Ao entrar no salão fico deliciada com as paredes, imponentes, de um tom de pêssego suave, onde sobressaem janelas imensas que facilitam a penetração da luz da lua.
Sobre as mesas, arranjos florais de margaridas azuis, cadeiras de papoilas; pequenas fontes de água fresca, a dois cantos do salão, dão vida ao espaço. Noutro dos cantos deparo-me com uma pequena orquestra de grilos; no tecto, pequenos pirilampos atribuem-lhe uma textura muito original.
As mesas estão repletas de manjares deliciosos: desde a mais variada fruta fresca; a cremes doces, guloseimas, leites de vários sabores, mel puro, doces e geleias, cereais, sumos e gelados… os meus olhos saltitam de mesa para mesa, deixando-me encantada com tanta variedade e qualidade dos alimentos.
Um clima de festa envolve-nos, mas nem assim, a tristeza abandona o meu olhar.
Laia aproxima-se de mim. Como representante das sereias, é uma das fadas mais tranquilas, mas ao mesmo tempo, mais animada do grupo. Os seus olhos, castanho escuros, transmitem segurança e conforto, o seu ar de menina é inconfundível e a sua alegria genuína é, simplesmente, única. Ao aproximar-se de mim, pega-me no queixo e olhando na profundeza do meu olhar diz:
- Faz nascer aquele sorriso maravilhoso, dá brilho ao teu olhar, pensa que o Aléxis está aqui. Ele não gostaria de ver o teu olhar apagado, o sorriso esmorecido e diluído. Não te deixes abater, já no primeiro dia.
Levanta-se de repente, agarra na minha mão e puxa-me para o meio do salão. Ainda tenho tempo de agarrar um morango e sair disparada atrelada a ela. Com uma vontade enorme de rir, começamos a dançar e sem ela dar conta, saio sorrateiramente, vou buscar Onan e Husai para o pé de nós. E com ar traquinas digo:
- Que envergonhados! Toca a mexer.
As gargalhadas, a dança, a alegria invadem o castelo… A noite cai tranquilamente para o renascer de um novo dia.

Amanhece! No ar paira um perfume, imenso, a primavera. A temperatura é um pouco mais que amena.
Deitada na minha cama, olho em meu redor e mais uma vez me perco na beleza e simplicidade que me envolve. Desloco-me a um canto do quarto, sento-me num confortável cadeirão, de rosa branca, em cima da mesa de gerbera cor-de-rosa, encontro um pequeno livro que lá se encontrava: Tradição das fadas, é o seu título.
Na noite anterior, no meio de uma conversa, animada, entre mim, Laia, Aine, Doris, Mirza e Grisel é-me oferecido o livro, pedem-me que dê uma olhadela, de maneira a estar preparada para o que vou encontrar na minha viajem.
Depois de um duche, desço até à cozinha, todos ficam surpreendidos por me ver.
- Menina, podia ter chamado, uma de nós teria ido ajudá-la. Que deseja? – Perguntam-me delicadamente.
- Não se preocupem – digo a sorrir – o meu quarto já está arrumado. Em cima de um dos cadeirões está a roupa de ontem. Por favor, vão lá buscá-la que não sei onde a posso colocar. Se não se importa, gostava que me arranjasse um cesto com fruta, leite de morango, o mais gelado possível e um ou dois doces. Vou até à cascata que vi ontem da janela.
Saio da cozinha e dirijo-me até ao quarto. Abro o meu roupeiro e fico deslumbrada. Perco-me na beleza de todos os vestidos e adereços com que me deparo. Opto por um conjunto bordeux. Uma saia até aos pés, justa nas ancas e que vai alargando ao longo das pernas. Visto uma blusa de decote de barco, mangas largas com adornos dourados. Para completar, deparo-me com um cinto dourado. Olho-me ao espelho e solto o meu longo cabelo.
Ao sair do quarto, encontro Doris e Laia. Olham-me surpreendidas, faço-lhes um sorriso e pergunto:
- Que se passa?
- Meu Deus Arti! Estás deslumbrante. Nunca pensei que fosses tão linda! – Exclama Laia, visivelmente, surpreendida.
Sorrio um pouco envergonhada.
- Vou tomar o pequeno-almoço na cascata, querem vir? – Ambas se entreolham e com um sorriso acabam por concordar.
Vamos ao encontro dos nossos unicórnios. Junto de Killiane encontro uma fada com o cesto da comida. Sorrio e pego nele.
