02 de Setembro, 2004

Conflito

Dentro do meu quarto vou arrumando os meus vestidos e pertences pessoais, pretendemos abalar para Ban-tee na manhã seguinte e ainda muita coisa há para arranjar. Oiço um toque suave na minha porta e peço para entrarem. Quando me volto vejo Andrew aguardando a minha ordem.

- Que deseja de mim?
- A Feather disse para falar contigo sobre a nossa partida de amanhã e sobre o que parte do meu exército vai ficar a fazer por aqui. – Olha-me meio desconfiado.
- Em primeiro lugar, esses são assuntos que são tratados em conjunto e após o jantar, depois acho que podia ser um cavalheiro e não me ter vindo incomodar no meu próprio quarto. – Olho-o nos olhos – Não gosto de ter de agir assim, mas já não é a primeira vez que é inoportuno.

Saio do quarto e dirijo-me até à sala de jantar. Chamo Feather, Josh, Aléxis e Hélios, vejo que Andrew se desloca para a saída e chamo-o até à sala.
- Sei que é nosso hábito discutirmos estes assuntos depois do jantar, quando as crianças já estão deitadas, mas o que se passa é que o nosso recente companheiro de viajem foi ter comigo para saber quais são os nossos planos.
Todos me olham com um certo suspense estampado no rosto.
- Arti, fui eu que o mandei ir ter contigo, pois tu é que sabes qual o delineamento da viajem. – Diz-me Feather.
- Aquilo que está programado pelos meus pais, é que eu tome conhecimento de todos os reinos que estão sob a sua tutela, para que me torne uma espécie de embaixadora do reino, mas para isso preciso ter conhecimento de todos os pormenores. Além do mais, há também uma reunião marcada com a Yazmina e aí precisamos do maior número de reforços possíveis.

- Com a Yazmina? – Pergunta-me Aléxis incrédulo.
- Sim, desde o último ataque, que os meus pais têm mantido um diálogo com ela e vou ser eu que vou encerrar o acordo.
- Quem é a Yazmina? – Pergunta Andrew confuso

Todos o olhamos incrédulos.
- Não sabes quem é a Yazmina? – Pergunta Hélios – Nunca foram atacados por ela nem pela Morticia?

conflito

Posted by Fairy at 04:56 PM | Encantamentos (5)

03 de Setembro, 2004

Tréguas

Respiro fundo e olhando nos olhos de Andrew digo:
- Vamos jantar e depois, quando as crianças estiverem na cama, podemos explicar tudo com muito mais calma.
Todos concordam e deslocamo-nos à sala de jantar.
Andrew fica visivelmente surpreendido. No reino Glorious todas as divisões são grandes e bastante acolhedoras.

As janelas da sala de jantar são viradas para um imenso jardim interior, repleto de rosas e margaridas. Toda a sala está decorada em tons de verdes secos, castanhos e cremes. Em cima da mesa, corrida, encontram–se imensos pratos com flores, mel, leite, fruta, doces de gengibre, amoras e morangos.

Sirvo-me e sento-me junto a uma janela a observar a tranquilidade do jardim. Sinto passos junto de mim, viro-me pensando ser Aléxis, mas é Andrew quem se senta a minha frente. Como um morango e volto a olhar para a chuva miudinha que cai no jardim.
- Posso fazer uma pergunta? – Pergunta delicadamente.

- Sim, claro.
- Porque razão és sempre tão brusca comigo?
- Não tem nada a ver contigo, em particular, apenas me encontro cansada e preocupada com a viagem, só isso. Depois a tua chegada, repentina, deixou-me confusa, sobre se farias parte de algum plano da Yazmina.
- Mas eu já disse que não sei quem é a Yazmina. E não estou a mentir, não faço mesmo ideia de quem seja.

