados com a minha ousadia, nem a própria Morticia consegue responder, saindo-lhe apenas:
- Seus idiotas, levem-na daqui… JÁ! – diz verdadeiramente perturbada.
Os guardas colocam-me numa torre isoladado do resto do aldeamento, o estranho da torre é esta ser grande e possuir uma janela enorme.
Tiro o fio do meu pescoço, um fio que a Feather me tinha oferecido quando eu me tornei fada e entrei para o reino Glorious… Sento-me no parapeito da janela e começo a fazer festas no fio, ao mesmo tempo soluço incontrolavelmente desejando a ajuda de alguém rapidamente.
Entretanto no Reino Glorious, o Nataniel galopa ferozmente no seu unicórnio… Assim que chega junto da casa de Feather, grita desesperado:
- Feather, desculpa, desculpa, desculpa… Falhei, por favor desculpa-me, eu falhei… Não consegui proteger a Artemisa das mãos da Morticia…
- Mas Nataniel, calma… Que se passa? Fala com calma! – Pede a Feather tentando acalma-lo.
- A Morticia apareceu, rodeou-nos, prendeu-me a mim, depois levou a Artemisa com ela…
- Para onde é que eles foram? Sabes?
- Acho que para o Reino Obscurus, mas não tenho a certeza… Desculpa-me, por favor, sinto-me um fraco, um inútil… Não valho a confiança que me depositaste…
- PÁRA Nataniel, estares assim não adianta de nada… Vamos é à procura da Artemisa, além do mais tu fizeste o que podia! Aléxis, chega aqui imediatamente!
- Que se passa? – Pergunta ele atordoado.
- Reúne todos os nossos apoios, a Morticia acabou de nos declarar guerra ao prender a Artemisa! Não podemos perder mais tempo…
- NÃO… A Arti não, por favor ela não… - diz Aléxis totalmente desesperado.
- Tivesses pensado nisso antes de te envolveres com a Yazmina, agora pode ser tarde de mais!
Nesse preciso momento, o fio que a Feather transportava ficou negro e ela sentiu uma dor muito forte no peito:
- Ela está no reino Obscurus, é para lá que nos dirigimos.
Abraço os meus joelhos, olho para a lua e mais uma vez começo a chorar… Imploro na minha mente por uma ajuda, um sinal rapidamente… Preciso de um alento, de uma esperança para seguir em frente...

A prisão de Artemisa

Posted by Fairy at 12:39 AM | Encantamentos (5)

25 de Fevereiro, 2004

A pulseira

Josh, Feather e Aléxis encabeçam o imenso grupo que começa a aflitiva busca…
Antes de partirem, já tinham decidido fazer uma espécie de cerco ao reino Obscurus, embora não tivessem certeza que eu lá me encontrava.
Sam e Jim situavam-se no meio do grupo, ladeados por Cibele e Kirios. A pobre fadinha mostrava-se inconsolável, sendo o seu maior ponto de apoio o irmão, Jim, que tentava acalmá-la e transmitir-lhe toda a força que podia, mas pouco conseguia fazer uma vez que ele próprio se encontrava muito transtornado.
Todo o grupo caminhava em silêncio, um silêncio cortante… Todos tinham a sensação que até os pássaros se calavam ao “ver aproximar o cortejo”, a floresta encontrava-se mergulhada numa enorme tristeza e aflição… Todas as fadas e duendes apresentavam feições austeras, carregadas de mágoa, de um sentimento de inutilidade, culpa e fracasso…
Mas… O silêncio é cortado por um grito da Sam:
- Parem… PAREM! Não dêem mais um passo…
Os unicórnios “relincham”, os pássaros assustam-se, as fadas ficam estupefactas e perplexas…
Feather, Josh e Aléxis correm até ao local onde Sam formou um círculo e afastou toda a gente:
- Que se passa Sam? – pergunta Aléxis
- Tio, é a pulseira da tia Morticia – diz Samantha indicando a pulseira caída no chão – e tem a forma de um A… de um A de ARTEMISA.
- Boa Sam, é isso mesmo… Atenção a todos, precisamos estar bem atentos a tudo o que nos rodeia, todas as pistas podem ser importantes… - Diz Feather – Obrigado querida, foste uma ajuda preciosa… Dunaz, podes recolher a pulseira e verificares se é mesmo a da Morticia se fizeres favor?!
Um suspiro de alívio e esperança percorrer o grupo… A força volta a crescer na alma das cerca de dez mil fadas e duendes que o formam…
Os pássaros começam um chilrear suave…

Posted by Fairy at 11:36 PM | Encantamentos (7)
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