Enquanto nos dirigimos para um dos locais que mais gosto, cascatas, vamos conversando animadamente.
- Ainda bem que vieram, assim podem ajudar-me com o livro.
- Com todo o gosto! – diz-me Doris.
Entramos na orla da cascata. Uma mistura de cores, cheiros e cascatas que se unem num espaço maravilhoso. Desmontamos os unicórnios e sentamo-nos no chão. Enquanto como um morango e o vou molhando no doce, dou uma vista de olhos pelo indicie:
Asparas; Audah, Aurah e Aujah; Beanshee; Fir Darrig; Crenças dos Humanos; Fadas que protegem o lar; Fadas que protegem as pessoas; Aparições.
Doris e Laia aproximam-se mais de mim. Bebo um gole de leite e como um doce. Sorrio e pergunto:
- Por onde começamos a viagem?
- Nós não vamos visitar todos esses reinos que aí estão. – Diz-me Laia calmamente – Antes de partirmos, vamos ajudar-te em três ou quatro pontos essenciais, depois iremos visitar os reinos correspondentes ás fadas do lar e ás fadas das pessoas.
- Podemos começar já pelas Asparas e pelas aparições, como queremos partir amanhã, convém que saibas já algumas coisas. – Diz-me Doris
Tiro uma maçã e abro o livro no capítulo das Asparas. Observo a fotografia que lá se encontra e Laia interrompe os meus pensamentos.
- As Asparas são normalmente mulheres. São conhecidas entre nós, como as dançarinas do céu. Ao abençoarem os humanos, em fases importantes das suas vidas, elas são com frequência encontradas em casamentos.
- São difíceis de encontrar, mas normalmente vivem em árvores de figo. – Diz-me Doris.
Antes de poder dizer o que quer que seja, sinto uma mão sobre o meu ombro, Doris e Laia olham surpreendidas para a figura que se encontra atrás de mim fecho os olhos e volto a cabeça.

Vendo a cara de assustadas de Doris e Laia, antes de me voltar para trás agarro numa mão cheia de areia e faço o mínimo de movimentos possíveis. Ergo o rosto e deparo-me com um grupo de desconhecidos. Todos possuem um aspecto muito invulgar: cabelos muito longos, olhos muito vermelhos e molhados, como se não parassem de chorar. De imediato cerro os meus olhos e na minha mente tento perceber de onde reconheço aquelas figuras.
É então que ao dar um passo para o lado e ao dar um pontapé no livro que tinha poisado no chão, me recordo: são as chamadas Beanshee, as fadas do espirito da morte.
- Doris... Laia!? – digo num tom quase imperceptível.
- Arti, não faças nada. Fecha os olhos e mantém a calma. – sussurra-me Laia.
Respiro fundo e sem aguentar mais, abro os olhos e corro para dentro da cascata. De dentro da água começo a cantar num tom alto de forma a conseguir chamar a atenção. Oiço passos a correrem para junto da cascata.
- Arti! Estás louca?! Não faças isso! – Grita-me Doris.
Fecho os olhos, abro os braços. Começo a cantarolar e a rodopiar. Numa língua só minha peço para que todos os seres da natureza nos ajudem. Com as lágrimas a correrem-me pela face imploro a todos os seres por ajuda, por elementos purificadores.
O vento começa a soprar com mais força, sinto alguma dificuldade em manter o meu bailado em pleno voo, mas é a única forma de me manter o máximo afastada daqueles seres e de proteger as minhas amigas.
Olhando por breves segundos para o chão, deixando que centenas de borboletas me envolvam sussurro:
- Levem daqui a Doris e a Laia, protejam-nas... Elas são mais importantes do que eu. Levem-nas daqui, salvem-nas que eu continuo aqui à espera de ajuda.
Neste preciso momento uma nuvem de pássaros entra de rompante por entre as árvores, acompanhado de uma dezena de dragões e de mais algumas fadas. Começa a chover, e os gritos das Beanshee começam a ser ensurdecedores. Ao sentir-me ladeada por três dos dragões que tinham chegado e ao ser protegida pelas suas asas ergo o rosto e sinto pétalas a caiarem-me no rosto, um cheiro doce a flores. Oiço a luta no chão das várias fadas, mas quando tento descer, para as poder ajudar sou impedida por algo invisível, é então que me apercebo que estes dragões criaram á minha volta um escudo de protecção.