- Eu posso explicar-te. A Yazmina é uma das descendentes directas do reino Imaculous, mas devido à sua mudança de opinião, sobre qual o lado negro e qual o lado maravilhoso do mundo das fadas, a sua irmã Kiara, ficou como legitima herdeira do trono.
- Mas como?! Desculpa, podes-te explicar melhor?
Sorrio.
- É assim. Quando eu regressei ao mundo das fadas o Reino Glorious começou a ser atacado pela Morticia, uma fada que optou pelo lado negro do nosso mundo e que por sinal era irmã da Feather. Eu comecei a fazer-lhe frente e quanto mais eu conseguia ganhar terreno mais ela perdia força. Quando derrotámos a Morticia a Yazmina, que se encontrava do nosso lado e sabia de todos os nossos planos de ataque contra a Morticia, revelou a sua verdadeira vocação: o lado negro do mundo das fadas. Antes de chegares, o reino Glorious foi atacado por ela, daí termos adiado mais uma vez a nossa partida.

- Agora que falas nisso tudo, lembro-me de os meus pais terem recebido noticias destes inúmeros ataques e terem enviado algum exército para vos ajudar.
Comendo a minha última colher de mel levanto-me e lanço um sorriso a Andrew:
- Desculpa ter sido tão brusca contigo, agora entendes tudo o que me preocupa, além do mais, só recentemente é que soube tudo o que esperam de mim. Preciso ser perfeita, todos apostam muito em mim.

Ele levanta-se e beija-me delicadamente a testa sob o olhar atento e desconfiado de Aléxis.

Tréguas

Posted by Fairy at 12:29 PM | Encantamentos (6)

06 de Setembro, 2004

Partida

Amanhece uma típica manhã de início de Outono. Devido a todos as estragos provocados pelo ataque da Yazmina, a nossa viagem foi sendo adiada demasiado tempo.
Levanto-me com uma expressão entristecida, visto o robe e encosto-me à janela a ver a chuva a cair delicadamente sobre as árvores.

Dirijo-me à pequena casa de banho, tomo um duche reconfortante. Opto por um vestido cor-de-rosa, muito suave e leve, para me sentir confortável para as longas horas de viagem que tenho pela frente. Apanho parte do cabelo e o resto cai suavemente pelos meus ombros.

Dirijo-me à cozinha, pego numa maçã e num cacho de uvas brancas. Ainda é cedo, muitos continuam a dormir, ou simplesmente, a despedirem-se das suas famílias. Dirijo-me até à cascata.

Olho o céu, a paisagem; oiço a água a cair ritmadamente, inspiro para as profundezas do meu ser o que ainda resta do cheirinho das flores. Segurando o vestido entro dentro de água e deixo-me envolver pela tranquilidade que todo este espaço me traduz.

Paro a observar pequenos malmequeres no chão, saio e apanho alguns, com eles enfeito o meu cabelo.
Dirijo-me até ao palácio e vejo Aléxis a cuidar da Killiane. Aproximo-me dele, faço-lhe uma festa no cabelo e sorrio quando ele se vira para mim. Abraçamo-nos em silêncio.

Olho em meu redor e vejo que estão todos preparados.
Drunhly, Doris, Onan, Husai, Pirro, Aarón, Vero, Laia, Mirza e Grizel aproximam-se de mim. Formamos um círculo e assim iniciamos a nossa oração:

- Espírito de sabedoria, cujo sopro dá e retorna a forma de todas as coisas; tu, diante de quem a vida dos seres é uma sombra que muda e um vapor que passa; tu que sobes às nuvens e que caminhas nas asas dos ventos; tu que expiras, e os espaços sem fim são povoados; tu, que aspiras, e tudo o que de ti vem a ti volta: movimento sem fim na estabilidade eterna, sê eternamente bendito.
Nós te louvamos e te bendizemos no império móvel da luz criada, das sombras, dos reflexos e das imagens, e aspiramos incessantemente à tua imutável e imperecível claridade.

