Assim que acabo de ler a carta, Aléxis aparece e senta-se ao meu lado. Desvia-me o cabelo do rosto a olha na profundeza do meu olhar.
- Estás bem querida?
- Sim... estou. Um pouco mais tranquila. De qualquer maneira não havia nada a fazer. – Sorrio.
Começamos a caminhar, pelo campo, enquanto vamos conversando. Falamos do meu tempo no mundo humano, de como passei os dias, dos meus amigos, da minha família e de tudo o que eles tinham feito para apaziguar a minha tristeza.
Ele conta-me como foram os seus dias de convalescença, os dias após a morte de Nataniel, a tripla recuperação de todo o reino: a batalha com a Morticia e a morte da mesma, a morte de Nataniel e a minha partida. Tudo isto fez abater, sobre o reino, uma tristeza muito grande e algum sentimento de insegurança.
Está um pôr-do-sol esplendoroso, penso para comigo:
- Cá estou, de volta, ao mundo das fadas, onde me reencontro na perfeição, onde alguns me adoram e outros me odeiam e me criticam como se aqui não fizesse falta. Mas mesmo assim não conseguem fazer-me sentir como um elemento fora do contexto.
Olho para Aléxis com ar traquinas e apanhando-o de surpresa faço-lhe cócegas, ele começa a correr atrás de mim,começo a fujir a rir às gargalhadas. Chegamos ao perímetro da cascata… fico estática ao ver a mudança radical que ali se deu.
Em todas as árvores encontram-se vários pirilampos que iluminam aquele espaço. A cascata está cheia de pequenos malmequeres. Deparo-me com uma mesa grandiosa cheia de comida, várias tulipas em forma de cadeira, fetos em forma de sofá.
As crianças brincam e correm de um lado para o outro, os adultos conversam animadamente. Aléxis chega por de trás de mim, abraça-me e a sorrir diz:
- Gostas?
- Mas que raio! Vocês são tolos! Não era preciso. – digo eu a sorrir mas de um certo modo um pouco surpreendida.
Aléxis pega-me ao colo, começo a espernear e a implorar para que ele me coloque no chão. Todos sorriem e as crianças começam num gozo tremendo comigo.
Comemos, brincamos, rimos, cantamos, corremos… E quando menos espero atiram-me para dentro de água. Venho à superfície e olho para Kirios e Hélios a rirem-se descontroladamente, ao perceber que foram eles os dois, saio num voo único e singular, como se de um anjo me tratasse. Agarro na mão de Aléxis e os dois empurramo-los, vêm ao de cimo meio atordoados… elevam-se no ar. Todos pensam que nos vão atirar de novo, mas ao olha-los na profundeza do seu ser, mergulho num voo a pique e empurro Cibele sem qualquer cerimónia, Kirios segue-me sem demora e empurra Josh, Aléxis a Feather e Hélios agarra em Sam e Jim, um em cada braço e… lá vão eles.
Paro suspensa no ar, viro-me para a orla da floresta. Pressinto alguém a aproximar-se. Olho para o chão e observo as sombras a submergirem da escuridão. Todos os outros de apercebem: Aléxis, Hélios, Kirios e Cibele levantam voo e vêm ladear-me. Poisamos silenciosamente aguardando que o grupo surja.
Sinto grande ansiedade e mistério no ar, estamos todos tensos e alerta…
- Mas que raio?! Ainda não repararam as protecções do reino? – olho fixamente no rosto de cada um, o seu silencio de consentimento faz desaparecer o meu sorriso e o meu brilho… olho fixamente as sombras e elevo-me no ar.

Encontramo-nos, todos, um pouco apreensivos. Quem se atreveria a interromper o nosso tempo de descanso? Aléxis avança na tentativa de perceber de quem se tratava, mas eu coloco-me à sua frente:
- Não! Nenhum de nós sai daqui! Quem quer que seja que saia da escuridão…
- Quem está ai? – Pergunta Hélios já irritado.