De repente tudo se silencia. Sinto um aperto no coração, numa tentativa de me libertar desta angustia imensa, canto com todo o coração. Liberto-me do escudo. Choro cada vez mais e é então que uns braços me envolvem... solto um grito de terror, um grito agudo, um grito tenebroso.
- Calma querida, sou eu. Tem calma, pequenina sou eu o Aléxis.
Afasto-me repentinamente, ao meu lado encontro Hélios e mais algumas fadas. Olho Aléxis nos olhos e abraço-o com força.
- Já passou, graças ao teu canto conseguimos salvar-te. Pronto, tem calma, vamos levar-te para o palácio.
Poisamos tranquilamente no chão e abraçada a Aléxis, Doris e Laia abandono a cascata.
Chegados ao palácio e depois de um duche reconfortante vou em busca de todos ao salão principal. Ao entrar todos se silenciam, olho com cara de poucos amigos para o responsável pela segurança do reino. Olho em meu redor e num tom firme digo:
- Não abalamos daqui enquanto não resolvermos esta questão. Façam-me um favor: procurem os mapas mais recentes do reino. Preparem-se para longos dias de trabalho.
Sento-me ao lado de Aléxis e finalmente posso suspirar com algum alivio.

Deitada sobre cama observo o pôr do sol e relembro, com um sorriso no rosto, os três longos dias por que tínhamos acabado de passar: Reparar plantas, destruir feitiços, plantar protecções... Recuperar um reino imenso como o Reino Nemésis não é tarefa fácil.
Aléxis acaba de partir, juntamente com a comitiva vinda do Reino Glorious. Apesar de terem sido poucos, os dias que tivemos juntos, serviram para que o meu sorriso e uma nova vontade de vencer e destruir todas as barreiras que, a Yazmina, tente pôr no meu caminho, voltassem a nascer.
Sentada na cama, recosto-me nas almofadas e abro o livro. Perco-me na beleza de três fadas: Audah com cabelos dourados, olhos azuis e pele tisnada. Aurah de cabelos castanhos, olhos cinzentos e uma pele de tom indefinido, um género de marrom. E Aujah com os seus longos cabelos brancos como a neve e olhos castanhos. Transmitem uma sabedoria imensa.
Batem a porta, Laia entra no meu quarto, senta-se a meu lado e faz-me uma festa no rosto.
- Como estás? – pergunta-me com voz doce
Olho para ela e sorrio
- Estou bem. Agora melhor depois da visita de Aléxis. Estou a ler o livro, para podermos partir. Mas estou um pouco cansada.
- Queres ajuda? – Laia pega no livro – Ahhh! Audah, Aurah e Aujah. Elas foram vitimas da inveja da rainha Coo-ee-oh que cobiçava os seus poderes, assim transformou a Audah em ouro, a Aurah em bronze e a Aujah em prata, acabando por as lançar no Lago Skeezer, na Ilha Mágica. – Sorrimos uma para a outra. – Mas elas fizeram uma maldição à rainha: se algum peixe dourado, do lago, morresse, a rainha perderia toda a sua magia, sucumbindo até a morte. Esta é uma lenda do meu reino.
Deito-me na cama e fecho os olhos, completamente tranquila e relaxada.
- Pareces uma menina pequenina com essa expressão. Vamos lá acabar este capitulo e amanhã vês o que respeita às crenças humanas.
Abro um olho e sorrio, mas a preguiça é tanta que me viro para o outro e finjo adormecer. É então que me surpreendo com o doce cheiro de Aléxis no meu pulso, sorrio ainda mais deliciada e aninho-me recordando a pessoa que amo.
Acordo, dirijo-me à janela e observo toda a paisagem circundante envolta numa neblina e nevoeiro intenso.
Vou até ao salão e ao sentar-me junto de Drunhly, pergunto se está tudo bem no reino. Ele olha-me surpreendido e diz-me que pelo menos não haviam sido avisados de nada. Olho-o com desconfiança, mas perco a vontade de comer perante a angústia que me assola.
Chamo Hélios, Doris, Laia e Drunhly e nós os cinco dirigimo-nos até ao centro de segurança:
- De certeza que não há qualquer alteração nas protecções? – pergunto um pouco ansiosa.
- Sim menina, de certeza que se encontra tudo bem. – responde-me um dos guardas.
Franzindo o sobreolho dirijo-me a Drunhly:
- Adiem a partida, preciso de ir até Glorious, é urgente.