Deixa penetrar até nós o raio da tua inteligência e o calor do teu amor: então o que é móvel ficará fixo, a sombra será um corpo, o espírito do ar será uma alma, o sonho será um pensamento. E nós não seremos mais arrastados pela tempestade, porém seguraremos as rédeas dos cavalos alados da manhã e dirigiremos o curso dos ventos da tarde, para voarmos diante de ti.

Oh espírito dos espíritos, Oh alma eterna das almas, Oh sopro imperecível de vida, Oh suspiro criador, Oh boca que aspiras e expiras a existência de todos os entes, no fluxo e refluxo da tua eterna palavra, que é o oceano divino do movimento da verdade…

Por fim abraço Aléxis com força e sussurro-lhe:
- Vou morrer de saudades tuas. Vai dando noticias. Adoro-te.
Beijamo-nos, monto a Killiane e é então que vejo um anel de flores. Olho para ele, coloco-o no meu dedo, sorrio entristecida a Aléxis.

Partimos…

Partida

Posted by Fairy at 06:02 PM | Encantamentos (4)

08 de Setembro, 2004

Strawberryous

Formamos um grupo de cerca de duzentas fadas. Encontro-me no meio de todas elas, bem escoltada. Todos nos reinos por que vamos passar sabem da nossa viagem e da nossa presença. Todos os pormenores haviam sido tratados pelos conselheiros dos meus pais.

Perdida nos meus pensamentos certifico-me que a velha máxima humana, “Estar rodeada por mil pessoas, mas só desejar estar com uma”, começa a fazer sentido.

Coloco a Killiane a galope e pretendo deslocar-me até a frente do grupo, quando sou barrada por guardas do Andrew.
- Importam-se?! – Pergunto com ironia.
- Temos ordens para não a deixarmos passar. – Afirma-me um deles com frieza.
- Já vos disse para me deixarem passar! – Olho-os com uma expressão de aniquilação total. – Não me façam chatear!

Por esta altura encontramo-nos na fronteira entre o Reino Glorious e o Reino Strawberryous. Aqui o perfume predominante é a morangos, a doces, a frutos típicos do verão. Os perfumes são tão intensos que fazem crescer água na boca a qualquer um.
Como os guardas do Andrew não me deixam passar, obrigo todo o restante grupo a parar.

Desmontamos dos unicórnios, bebemos água e descansamos um pouco. Dirijo-me até Hélios e ordeno-lhe:
- O Andrew que chegue aqui imediatamente. Leva mais alguém contigo. Despachem-se!
- Mas… - Inicia Hélios.
- Nem mas, nem meio mas… Aqui, agora e JÁ!

Tento descontrair falando com a Cibele, a Mirza e a Grizel. Comemos alguns dos frutos que se encontram nas plantas junto de nós, é difícil resistir. Oiço os cascos dos unicórnios a aproximarem-se de mim, viro-me no exacto momento em que Andrew desmonta completamente enfurecido.
- És louca?! Como podes parar toda esta comitiva de repente? Podias ser atacada a qualquer momento! Já te deste conta disso?!

- Louco és tu, se queres saber a minha opinião. Chego à conclusão que foi uma péssima ideia ter aceite que viesses connosco. – Digo simplesmente furiosa. – Quem é que julgas que és para comandares o meu grupo? Por que raio dás ordens aos teus homens para não me deixarem movimentar?!

Avanço decidida até ele.
- Eu…
- Cala-te! Já fomos muitas vezes atacados e sobrevivemos sem ti. Ficas na cauda do grupo. Tu e os teus homens lá para trás. – Levanto o dedo e ordeno – Ah! E mais um paço em falso e continuam sozinhos.

Viro as costas e enquanto me dirijo à Killiane suspiro e murmuro:
- Deusa da Lua, minha anja de companhia, ajudai-me em mais esta longa tarefa, dai-me forças.

