O grupo chega às proximidades do Reino Obscurus, começam a separar-se de forma a fazer um cerco total e não deixar nada descoberto… os pontos de ligação seriam as criaturas mágicas que muitas fadas tinham, tais como borboletas, dragões, águias, falcões, entre outros.
Todos se mostravam ansiosos e também um pouco apreensivos… A primeira coisa a fazer era ter a certeza que me encontrava no Reino Obscurus, mas para isso necessitavam que alguém se infiltrasse, o que constituía uma missão muito arriscada e bastante complexa, que todos temiam cumpri-la.
Até para a maioria das criaturas mágicas se tornava difícil, uma vez que nunca conseguiriam tomar a forma de humanos nem de fadas reais, era um processo complexo… Assim a Ceres, a Éris e a Métis mostravam ser as únicas perfeitas para a missão.
De todos os reinos vieram fadas para ajudar ao processo de transfiguração, nada podia falhar, elas seriam o elemento de ligação entre o alvo propriamente dito e a frente de batalha, que se encontrava protegida pelos reinos fronteiriços…
Ceres é subitamente cercada por esferas de luz, e enquanto o seu tamanho aumenta de uma forma galopante, nascem-lhe umas asas imensas, celestiais e inexplicavelmente belas nas costas. Em poucos instantes, transforma-se numa das mais belas fadas existentes em todos os reinos…
Éris encontra-se pousada tranquilamente numa flor, Sam deita-lhe algumas gotas da sua loção e como uma flor rebenta por debaixo da neve, com uma graciosidade esplendorosa e uma beleza inigualável, assim ela surge, um ser divino, a mais bela de todas as humanas, extremamente delicada e graciosa…
Por fim Métis torna-se na mais bela de todas as transformações, as cerca de duzentas fadas conseguem a perfeição de um rapaz muito parecido à Éris, diguemos que era o típico rapaz de sonho de qualquer rapariga humana…
Feather explica-lhes calmamente a missão que têm a cumprir, tentarão à vez transmitir informações à frente de batalha, para que seja mais fácil a aproximação e o ataque ao Reino Obscurus, mas o fundamental neste momento era a infiltração no Reino da Morticia...
Elas avançam tranquilamente, contrastando com a ânsia e o receio existente em todo o grupo.
Wheather provoca uma mudança radical no tempo, como “desculpa” para que Ceres, Éris e Métis pudessem pedir abrigo à Morticia sem que ela desconfiasse, proximam-se do portão principal do reino e aguardam autorização para entrar… As portas abrem-se, elas olham para trás uma última vez, baixam o rosto e finalmente tomam consciência da missão que têm em “mãos”…

Sentada na janela, da minha torre solitária, vejo entrar três figuras que nada tinham a ver com o género de fadas que habitam o Reino Obscurus, à medida que elas avançam ao encontro do grupo chefiado pela Morticia, consigo desvendar no rosto de cada uma algo de muito especial, algo que me leva a sentir uma proximidade e uma distância enorme tudo ao mesmo tempo… toda esta confusão de sentimentos me perturba, me deixa angustiada, triste, desesperada…
Sinto os seus olhares pousados em mim, algo me transmite força mas ao mesmo tempo sinto-me aterrorizada, pareço um bebé com medo do monstro papão… sinto-me totalmente perdida, rezo por ajuda o mais rapidamente possível, mas a tempestade que se abate sobre o Reino deita todas as minhas esperanças “por água abaixo”.
Todos correm a abrigar-se excepto o rapaz humano… ele dirige-se à minha torre e ficamos a olhar-nos nos olhos… embora não o faça sonoramente ele fala comigo, oiço a sua voz na minha mente “Sou eu, a Métis… tem calma, viemos para te ajudar… o reino está todo cercado, ninguém te pode fazer mal connosco aqui!”
Nesse preciso momento chegam dois guardas, viram-se para Métis e dizem:
- Anda daí rapaz, não te queiras “envolver” com esse lixo, ela não vale nada… Sempre disseram que era tão forte, mas acabou por revelar-se totalmente diferente do que diziam… é igual ou pior a todas as outras… não percas mais tempo aqui…
E assim se afastam lentamente sem nunca olharem para trás….