- Mas Arti, já adiámos por mais três, agora quantos mais serão?? – pergunta-me Drunhly.
- Não te preocupes, eu vou falar com os meus pais. Mas é urgente que eu me desloque a Glorious. Preciso que a Laia e a Doris me acompanhem, assim como a Ceres, a Éris e a Métis, o Flydo e Hélios.
- Mas que se passa? – pergunta-me Drunhly preocupado.
- Não há tempo para explicar. Hélios organiza tudo, Laia, Doris venham comigo. Preciso de mais três guardas do reino, alguém que me resolva isso também.
Todos se apressam a preparar tudo o que pedi. Corro até junto de Aine e de Gwynn e anuncio que necessito rapidamente de me deslocar até Glorious, embora fiquem preocupados, eles compreendem e dizem que aguardarão notícias.
- Posso demorar mais que dois dias, mas é necessário a minha deslocação até lá. – afirmo apressada.
- Mas passa-se alguma coisa, recebeste algum comunicado, algum pedido de ajuda?- pergunta Gwynn
- Não pai, é apenas mais um dos meus instintos. – Hélios aproxima-se e diz-me que tudo se encontra preparado para partirmos.
Despeço-me e deslocamo-nos a todo o galope em direcção ao Reino que me acolheu no inicio desde meu regresso ao mundo das fadas. O meu coração bate fortemente, o desejo e a ânsia de voltar ao ambiente familiar de Glorious são imensos.
Depois de duras e longas horas num galope incessante, heis que avisto a fronteira. Paro e fico estupefacta com o inicio de destruição com que me deparo. Não pode ser, não posso ter chegado tarde de mais...
NÃOOOOOO!

Olhamo-nos todos com alguma ansiedade, Hélios aproxima-se de mim e pergunta-me:
- Recebeste algum pedido de ajuda?
- Não – Respondo ansiosa – apenas pressenti algo de errado. Mas não podemos perder mais tempo. Organizem-se em pares e não se afastem.
A ansiedade e o medo, quer pelo que poderíamos encontrar quer pela travessia em si, permaneciam no grupo. À medida que avançamos deparamo-nos com várias marcas no chão. Desmonto a Killiane e dirijo-me a todos:
- Drunhly, Onan e Husai, os três vão até ao reino dos duendes e, a partir de lá, peçam ajuda, avisem todos os nossos aliados e comuniquem também aos meus pais o que se está a passar. Doris, Laia, Mirza e Grisel, vão ficar encarregues de receber os reforços e de os encaminhar para a zona que a Métis vos irá indicar. Pirro agrupa o maior número de possível de pirilampos, borboletas e restantes insectos. Quanto mais melhor.
Acariciando o dorso de Killiane vou murmurando palavras sem nexo. Observo o céu, cada recanto da floresta, cada movimento inesperado, cada som...
Quando nos aproximamos da zona da cascata desço e observo atentamente os caminhos. Na direcção do palácio detectam-se marcas.
- Desloquemo-nos para a cascata. Parece ser um sitio seguro, de momento.
Ao chegarmos, cada recanto é analisado ao pormenor. Aguardamos a chegada dos reforços. Fecho os olhos, não consigo conter as lágrimas que me consomem. Corro, desesperada, e mergulho na cascata. Deixo-me envolver, durante alguns segundos, por toda aquela tranquilidade.
Quando me preparo para sair, reparo que tudo em meu redor começa a ficar repleto de seres mágicos.
Ergo-me em espiral e sobrevoando, o espaço envolvente, observo uma mancha azul no local do palácio. A ansiedade e o desespero aumenta.
- Por favor, aproximem-se!
Observo com satisfação que muitos mais reinos, do que esperava, estão dispostos a entrar nesta fase que o Reino Glorious enfrenta.
- Não sei por onde começar. Não sei como vos explicar o que me levou a vir até ao reino, uma força interior, uma angústia, um desespero, algo muito meu fez-me vir até aqui.
Aqui onde reencontrei a minha alma, onde acho forças para viver, aqui onde despejo a minha dor e revelo a minha alegria.
Penso que é necessário organizarmo-nos em grupos, necessitamos ver o que está a atacar o reino, para depois sabermos como actuar.
É Pirro quem se dirige a mim:
- Nós podemos tratar disso?! – pergunta-me esperançado.
Observo o grupo em meu redor e vendo aumentar o clarão azul afirmo:
- Pirro, reúne todos os insectos. Circundem o reino e descubram-me o porquê daquilo. – aponto para o céu e todos ficam abismados com o que vêem.