Monto a minha belíssima unicórnio e olhando Hélios na profundeza do olhar, dou sinal de avanço. É então, que o próprio Hélios me oferece uma flor de morangueiro:
- Para te ajudar a lembrar dos bons momentos e te dar força para enfrentares os maus.
Beija-me delicadamente a mão. Sorrio meio envergonhada.

strawberryous

Posted by Fairy at 06:02 PM | Encantamentos (5)

17 de Setembro, 2004

Círculo Mágico do Amor

Chegamos à fronteira do Reino Strawberryous com o Reino Ban-Tee. Este é o primeiro dos vários reinos que pretendo conhecer. Na clareira da floresta, aguarda-nos uma pequena comitiva com tudo preparado para nos receber.

Drunhly e Doris aproximam-se de mim, levam-se até um pequeno círculo azul, formado por minúsculas miosótis e pirilampos. Lá dentro ouve-se uma suave música de flauta, cheira a jasmim e os raios prateados da esplendorosa lua cheia envolvem-me.

Fecho os olhos, sinto uma presença junto de mim e eis que surge à minha frente Aine e Aisling: duas das mais poderosas rainhas de todo o mundo das fadas.

Ambas me transmitem mensagens, quer de conforto, quer de incentivo e coragem e alguns pontos chaves para saber lidar com o povo que vou conhecer. Avisam-me que algo pode acontecer durante a minha estadia no reino Ban-Tee, mas nunca dizem nada em concreto.

Quando menos espero, ambas as rainhas desaparecem e surge um pergaminho com a letra de Aléxis. Fico boquiaberta e sem reacção, mas leio vorazmente cada palavra cedida por ele:

“A saudade corrói-me a existência e, a cada milha acumulada na nossa distância, sinto parte de mim a desvanecer. Que a tua jornada seja abençoada por Aine e Aisling, e que regresses sã e salva ao aconchego dos meus braços. Do teu eterno, Aléxis.”

Ajoelho-me no chão, colho uma miosótis do chão, contemplando o pequeno rebento da magnífica flor do amor, suspiro e dirijo-me a uma rosa branca.

Dentro dela, aninho-me e adormeço, sentindo-me revigorada.

Círculo Mágico do Amor

Posted by Fairy at 12:12 AM | Encantamentos (7)

20 de Setembro, 2004

Ban-tee

Acordo. Está uma belíssima manhã de início de Outono. As pequenas gotas de orvalho brilham delicadamente em cima das plantas, parecendo-se com minúsculos diamantes.

Já existe alguma movimentação na clareira: fadas que preparam o pequeno-almoço, outras que tratam dos unicórnios que nos irão conduzir até ao Reino Ban-tee, ou apenas aquelas que se encontram a descansar, mas em estado de alerta.

Ao sair da minha delicada rosa, dirijo-me aos vários malmequeres que servem de mesa e recolho algumas peças de fruta e doces para me alimentar. Passo pelo círculo mágico e contemplo-o silenciosamente.

Acabo de comer e juntamente com um conjunto de cerca de nove fadas, montamos os unicórnios e dirigimo-nos para a zona fronteiriça. Laia e Doris seguem a minha frente, ao atravessar o portal, constituído de inúmeras pétalas de rosas e malmequeres.

Elas mandam-me desmontar de novo, formamos um círculo e as restantes seis fadas, que nos acompanham, envolvem-nos no meio do seu próprio círculo. Inicia-se assim, um lento processo de transformação.

Laia transforma-se numa bela fada com um tom de pele muito claro e delicado, os seus cabelos de um castanho um pouco acinzentado, crescem invulgarmente, e junto aos seus olhos, três pedras preciosas azuis dão-lhe um toque super delicado.

Já Doris ganha um tom doirado, delicioso, o seu cabelo fica muito branco e sedoso, mas visualizando as suas feições, com atenção, vê-se surgir o mesmo tipo de pedra e precisamente nos mesmos locais que surgiram no rosto da Laia.