Das sombras surgem uma espécie de exército: gnomos, duendes, unicórnios lindíssimos, fadas… todo um imenso conjunto de figuras de uma presença de espírito inigualável. Pouso mais tranquila no chão, uma vez que nenhuma daquelas figuras me transmite qualquer tipo de insegurança.
Olho em meu redor e reparo que todos se encontram muito mais descontraídos. Feather e Josh já tinham ajudado a Sam e o Jim a sair da água. Ambos se encaminhavam para junto de nós com a finalidade de cumprimentar os recém-chegados. Continuo atónita sem conseguir perceber o que realmente se passa.
Monto a Killiane e parto tranquilamente para casa, mas sou seguida por toda a comitiva o que me deixa extremamente confusa. Paro a Killiane e sou ladeada por grande parte do grupo. Feather aproxima-se e diz-me:
- Vamos para casa, lá explicamos-te tudo.
Sou engolida por todas aquelas figuras indescritíveis. Embora sejam estranhas emanam uma aura que transmite segurança e harmonia, como se fossem abençoados por uma força divina. Sinto-me bem no meio deles, mas ao mesmo tempo um pouco apreensiva.
Dranhly, um dos duendes, aproxima-se de mim e diz:
- Calma pequena, temos apenas um convite para te fazer.
Fico surpresa mas mais tranquila, encaminhamo-nos para casa, sentamo-nos na sala mais confortável de todas. Feather olha para mim:
- Querida Arti, já há algum tempo que andávamos a pensar nisto, mas com todos os acontecimentos tivemos de adiar, esta nossa decisão. Todas estas pessoas que aqui vês são representantes de vários reinos, nossos aliados. Como fada recente e com todos os teus poderes que possuis, decidimos, em consílio, que deverias possuir mais conhecimentos sobre este mundo teu desconhecido.
- Achámos que seria benéfico para ti, visitares cada um dos nossos reinos e aprenderes um pouco da nossa forma de viver, dos nossos costumes – diz-me Dranhly – Assim, além de conheceres tudo o que envolve uma vida de fada, também te podes preparar melhor para os eventuais ataques do mundo negro.
- Que nos dizes a isto? – Pergunta Josh
- Confesso que estou um tanto ao quanto atónita, nem sei bem o que pensar. Mas concordo que me faria bem conhecer melhor este mundo, de forma a que possa corresponder melhor as expectativas depositadas em mim. Tenho andado um pouco ausente, mas tudo se deveu aos recentes acontecimentos, tenho muita coisa para por em ordem na minha mente.
- Nós percebemos tudo isso, por isso achamos, agora mais que nunca, que esta viagem te irá fazer bem. – Diz-me com ar tristonho Aléxis.
Respiro profundamente e deixo o meu olhar preso nos olhos de Aléxis.
Fecho os olhos e suspiro:
- Sim, aceito a vossa proposta, mas antes necessito saber em que consiste essa viagem e quais são os objectivos da mesma.
- Nós compreendemos a tua surpresa e confusão e isso é mais que natural – Diz-me Feather docemente – Mas podemos tratar disso amanhã. Já é bastante tarde, encontramo-nos todos cansados e principalmente vocês, que tanto caminho percorreram até cá.
Já deitada na minha cama, penso em tudo o que me rodeia e tomo consciência de que só sairei a ganhar com a minha partida.
Amanhece, encontro-me sentada no ramo da árvore mais próxima e observo, deliciada, toda a floresta a acordar: os seus movimentos, os sons, os seus cheiros tão característicos. Tento ao máximo reter tudo isto na minha memória.
Após o pequeno-almoço reunimo-nos no jardim, atrás da grande árvore e delineamos os aspectos fundamentais da viagem.
- Achamos, que o melhor, será começares por conhecer tudo o que diz respeito às fadas: as suas histórias e as suas tradições. Só depois te debruçares sobre as restantes figuras mágicas.
Faço um sorriso de concordância e todos nos dirigimos para dentro, com a finalidade de prepararmos o que segue conosco. Mas uma dúvida paira sobre mim: quem do reino Glorious irá comigo? Vou ao encontro da Feather:
- Madrinha? Quem do Reino vai comigo?