O pequeno pirilampo organiza um imenso enxame de insectos. Ao vê-los partir, dirijo-me aos restantes:
- Penso que esta seja mais uma partida por parte da Yazmina, por isso, necessito que nos organizemos de forma a poder travar o avanço dela. O reino foi apanhado desprevenido, assim nós seremos a sua única salvação.
Cada reino vai-se reagrupando, de forma a entrar em acção a qualquer instante. Desloco-me por entre eles de forma perceber quais as capacidades de cada um. Reparo com orgulho que todos se encontram bastante preparados para o que se avizinha, uma vez que ainda está presente nas suas mentes, a recente guerra que havíamos atravessado.
Pirro, Ceres, Éris e Métis aproximam-se a grande velocidade, olho-os ansiosa e Ceres poisa no meu ombro. Lanço as mãos ao rosto e corro para a Killiane. Sem mais demoras grito:
- CERCO!!!!!
Aproximamo-nos rapidamente do espaço circundante da pequena aglomeração de árvores onde se encontra o palácio. Vejo um vulto por detrás de uma delas, mando abrandar o passo e desmonto. Caminho silenciosamente e quando me preparo para apanhar um dos nossos inimigos, heis que me surge Samantha.
Fico perplexa e a pequena criança agarra-se ao meu pescoço totalmente descontrolada:
- Arti... Arti por favor, salva os meus pais. A Yazmina tem um bicho enorme, e quer destruir todo o reino. Eles conseguiram proteger o palácio e algumas árvores em redor, mas o grupo da Yazmina é muito mais forte. – Chora copiosamente e soluça a cada palavra.
- Calma querida. Nós estamos aqui. Vês, somos muitos, devemos ser mais que o grupo da Yazmina. Eu estou aqui e não vou deixar que nada de mal aconteça. - suspiro profundamente - Grisel, chega aqui por favor. – Faço suaves festas no cabelo e rosto da pequena Sam. – Leva a Sam para a zona da cascata. Querida, eu depois vou ter contigo. Agora responde-me a uma pergunta: o que é que provoca este clarão azul?
- Isso é a luta de poderes entre os dois, o choque entre a protecção do palácio e o ataque daquela Bruxa.

Sam abala com Grisel, ergo-me com um suspiro enquanto penso na melhor forma de atacarmos. Precisamos de os surpreender mas como? Montando a Killiane o meu pensamento viaja a mil a hora: suponho hipóteses, visualizo estratégias até que, ao olhar para o grandioso enxame de insectos, uma ideia espectacular surge na minha mente.
Paro e comunico a minha ideia, todos se riem, mas concordam, será a melhor solução possível.
Aproximamo-nos o mais silenciosamente possível. Por entre duas árvores vejo que o bicho a que a Sam se referia trata-se de um dragão. Observo as posições da guarda de Yazmina e reparo que eles se encontram totalmente desprevenidos e apenas concentrados no poder do dragão.
Recolho-me para junto de todos e começo a dar as indicações.
- A parte de trás do palácio está desprotegida, ou seja, todas as forças da Yazmina estão concentradas na parte da frente. Precisamos ocupar aquele lado o mais rápido possível. Três dos reinos encarreguem-se dessa tarefa.
Ao vê-los partir a minha atenção concentra-se num grupo de falcões e águias que se aproximam. Ergo-me no ar e paro diante deles.
- Vós sois a princesa Artemisa? – pergunta-me um deles
Fico surpreendida e com um leve gesto de cabeça afirmo.
- Acedemos ao seu chamado. Em que podemos ser úteis? – Sorrio e digo
- Muito sinceramente não me recordo de ter evocado alguma força, mas já que aqui estão tornaram-se num elemento chave do nosso ataque. Preciso que ataquem sem dó nem piedade aquele dragão. Em simultâneo este enxame de insectos farão o que resta e nós apoiar-vos-emos por via terrestre.
- Obrigado por nos deixarem ajudar. – agradece um falcão
Desloco-me rapidamente para a Killiane e olhando em meu redor vejo imensas pinhas e caruma no chão. Sorrio e ordeno que todos se munam daquelas preciosidades da natureza.
Escondidos por entre as árvores consigo visualizar que tudo se encontra devidamente cercado. Ergo o rosto e observo com malícia o delicado rosto de Yazmina, sorrido com ar trocista ergo o meu braço e preparo-me para dar ordem de ataque.