Mas, o meu processo de transformação é mais delicado e demorado. O meu cabelo curto e castanho claro transforma-se em preto e bastante comprido, os meus olhos castanhos amendoados transformam-se num verde-esmeralda, só a minha pele mantém a mesma tonalidade. Mas, as mesmas pedras que surgiram nos rostos de Laia e Doris surgem igualmente no meu.

Ban-tee

Acabado o processo de transformação, uma das fadas Ban-tee dirige-nos a palavra:
- Este será o vosso aspecto, sempre que entrarem num reino, como o Ban-tee. Só vocês três, as representantes reais, poderão atravessar a fronteira, juntamente com seis representantes de cada reino, mais nenhum elemento da vossa comitiva poderá faze-lo, a não ser, que tenha sido previamente convidado.

Enquanto cavalgamos em direcção à aldeia central do reino Ban-tee, a mesma fada, explica-me que o nome do reino, significa, literalmente, Dona de Casa.

A aldeia situa-se mesmo no centro de todo o Reino. É toda rodeada por rosas cor-de-rosa e brancas, e mesmo junto ao palácio principal, vêm-se inúmeros lagos que me deixam ligeiramente intrigada.

O átrio principal é todo decorado em mármore azul claro, três das fadas Ban-tee deixam-nos no átrio e dirigem-se ao salão. Passados minutos, somos chamadas.

Ao entrarmos visualizo uma fada de uma jovialidade incrível, cabelos castanhos, apanhados num esplendoroso rabo-de-cavalo. Ela desce, do seu posto e dirige-se a mim com um sorriso meio tímido.

- É uma honra recebe-la no nosso reino, já aguardávamos a sua visita há algum tempo.
- Por favor, não me trate por você. – Sorrio – Para mim é que é uma honra. Deixe-me apresentar as minhas amigas. Laia e Doris. – Zan-see sorri.
- Está na hora do almoço, passemos ao salão principal, por favor.

Lá deparamo-nos com um imenso banquete repleto de morangos e cremes doces.
- Grande parte da nossa comida, é-nos oferecida pelos donos dos lares que vigiamos e guardamos, principalmente os torrões de açúcar e todo o tipo de guloseimas. – Explica-me Zan-see.

- Deve ser maravilhoso o trabalho que efectuam, será que depois de almoço poderia ver como funciona concretamente o vosso Reino? – Pergunto delicadamente.
- Teremos todo o gosto.

Deslocamo-nos aos jardins envolventes do palácio, Zan-see pára junto de um dos pequenos lagos que me intrigaram anteriormente.
- É através destes lagos que são efectuadas muitas das nossas vigias às crianças e aos lares que protegemos. Como podes ver, algumas das nossas fadas encontram-se a brincar com os pequenos humanos, embora eles não as vejam. É um trabalho muito gratificante, mas sabemos bem que não somos bem recebidas em todos os lares, por isso procuramos os lares que nos oferecem pequenos gestos, antes, mesmo, de efectuarmos lá qualquer tipo de trabalho.

- Estou a entender. Ou seja, só conseguem realizar a vossa tarefa quando os humanos vos chamam, caso contrário, pouco ou quase nada conseguem fazer?!
- É isso mesmo, e o que mais nos custa, é vermos crianças que sofrem nas mãos dos pais, mas as suas energias negativas fazem com que seja praticamente impossível penetrar nos seus lares e ajudar aqueles pequenos seres.

Fico pensativa a olhar, para um dos lagos. Enfrento Zan-see no olhar e afirmo.
- Esta noite pernoitamos por aqui. Laia, faz chegar a mensagem à nossa comitiva presente no Reino Strawberryous. Doris, ficas encarregue de avisar o Reino Brownie, que ficaremos pelo menos mais um dia, o que poderá prolongar-se. A nossa chegada fica marcada para data incerta e comunicaremos quando sairmos daqui. Zan-see, preciso contactar com o Reino dos meus pais e com o Reino Glorious, como o poderei fazer?