Anoitece, a tristeza dentro de mim é cada vez maior… Todo o isolamento a que estou submetida começa a dar comigo em maluca…
As saudades corroem-me a cada minuto que passa… já quase não preciso de fechar os olhos para me recordar com precisão da cascata e dos bons momentos que passei nela… o primeiro encontro com Aléxis e o seu sorriso maravilhoso… recordo-me das brincadeiras com a Sam e o Jim… As longas conversas ao luar com a Feather…
Adormeço, mais uma noite com as lágrimas a escorregarem pela face, mas fiquei com uma sensação estranha, julguei ter visto a Ceres a voar para o lado de lá do muro… mas não podia ser, os guardas dariam pela sua presença… adormeço completamente exausta.
Quando amanhece, sinto um cheiro intenso a flores, coisa que é raro por estes lados, além disso está um sol lindo, brilha em todo o seu esplendor… o céu azul transmite uma sensação de liberdade e infinito inexplicável…
Assim que me arranjo oiço passos nas escadas da torre, não é só uma pessoa, mas sim várias, entram de rompante… Morticia dirige-se a mim:
- Então Ceres, não consegue reconhecer esta fada?! Ela é uma das vossas - as três estremecem, pensando que tinham sido descobertas – é uma daquelas humanas a quem os meus irmãos concederam o dom de fada… vejam só a estupidez…
Olho incrédula para o grupo que se encontra à minha frente… não sei o que pensar nem como reagir.
- Morticia, permite-me falar com ela antes de abalarmos? – Pergunta Ceres
- Oh sim, claro, esteja à vontade… - Afirma Morticia.
- Métis… Éris… vão arranjar as vossas coisas, vão preparando os cavalos que eu não demoro… Morticia, se assim preferir, pode deixar um guarda connosco, não demorarei muito.
- Não é necessário Ceres, eles irão tratar das protecções, onde conseguiu detectar imperfeições.
O grupo sai silenciosamente da torre, eu e Ceres visualizamo-los a desaparecer nos seus afazeres… quando me volto para falar com ela já não a vejo, dou uma volta sobre mim mesma e só quando me coloco de costas para a janela e visualizo a minha sombra no chão, me apercebo que tenho uma borboleta no ombro…
- Calma Arti, assim é mais fácil falarmos…
- Vocês são doidas, como é que se arriscam desta forma?
- Calma… o reino está totalmente cercado… ontem dirigi-me até à frente de batalha para dar todas as indicações possíveis para que te consigamos tirar daqui… já falta pouco, está tudo planeado… Por favor não deites tudo a perder agora, aguarda só mais um pouco!
Suspiro desalentada, sento-me no chão e aprecio a Ceres a transformar-se de novo em fada, baixo o rosto e vejo-a partir, sento-me na janela…
Éris e Métis já estão prontas, as três partem e a minha ansiedade aumenta assim como várias questões surgem na minha mente: “Será que serei mesmo salva? Quanto tempo mais terei de esperar? ...”
O dia amanhece sombrio, eu sinto-me ansiosa pois espero que o castelo seja atacado a qualquer momento.
O silêncio em que a manhã estava mergulhada é interrompido pelo som de sinos arrebate, inicia-se uma grande algazarra…
- Despachem-se, eles estão a rodear o castelo a uma velocidade assustadora.
- Mas que é que vamos fazer? Não temos nada preparado… nada planeado!
- Rápido, desactivem as protecções da torre prisão, temos de arranjar uma forma de a levar daqui o mais rápido possível.
Assim que as protecções são desactivadas sinto uma energia renovada, uma alma nova… sem mais demoras subo para a janela e atiro-me dela sem dar tempo a que me segurem… todos ficam paralisados e aterrorizados ao pensarem que vou cair desamparada no chão, mas quando menos esperam faço um voo rasante ás suas cabeças…
Paraliso diante da Morticia e olhando-a nos olhos afirmo:
- A guerra começou… prepara-te para sofrer!
Sem perder mais tempo elevo-me no ar num voo em parafuso e saio do perímetro do castelo, segundos antes de as protecções de emergência serem activadas.
De repente todo o nevoeiro, angustiante, se dissipa… vejo a frente de batalha, dou uma volta de 360º e verifico que está tudo cercado, voo o mais rapidamente possível.
Encontro-me a poucos metros deles e, do nada, surgem à minha volta corvos, falcões e águias que me atacam violentamente… elevo-me no ar e eles continuam a perseguir-me, faço um voo a pique, mas eles acompanham-me ferozmente.
Paro!