Ergo o rosto, fixo o olhar no horizonte, baixo o braço e o silencio que se fazia sentir é interrompido pelo piar ensurdecedor de centenas de águias e falcões. Eles dirigem-se a uma velocidade vertiginosa e sem capacidade de resposta, o dragão da Yazmina começa a ficar gravemente ferido e muito desorientado. Picadas atrás de picadas, garras bem afiadas, tudo serve para destruir aquele monstro.
Ao mesmo tempo, uma imensa nuvem negra invade o território. Ouvem-se gritos agonizantes. Coloco-me em cima do dorso da Killiane e, com uma mão cheia de caruma, dou o sinal de partida.
Gera-se a confusão. Muitos dos guardas de Yazmina fogem com as picadas dos insectos e com os voos rasantes das aves derrapinas, que estão do nosso lado. Sem se aperceberem muito bem do que se passa, são atacados por pinhas, caruma de pinheiros e pedras.
O enorme dragão é transportado, a muito custo, por alguns dos guardas enquanto que se ouve a Yazmina fora de si:
- Ai malditos insectos, larguem-se.... OHHH NÃOOO abelhas não, xo daqui.... AI que raiva. E agora abandonam-me aqui? Seus incompetentes.
Uma ideia brilhante invade-me a mente... sorrio com malícia e faço sinal a Pirro. Ele aproxima-se e sorrindo revelo-lhe o meu plano.
- É para já! Vou tratar de tudo isso e já venho ter contigo. És tão mazinha!
Solto uma gargalhada e digo:
- Vá, despacha-te!

Do meio das centenas de insectos que atacam Yazmina, surge uma figura estranha com forma humana, mas de aspecto invulgar. Avança tranquilamente por entre todos aqueles bichos, ditos, adoráveis numa situação como esta. Uma espécie de corredor abre-se aquando da passagem da estranha figura.
Yazmina apercebe-se e fica um tanto ao quanto horrorizada devido à sua veloz aproximação.
- Sai daqui monstro das trevas, ou perseguir-te-ei para todo o sempre. Sai deste reino, do reino que te acolheu com bondade mas que tu fizeste tenção de atraiçoar. Cai em ti e deixa esta gente em paz. A inveja corrói-te o ser, um ser que em tempos foi limpo e belo, tornando-se agora em algo envenenado.
- Mas afinal quem és tu? E que sabes tu de mim?
- Sei mais do que imaginas. Sai daqui e nunca mais voltes. O que tu queres já aqui não mora e onde tu estás não a irás encontrar com facilidade. Sai daqui demónio, sai daqui com orgulho e não como a tua antecessora, como uma fada fraca e sem mais nada para oferecer.
O estranho fantasma aproxima-se de Yazmina e levitando mesmo à sua frente, ergue os braços fazendo soprar um vento horrível. Uma espécie de tufão começa a formar-se. Yazmina aterrorizada tenta fugir mas fica presa num galho de árvore.
- Julga-se tão forte, mas ao mais pequeno susto cai redonda no chão, sem forças para se conseguir levantar. Onde estão os teus guardas? Só estão contigo aquando das tuas vitórias? E quando se perde? Aí eles desaparecem como o diabo da cruz. Onde estão os teus amigos Yazmina? Fugiram com medo de uma centena de bichos inofensivos? Deixaram-te só e desamparada?
Por cima das cabeças de Yazmina e do estranho fantasma, falcões, águias e dragões voam preparados para atacar a qualquer momento.
Yazmina levanta-se, mas quando se prepara para levantar voo, o fantasma toca-lhe no cabelo fazendo-a gritar.
- Bonita exteriormente, mas com um interior maquiavélico. Tanto ódio, por um ataque de ciúmes? Por uma pessoa ter a coragem que tu não possuis? Yazmina volta para o teu reino e reencontra-te a ti própria. Vai ser melhor para todos.
De lágrimas nos olhos, Yazmina parte sozinha sem nunca olhar para trás. É seguida à distância por um grupo de dragões. Deixa assim, o Reino Glorious, mergulhar de novo na sua tranquilidade.
Olá! Vou interromper a minha escrita por alguns dias, espero que não muitos, por impossibilidade de vir à Internet. Prometo ser o mais breve possível, para vos satisfazer a curiosidade.
Beijos para todos, obrigado pela compreensão.
P.S. - Preparem-se porque terão muito que ler *