Zan-see, Doris e Laia ainda se encontram um pouco confusas, mas executam todas as minhas ordens com um sorriso no rosto e com extrema eficácia.

Posted by Fairy at 12:30 AM | Encantamentos (6)

24 de Setembro, 2004

Yazmina em Ban-tee

Depois de contactar com os meus pais e com o Reino Glorious dirigimo-nos à sala real do Reino Ban-tee. Lá, traçamos num pergaminho todos os nossos passos de “ataque”.

Enquanto explicava o que pretendia fazer, surge uma fada para falar com a Zan-see. Esta franze o sobre olho e olha para mim um tanto ou quanto pálida.
- Artemisa, desculpa, foste tu que pediste para que a Yazmina entrasse em contacto connosco? – Diz-me meio chocada
- Sim, fui. Onde posso contactar com ela?

Zan-see guia-me pelos corredores do palácio até uma sala onde me deparo com um Ringlet. Entro nele e enfrento Yazmina nos olhos com superioridade. Esta ajoelha-se e diz:
- Em primeiro lugar queria pedir perdão por todo o mal que te tenho causado.
- Levanta-te se faz favor. Águas passadas não movem moinhos, só espero que tenhas aprendido alguma coisa nisto tudo. – Digo-lhe um pouco fria – Não te chamei aqui por isso. Quero que pactues connosco. Como sabes este reino trabalha em estrita relação com crianças.

Ela olha-me séria e distante, como que pensativa:
- E em que queres que eu ajude?
- Preciso que esta noite pernoites aqui connosco, para amanhã, bem cedo nos deslocarmos ao mundo humano e resolvermos certos aspectos que me parecem ser úteis. – Sentamo-nos num feto – Ao que parece, há espíritos negros a dificultarem bastante a vida a este reino. Quero que em conjunto comigo, amanhã nos desloquemos até, grande parte dessas fadas, para conseguirmos um acordo. Que me dizes?

Ela suspira.
- Sim, acho que pode ser um bom começo para as nossas tréguas.
Sorrio. Entramos no Reino Ban-tee. Deslocamo-nos ao salão para jantar e todos ficam apreensivos com a sua presença.

- A Yazmina, encontra-se entre nós numa missão de paz. Por isso, quero que sejam cordiais e nada de hostilidades.
Os Ban-tee’s baixam os olhares em sinal de concordância.

Posted by Fairy at 04:22 PM | Encantamentos (4)

25 de Setembro, 2004

Um dia diferente

O dia amanhece fresco. Uma ténue neblina envolve todo o reino Ban-tee.
Desço do meu quarto, envergando um vestido branco, comprido, mas muito leve, que me permite uma fácil movimentação.

Dirijo-me à mesa das frutas, pego numa maçã e recolho alguns doces. Olho Yazmina na profundeza do olhar e, silenciosamente, recordo-a da sua missão. Aproximo-me de Zan-see, e ela faz-me saber que está tudo preparado.

Ao meu sinal dirigimo-nos a um dos lagos que dão passagem ao mundo dos humanos.
Encontramo-nos na saída de um bosque, perto de uma casa, com estilo palaciano. Parece pertencer a uma família abastada

- Bem, chegou a altura de avançarmos. Zan-see fica aqui, para o caso de precisarmos. Yazmina anda comigo.

Levantamos voo e entramos por uma das janelas da casa. Encontra-se tudo muito silencioso, até que visualizo uma fada negra perto de uma figura feminina que se encontra na cozinha a preparar algo para comer.

Olho para a Yazmina e faço sinal para que subamos ao andar de cima, lá deparamo-nos com uma pequena menina a brincar tranquilamente. De repente ouve-se um grito:
- Catarina, vem cá abaixo imediatamente!
A menina levanta o rosto lívido de medo.