As criaturas mágicas mal conseguem controlar o voo e dirigem-se de novo a mim, ainda mais “furiosos”… mas antes de ser rodeada de novo abro os braços, fecho os olhos e inicio um bailado calmo, eles param e começam a piar, um piar incessante… ao mesmo tempo oiço um galopar veloz de um unicórnio, olho para baixo e vejo Aléxis… ele olha-me estupefacto:
- Arti?! ARTI? ARTIIIIIII – sorri completamente deliciado – rápido avisem a frente de batalha, agora que a Artemisa voltou tudo se torna mais fácil… sobe para aqui que eu levo-te para poderes descansar.
Dirigimo-nos o mais depressa possível, assim que chegamos junto da Feather ela faz um sorriso acolhedor:
- Sê bem vinda de novo!
- Obrigado Feather, por favor dêem-me fruta, água da cascata e algum chocolate para retomar energias… depois irei ter convosco – afirmo.
- Nem penses Arti, tu ficas aqui, podes ficar na minha árvore a descansar… estarão lá muitas fadas pare te protegerem – diz-me Feather.
- Não! Eu vou convosco e não me vão demover de tal… agora continuo um pouco à retaguarda, mas assim que acabar de comer irei retomar a frente de batalha… não vão muito depressa, pois existem emboscadas a meio do caminho… podem avançar, já vos apanho.
O grupo avança e deixo-o passar a minha frente… acabo de comer e galopo incessantemente, olho para o meu lado direito e vejo um dragão azul, Lindo.
Chego ao lado da Cibele e de Nataniel, o pequeno Fyldo voa um pouco mais a frente, nisto ouve-se um piar angustiante, levanto os olhos e vejo um dos nosso falcões numa dura batalha com uma fada negra… incito a Killiane a cavalgar mais depressa, enquanto ela galopa, coloco-me de pé no seu dorso e sem a fada negra se aperceber salto-lhe para as costas, imobilizando-a.
- Cibele leva esse falcão rápido, ele está muito ferido. Agora tu, minha menina, vamos lá a ver quem manda!
Olho para o chão e visualizo Nataniel e Kirios à minha espera, mas ainda antes de conseguir pousar, a fada negra foge-me... sem ela esperar prendo-lhe os pés com os meus e belisco-lhe as pernas, o que a faz parar. Imobilizo-a de novo e entrego-a a Kirios.
- Leva-a daqui, rapidamente e sem grande alvoroço – digo-lhe.
- Desculpa-me Arti, não tive maneira de te defender – sussurra Nataniel cabisbaixo.
Coloco os dedos sobre os lábios dele e afirmo:
- Shhhh… já passou, estou bem não estou? Ergue a cabeça, pois temos muito para fazer… Principalmente a Morticia para vencer!

Durante toda a aproximação, Morticia mandou várias fadas negras atacar a nossa frente de batalha… Contornados estes contratempos, o castelo Obscurus encontra-se totalmente rodeado, além dos que se encontram actualmente a combater, possuímos, ainda, aliados suficientes para constituir mais três frentes de ataque.
Morticia aparece numa das torres do castelo, eu avisto-a… Peço a Nataniel e a Kirios que me acompanhem, ladeada por eles, aproximo-me tranquilamente chegando a tempo de a ouvir dizer:
- AIIIIII… Onde é que aquela pingente detestável está?
- Estou aqui, que queres de mim? – Pergunto de forma rude e desprezível
- Queria avisar-vos de que não adianta de nada este cerco, tenho o castelo totalmente protegido, só vocês iram sofrer com esta atitude patética.
Nesse preciso momento várias fadas conseguem desactivar as protecções do castelo, os pontos fracos que foram mecanicamente estudados para que a Ceres conseguisse que a Morticia, ingenuamente, facilitasse a nossa entrada.
- Só nós iremos sofrer? Hummm… então iremos testar… Segundo a tua teoria, com as tuas super protecções nada que esteja fora do castelo conseguirá entrar aí. cert?
- Correctíssimo - responde-me Morticia com tom de superioridade.
Desço da Killiane, agarro em várias pinhas que se encontram no chão, elevo-me no ar, olho em direcção da Feather e ela faz-me um sinal de confirmação. Toda a atenção quer do Reino Obscurus quer da frente de batalha está centrada em mim e no meu diálogo com a Morticia.
Toda os aliados se aproxima, dou uma volta de 360º sobre mim mesma e todas as fadas se elevam no ar… Olho a Morticia bem no fundo do seu olhar, ela faz um sorriso irónico. Lanço a primeira pinha, mas esta não consegue perfurar as protecções. Lanço a segunda e nota-se que já não existe tanta resistência, mas esta continua a não conseguir perfurar as protecções.