- Hummm.. boa pergunta. Quem gostarias que fosse?
- Qualquer uma.
- Vou mandar-te o Hélios, uma vez que posso vir a precisar do Aléxis, da Cibele e do Kirios por aqui.
- Está bem! – concordo meio entristecida e desloco-me até ao meu quarto.

Estamos todos preparados para partir. Abraço um a um, enquanto as lágrimas vão rolando pela minha face. Abraço Aléxis com força, deliciando-me com as suas suaves festas no meu rosto e cabelo e com o seu sussurrar tranquilizante de palavras doces e de incentivo.
- Calma querida, a Ceres fica cá, se for necessário alguma coisa ela avisa-te. – Diz-me Aléxis transbordando de calma.
Respiro fundo, monto a Killiane, olho em meu redor e todos me lançam sorrisos apaziguadores e reconfortantes. Sem uma única palavra, todos me transmitem uma sensação de segurança e protecção.
Drunhly (um duende), Doris (uma fada), Onan (um gnomo), Husai (um elfo), Pirro (um pirilampo), Aarón (um unicórnio), Vero (uma salamandra), Mirza (uma borboleta), Laia (a fada que representa das sereiras), Grisel (a duenda representante dos restantes elementos da natureza, ligados ao mundo mágico), todos eles me circundam, me envolvem entre eles. Unem-se não só em termos físicos, mas também em termos espirituais… formam uma cúpula invisível. Todos eles me transferem um pouco da sua protecção, do seu poder, da sua sabedoria... Proferem velhos encantamentos, todos em uníssono, profundamente concentrados, transferindo a todo este momento um simbolismo único e singular.
Abro os braços, fecho os olhos e elevo-me no ar, começo a cantarolar deixando que o meu corpo e a minha alma absorvam todo aquele encantamento, deixando-me ser absorvida por ele.
O silêncio percorre o reino, os pássaros calaram os seus cantos, o vento parece desaparecer. Suspensa no ar, inicio um bailado tranquilo e rejuvenescido, poiso tranquilamente no chão e olhando cada um dos meus protectores... Sorrio. Iniciamos a nossa viagem.
Doris e Drunhly vêm ladear-me, um pouco mais atrás segue Hélios, com Éris e Métis poisadas, tranquilamente, na crina do seu unicórnio.
- O primeiro reino em que iremos parar será o reino Némesis. – Diz-me Drunhly – é o reino da Doris, o reino supremo do mundo das fadas. Irás conhecer a fada Aine, a rainha de todas as fadas, senhora da lua e Gwynn Apnudd, o rei de todas as fadas e o senhor deste mundo.
- Terei muito gosto em fazê-lo, será uma honra para mim. Sei que se não fosse por eles, não estaria aqui, não poderia ter o prazer de vos conhecer, não teria o orgulho de pertencer a este mundo e não teria a possibilidade de conhecer as profundezas do vosso mundo. – Digo com um sorriso no rosto.
- Embora sejam os reis de todo o mundo das fadas, são criaturas muito simples e humildes e tu verás que, de facto, assim acontece. – Diz-me Doris – Creio que até nos ajudarão a dar-te a conhecer as nossas tradições, a dar-te a conhecer o lado das fadas e a desfazer a visão humana que, ainda, possuis de nós.
Ambas trocamos um olhar cúmplice e sorrimos, seguimos o nosso caminho de uma forma descontraída: a conversar, a brincar, a conhecermo-nos melhor. Hélios, aproxima-se e, com um sorriso, convido-o a juntar-se à nossa conversa. Um elo de amizade começa a unir-nos, não só a nós os quatro, mas também ao restante grupo.
Prosseguimos engolidos pelos restantes, mas nada impede de começar a surgir uma forte cumplicidade entre todos. Ao anoitecer avistamos a fronteira de Némesis.
