Cai uma chuva miudinha, todos respiram de alivio e orgulho pela tarefa cumprida. Feather sai soluçando de dentro do palácio junto a Josh, os dois com a desolação e o desgosto estampados no rosto.
- Tenham calma, a vossa menina está bem entregue. Eu vou buscá-la. – Ambos ficam perplexos com perspicácia do estranho fantasma que desaparece num ápice, elevando-se no ar e fundindo-se por entre as espessas nuvens que cobrem o reino.
Aléxis sentado numa pedra abraça Jim e os dois choram: um a perda da irmã, o outro as saudades da namorada.
- Como é que vocês souberam que corríamos perigo? – Pergunta Aléxis pelo meio das lágrimas e da desolação de ver o reino totalmente destruído.
- Foi a Arti – Responde Hélios – Foi ela que pressentiu algo e nos mobilizou a todos para aqui.
- Onde está ela? Onde é que ela foi? – Pergunta Aléxis esperançado com uma pontinha de desespero na voz.
- Ela já volta. Tem calma. – Afirma Hélios.
Todos começam a fazer algo para recuperar o reino, quando se ouve um barulho ensurdecedor vindo da floresta. Tomam posições de ataque e quando se preparam para disparar, heis que surge Sam e o fantasma na frente de um batalhão imenso de fadas.
Josh, Jim e Feather correm e abraçam Sam, Aléxis procura em todo o lado pela sua amada, mas nem sinal dela.
- Que é feito da Arti, eu quero a Arti, eu QUEROOOOOOOOO...
É então que o fantasma se eleva no ar, efectuando um bailado e fazendo voos rasantes às cabeças de todas as fadas que se encontram naquele espaço, vai-se desfazendo em centenas de pirilampos. Começa, assim, a fazer-se notar a silhueta de uma bela fada de longos cabelos castanho claro, pele clara, vestida com vestido branco magnifico, com adornos doirados.
Ao poisar tranquilamente no chão olha Aléxis com uma doçura enorme no olhar e um sorriso deliciado.
- Arti! - Diz Aléxis radiante.

Enquanto o reino se recupera do devastador ataque de Yazmina, restabeleço energias junto da grandiosa e belíssima cascata, o meu lugar preferido de todo o Reino Glorious.
Toda aquela fusão de verdes, misturados com cores vivas e tranquilas, o som da água, o fresco que envolve aquele espaço, o cantar suave dos pássaros, pequenas borboletas que esvoaçam em nosso redor, tudo aquilo me confere a tranquilidade que tanto necessito.
Sei que não posso adiar mais a minha partida para a viagem a todos os reinos que os meus pais protegem, mas a vontade de deixar de novo Aléxis não me deixa minimamente feliz e animada.
Segurando o livro “Tradição das fadas” passo os olhos sobre o capítulo “Crenças nas fadas”. Uma magnifica imagem de um anjo faz-me recordar a minha pequena irmã humana e as saudades apertam.
Algumas das crenças referem que as fadas são como anjos caídos que foram expulsos dos céus por terem cometido algum delito pouco sério. Outras referem que as fadas foram deuses que diminuíram a sua estatura após o aparecimento do cristianismo nos seus reinos.
Ao ouvir passos na minha direcção levanto-me de repente, mas deparo-me com um Aléxis absolutamente exausto, chego-me ao pé dele e abraço-o enquanto o presenteio com um belo ataque de cócegas e desato a correr a sua frente.
Mergulhando delicadamente na calmaria da cascata, deixando um suave perfume a rosas a pairar no ar sinto-me rejuvenescer, sinto uma enorme paz interior que parece envolver-me como se de um escudo inquebrável se tratasse.

Sei que tenho andado muito ausente do blog, mas tal como esta história nasceu, como um estalar de dedos, a minha inspiração para a continuar também desapareceu.
Tenho pensado em reformular alguns dos meus primeiros posts, “limar algumas arestas”. Pode ser que assim me consiga inspirar e voltar em grande com a minha história.
Não me esqueci de vocês, prometo que vou voltar em grande.
Beijos para todos e obrigado por me continuarem a ler. :(

Aléxis deita-se na erva fresca enquanto eu descontraio dentro de água. Ao aproximar-me da margem com um sorriso trocista nos lábios, começo a molhá-lo incessantemente. Ele mergulha com o intuito de me fazer mal mas eu começo a fugir.
Anoitece, dentro de água ambos nos deixamos envolver pela imensidão e tranquilidade que nos rodeia. A noite profundamente negra, o céu repleto de milhares de pequenos pontos reluzentes, tudo parece uma dádiva após todo o inferno por que temos passado.
Saímos da água, cada um deitado no chão, envoltos pelas flores e pelos braços um do outro, não precisa pronunciar uma única palavra para perceber o que significa a melancolia e tristeza presentes no nosso olhar.
Acabamos por adormecer e ao nascer do sol comos despertos pelo galope incessante de vários unicórnios. Sobressaltados elevamo-nos por cima das copas das árvores e perseguimos o imenso grupo que segue bem por baixo de nós.
Apercebemo-nos que o grupo de cerca de uma centena de fadas se desloca para a aldeia principal de Glorious. Olho para Aléxis e ambos aceleramos o nosso voo. Ao chegarmos junto do palácio os cabecilhas do grupo surgem vindos da floresta.
Descemos num voo a pique e em parafuso, deixando todos surpreendidos devido à nossa súbita aparição.