Nataniel olha-me com respeito, olho para ele… este estende-me a última pinha, respiro fundo e olho em meu redor, todas as fadas me fazem um gesto de concordância… observo Aléxis mas ele mal repara em mim… olho profundamente nos olhos de Nataniel, elevo o rosto e ao mesmo tempo elevo-me no ar, afasto-me lentamente… um murmúrio percorre a frente de batalha, Morticia solta uma das suas gargalhadas irritantes, volto-me para trás e inicio um voo vertiginoso… atiro a pinha, esta perfura as protecções sem qualquer dificuldade e acerta em cheio na cabeça da Morticia… Por de trás dos guardas reais surgem fadas que os atacam incessantemente… A Morticia inicia uma fuga mas eu, Nataniel, Aléxis, Kirios, Cibele, Josh e Feather perseguimo-la cercando-a.
Morticia fervilha de raiva, uma raiva tal que de um momento para o outro se transforma num monstro horrível, uma espécie de cobra com duas cabeças… todos começamos a ataca-la, mas torna-se praticamente impossível.
Nataniel, Kirios e Aléxis elevam-se no ar fazendo um triângulo, invisível, entre si. Projectam-se a toda a velocidade na direcção do monstro. Ao mesmo tempo, Feather, Josh e Cibele iniciam um circulo… um círculo que gira a toda a velocidade, eu, elevo-me bastante no ar… quando me apercebo do evidente descontrolo da Morticia agarro numa parte de um pinheiro caído no chão… empunho-o com a parte pontiaguda para a Morticia… desço vertiginosamente e atiro o pinheiro…. Assim que lhe acerto o monstro ruge, sem saber porquê arranco o colar que trago ao pescoço e faço-a engoli-lo.
Todos nos imobilizamos, um silêncio ensurdecedor abraça a floresta… Morticia imobiliza-se, ouvimos o seu rugir a perder a força… a sua cor negra passa a esverdeada, os olhos esbugalham-se, a língua parece querer separar-se do resto do corpo no meio de um último zurro estridente e ensurdecedor, o monstro cai desamparado no chão.
Quando julgamos estar tudo calmo, o inimaginável acontece… Raios de uma luz enegrecida saem do corpo da Morticia… o monstro começa a “desfazer-se” e ouve-se um grito irritante:
- AHHHHHH – Grita Yazmina – que é que vocês fizeram?
Com o susto, Aléxis e Nataniel, são atingidos e gravemente feridos pelos raios de luz... ambos sangram bastante... transporta-mo-los o mais rapidamente possível para o aldeamento...

Eu, Cibele, Josh e Feather olhamos incrédulos para Yazmina, ao mesmo tempo chegam ajudas para socorrerem Nataniel e Aléxis.
Dirijo-me a Yazmina que se encontra ajoelhada ao lado da Morticia, a velar a sua morte… agarro-lhe no braço, completamente desconcertada, e olho-a furiosa:
- Mas que raio pensas tu que estás a fazer? Afinal estás do lado de quem?
- Tu mataste a minha H E R O Í N A e eu não te perdoarei! Podes escrever o que te digo, sua inútil, desprezível… agora sai da minha frente.
Kirios e Josh ao ouvirem a conversa correm e seguram-na, chamam dois guardas que a levam dali… ajoelho-me no chão, completamente exausta e sem forças começo a chorar. Cibele e Feather ajudam-me a levantar e a montar a Killiane… Dirigimo-nos lentamente para o Reino Glorious.
Assim que chegamos, Sam e Jim, correm para nós… Feather leva-me para o quarto e deito-me, olho-a com uma ténue tristeza e já sem forças acabo por adormecer.
No dia seguinte acordo extremamente relaxada e um pouquinho mais tranquila, mas com uma dor incessante dentro de mim… Arranjo-me e dirijo-me à cozinha, ao entrar todos me observam tentando perceber o meu estado de espírito… Sam e Jim levantam-se e vêm abraçar-me sem dizer uma só palavra… estremeço e começo a chorar.
Depois de tudo arrumado peço para que me acompanhem até à cascata, mas antes passamos pela casa do Duende que se encontra no nosso reino. Numa árvore grande, velha e oca, localiza-se uma espécie de enfermaria para fadas, Nataniel ainda se encontra bastante mal, já Aléxis começa a recuperar bastante bem… segura-me na mão e aperta-a com meiguice, olho-o tristemente e deixo cair algumas lágrimas.