A ansiedade e o nervosismo começam a consumir a minha alma. No ar começa a surgir um perfume, delicioso, a rosas, a flores exóticas, a eucalipto, a pinheiro, a água…
Ao entrarmos no reino, noto que este abrange um conjunto infindável de maravilhosos elementos que nos conduzem a mergulhar na profundeza do mundo das fadas. Levam-nos em busca de algo que nos complemente: que complemente a nós e à nossa existência, mas que nos transmita forças para continuar a nossa luta diária. A luta pela felicidade, pelo bem-estar e por uma realização completa.
Assim que atravessamos a fronteira os cheiros intensificam-se, o sentimento de pertença a este reino consome, o meu espírito, avassaladoramente. O meu olhar percorre tudo ao mais ínfimo pormenor: tento absorver não só os aspectos físicos, mas também todos os aspectos espirituais que irradiam de cada pedacinho de floresta que percorremos.
Ao alcançarmos a primeira clareira avistamos um conjunto de guardas, todos muitíssimo bem vestidos, com unicórnios belíssimos e uma simpatia surpreendente. Quatro deles ladeiam o nosso grupo e guiam-nos até ao palácio real.
Atravessamos várias clareiras, percorremos caminhos íngremes e tortuosos, por fim deparamo-nos com uma árvore majestosa, rodeada por variados pinheiros e eucaliptos, que formam uma espécie de muralha praticamente intransponível.
Ao chegarmos ao palácio, somos recebidos por duas fadas que nos guiam até um pequeno jardim muito perto da árvore principal. Observo, deliciada, todos os seus pormenores. Um pequeno espaço, envolto em tons vivos, que transmitem toda a magia, perfeição, sumptuosidade, simplicidade e luxúria que caracteriza o reino.
Saltam à vista pequenos pormenores, como os inúmeros canteiros de flores situados perto dos bancos. Estes deixam-me boquiaberta, são formados por galhos de sobreiros, abertos ao meio, revestidos por flores de selva de oza, que lhe conferem, não só um aspecto deslumbrante, mas também um enorme conforto.
Todos conversamos animadamente, mas de repente, um silêncio profundo abate-se sobre nós. Quando levanto o olhar de uma pequena violeta, observo os seres mais belos que alguma vez tive oportunidade visualizar.
Gwynn transmite uma força, segurança e paz interior imensa. A sua barba branca perfeitamente aparada, o manto brilhante, feito de um material exótico e aparentemente valioso, os seus olhos infinitamente negros, contrastam com um sorriso extremamente acolhedor e simpático. Já Aine emana uma aura de beleza pura e simples, um sorriso espontâneo estampado no rosto e um jeito extremamente afável. As suas roupas não são exuberantes, mas nota-se um extremo requinte misturado com simplicidade.
- Por favor, não se acanhem, sintam-se à vontade. Além do mais o momento é de reunião familiar. – Fala Gwynn com voz doce.
Sinto o coração a acelerar, os meus olhos perdem-se na profundeza do olhar de Aine e de Gwynn, sinto uma ligação imensa, algo indescritível. A vontade de me aproximar deles, de lhes tocar, de os abraçar percorre-me o corpo. Antes de dar o primeiro passo, de proferir uma única palavra, ambos se aproximam de mim.
- Anda connosco, precisamos falar. – Aine faz-me uma festa suave no rosto e pega na minha mão. Sinto-me uma menina pequena acabada de fazer algo que deixa os seus pais orgulhosos. Um pouco mais afastados do grupo, sentamo-nos num banco.
- Peço desculpa pela minha curiosidade, mas já não sou capaz de domar os meus sentimentos. Podem explicar-me porque me sinto assim?
- Querida Arti, é normal que te sintas assim. Todo o sentimento de pertença que te envolve tem uma razão muito forte de ser. – Gwynn fala calmamente enquanto me aperta a mão – O que se passa é que…
Aine acaricia-me o cabelo:
- Pequenina, o dom nato de fada que possuis não é por acaso... Chegou o momento de te revelarmos algo importante que tu não sabes. Artemisa – Sustem a respiração e as lágrimas começam a rolar suavemente pelo seu rosto - Tu és nossa filha.
Observo-os boquiaberta e sem pronunciar o que quer que seja abraço-os com força, começando a chorar com eles.