Chegados à cascata, sentamo-nos no chão:
- Durante esta noite tomei uma decisão – todos me observam expectantes – vou voltar ao mundo humano, preciso matar saudades da minha família e dos meus amigos… preciso acalmar esta dor que vai dentro de mim e preciso de descansar verdadeiramente…
Sam e Jim abraçam-se e começam a chorar, Cibele e Kirios levantam-se e agarram-se a mim, Feather e Josh encontram-se apáticos:
- Percebemos claramente o que estás a sentir. Sabes que as portas do Reino estão abertas para o teu regresso e ninguém conseguirá impedir a tua vinda.
Despeço-me de todos tristemente, monto a Killiane e parto tranquilamente… chegadas ao final da floresta mágica e antes de partirmos para a minha casa a transformação acontece: Ceres, Éris e Métis envolvem-nos e eu passo a ser uma simples mortal e a Killiane uma égua comum.
Chego a casam... os cães ladram à nossa presença, o meu pai vem ver o que se passa, a minha irmã fica incrédula e super feliz ao mesmo tempo, a minha mãe sem reacção… todos me abraçam e fazem voltar aquele sorriso único e singular… o meu brilho ressurge… suspiro e entro tranquilamente em casa.

Os dias passam suavemente… a tranquilidade volta a apoderar-se aos poucos de mim, como é fim-de-semana poucos sabem que me encontro em casa.
Estes dois dias passo-os a descansar: a dormir muito, a dar longos passeios pelo campo, na maioria das vezes acompanhada pela Killiane e pela minha irmã, a nadar, a ler… tudo muito calmo para seguir recuperar energias.
A segunda-feira aproxima-se, o regresso a casa propriamente dito acontece, vamos na estrada… depois de uma pequena lomba e seguida de uma longa curva a pequena cidade de Portalegre começa a desenhar-se no horizonte, mergulhada no sol poente que ainda a torna mais bela. Fecho os olhos na tentativa de conseguir memorizar, melhor, aquela imagem simplesmente única.
Percorremos as ruas da cidade, entramos em casa… o seu cheiro característico inunda-me a alma e rejuvenesce-me o espírito, subo as escadas, entro no meu quarto… encontra-se praticamente tudo como deixei.
Ligo o computador, ligo-me a Internet… abro os dois programas onde costumo teclar com os meus amigos… de repente uma torrente de janelas abrem-se e tudo chama por mim, mal tenho mãos a medir… num momento mais tranquilo abro as caixas de do e-mail… fico extremamente surpresa ao ver que não cabe nem mais um mail em nenhuma delas…muitos deles são do género que se reencaminham, só alguns é que se notam que andaram à minha procura.
É meia-noite, desligo o computador, passo à nova fase de reinserção no mundo humano, tiro o telemóvel da mala, ligo-o e coloco-o no silêncio… adormeço com uma lágrima marota que teima em saltar do meu olho.
Sete horas da manhã… a aparelhagem começa a tocar, o desejo é dormir mais, mais e mais… mas tenho perfeita consciência que tenho de voltar às aulas, assim arranjo-me e abalo… percorro quase toda a cidade a pé até ao liceu, poucos são os que sabem do meu regresso, daí não poder estranhar as caras espantadas que fazem…
A manha decorre sem grandes perturbações, mas é extremamente cansativa, uma vez que tenho montes de matéria para recuperar. Depois das aulas e do almoço vou trabalhar, finalmente chegam as 18h… chego a casa, deito tudo para cima da cama, incluindo eu… a janela encontra-se aberta pois os dias primaveris que chegaram trazem um calorzinho bom que ajuda a aquecer o meu quarto… olho lá para fora, distraidamente, a tentar relaxar, e vindas do nada, avisto quatro borboletas, elas aproximam-se da minha janela efectuando um voo calmo que me deixa com um sorriso tranquilo e um pouco tímido nos lábios.
Assim que se aproximam mais consigo identifica-las claramente: Ceres – a minha bela borboleta doirada que me faz lembrar o sol; Métis - a pequena borboleta azul que mal se distingue do céu; Éris - a minha linda borboleta vermelha que me faz lembrar uma rosa…. Mas… mas não consigo reconhecer a quarta! Quem é ela? O que é as traz por aqui?!
Mil perguntas me invadem a mente e alguma ansiedade e preocupação se apodera de mim… fico receosa!