Quando olho em meu redor, todos desapareceram. Só eu, Aine e Gwynn permanecemos no jardim. Levanto-me e sento-me do chão mesmo à sua frente. Toco-lhes nas mãos e olho nos seus olhos, com um sorriso e um orgulho extremos. Basta a união que sentimos para substituir todas as palavras que possamos trocar.
- Sim, estou muito surpreendida e extremamente feliz. Nunca pensei que de uma reles humana pudesse vir a ser a princesa das fadas. Há muito pouca coisa que sei a respeito do meu mundo, mas que desejo, agora mais que nunca, conhecer e da forma mais aprofundada possível. – Digo feliz – Só tenho uma curiosidade: porque é que me entregaram aos humanos?
- Pequena – Diz-me Gwynn – Como sabes, nós, fadas, não dependemos dos humanos. Embora alguns se preocupem com eles, outros pura e simplesmente não os suportam, havendo ainda aqueles para quem os humanos não passam de mais um bicho da terra, ou seja, são-lhes indiferentes. São muito comuns as trocas de bebés fadas moribundos, por bebés humanos perfeitos.
- O teu caso foi o contrário – Aine acaricia-me o cabelo – Na altura em que nasceste, a Morticia encontrava-se em plena ascensão de poderes. Como queria alcançar o nosso trono, aproveitou todas as oportunidades para te tentar matar, ou para, pelo menos, te tirar dos nossos braços.
- Na altura pedimos a ajuda da Feather e ela comprometeu-se, que assim que completasses 18 anos te traria de volta para o nosso mundo. E assim cumpriu. – Prossegue Gwynn – Ela tornou-se tua madrinha, por ter ajudado a salvar a tua vida. E todos os reais receios da Morticia se concretizaram. Embora ela não tivesse a certeza que poderias ser tu, todo o mundo das fadas se encontrava de olhos postos na luta que travavam diariamente.
- Embora me sinta triste por ter sido afastada de vocês durante todo este tempo, agora penso que pode ter sido bom, pois assim sigo o meu destino de fada com uma verdade que ninguém me poderá tirar: sou fada por natureza, tenho este instinto no sangue, não apenas por ser vossa filha, ou melhor, por saber que o sou, por imposição de uma hereditariedade que devo prosseguir. Não! Eu sou fada porque sempre me senti como tal e sempre lutei por esta dádiva que me concederam.
Abraçamo-nos e com um sorriso radioso no rosto digo:
- Hei! Nada de tristezas, estou de volta! As tristezas são águas passadas, a luta que vou travar será apenas por sorrisos imensos… por favor…
Ambos sorriem, deslocamo-nos calmamente para o interior do palácio. Ao entrarmos dirigimo-nos para um salão imenso.
Todo ele decorado em tons de castanho e creme: apesar de todo o requinte que abrange um palácio, a simplicidade é a característica dominante em Némesis.
Paredes cremes decoradas com pequenos arranjos florais acastanhados, ao longo de todo o salão vários pilares estão dispostos de uma forma harmoniosa, os sofás revestidos de imensas flores bem pequeninas, o som longínquo de água a correr… tudo isto dá a sensação de estarmos num pequeno jardim interior.
Enquanto esperamos pelo jantar desenvolve-se uma conversa agradável. Afasto-me um pouco do grupo e junto a uma janela olho as estrelas, o luar e fico ali, silenciosa a observar a beleza da noite. Aine aproxima-se de mim e limpa-me as lágrimas:
- O Aléxis faz-te muita falta não faz? Sentes muitas saudades dele não sentes?
Com um sorriso triste contemplo o luar e observo a minha mãe:
- Sim faz, ainda nem há um dia que me separei dele e já sinto um abismo enorme entre nós.
- Olha para a Lua, olha para as estrelas. Elas são as tuas protectoras, encarregar-se-ão de levar a tua mensagem, confia nelas.
Trocamos um olhar e saio para o jardim em busca de um pouco de sossego. Contemplando o luar as lágrimas rolam pela minha face e sussurro: “Amo-te Aléxis!”