Nenhuma das fadas presentes na casa nos consegue visualizar. Esperamos, silenciosamente o decorrer dos acontecimentos. Vemos a mãe a gritar e a começar a bater na filha, as fadas negras a fazer pressão sobre a mulher e as fadas do reino Ban-tee a tentar soltar a criança das mãos daquela mãe que não sabe o que faz.

Eu e Yazmina olhamo-nos e, em simultâneo, tornamo-nos visíveis. Todas as fadas param, estupefactas.
- Levem a menina para junto da Zan-see, que já lá vou ter convosco. Quanto a vocês, eu e a Yazmina queremos ter uma conversinha muito especial. Leva-as lá para fora que eu vou ver se meto alguma coisa nesta cabeça.

Sobrevoando a cabeça da pobre mulher, que se mostra visivelmente transtornada, lanço-lhe pequeninas pétalas de flor. Em cima de uma mesa vejo um bloco onde escrevo:
- Junto do coreto coloque, diariamente, tigelas com morangos frescos, cremes doces e guloseimas. A paz voltará a reinar em sua casa.

Chego a rua e dirijo-me até ao grupo chefiado pela Yazmina:
- Muito bem. – Perscruto cada uma das fadas negras com um olhar gélido e cruel – Acham bem tudo o que têm andado por aqui a tramar?! Acham bem que uma criança sofra só por vosso belo prazer?

Elas baixam o olhar, meio envergonhadas.
- Quem é a vossa Rainha?
- Yazmina. – Sussurra uma.
Olho para ela e afirmo:
- A partir de hoje, ficarão sob as ordens do Reino Ban-tee e farão tudo o que a Zan-see vos ordenar.

Yazmina olha-me com admiração, pela primeira vez em todo este tempo.
Dirijo-me até à Zan-see:
- Vai falar com todas as fadas e explica-lhe o que se está a passar. Junta o grupo que está com a Yazmina ao teu.
- Sim Senhora.

Sento a menina no meu colo e abraço-a, deixando-a chorar à vontade. Quando ela se acalma, arranjo-lhe o cabelo delicadamente e digo-lhe:
- Vai ter com a tua mamã, ela deve estar preocupada. – Digo-lhe com doçura.
- Tenho medo.
- Não tenhas minha pequenina, ela já não te volta a fazer mal, acredita em mim. – Acaricio-lhe a bochecha delicada – Fazemos assim: Sempre que sentires medo ou que precisares de alguma coisa, basta concentrares-te numa ideia muito simples, naquilo que queres mesmo que aconteça, basta pedires socorro com toda a tua força que eu venho ter contigo num instante. Pode ser?

- Vens mesmo, não vens?
- Venho sim, não tenhas medo que eu não desapareço. Só para ficares mais descansada vou-te apresentar uma fadinha, muito minha amiga, que te vai proteger mais do que eu. – Beijo-lhe a bochecha – Zan-see, podes aqui chegar se faz favor?
- Sim Arti. – Voa até nós – Diz.
- Esta é a Catarina, ela vai precisar que andemos sempre a vigia-la e a protege-la. Bem sei que nem sempre podes estar aqui, porque tens de tomar conta do reino, mas a partir de hoje és a total responsável por ela.

- Sim, princesa, esteja descansada.
Sorrio, beijo a cabeça da menina e voltamos ao Reino Ban-tee com a missão cumprida.

Um dia diferente

Posted by Fairy at 09:26 PM | Encantamentos (7)

30 de Setembro, 2004

Reino Brownie

Após abandonarmos o Reino Ban-tee e termos retomado a ordem que havia sido perturbada dirigimo-nos para o Reino Brownie.

Enquanto percorríamos os quilómetros que nos faltavam Laia e Doris explicam-me calmamente que é mais um dos Reinos de protecção de casas, mas que ao contrário do Reino Ban-tee, os Brownies não dão especial importância às crianças existentes na casa.

Sorrio e pergunto em tom de brincadeira:
- Não me digam que terei de chamar novamente a Yazmina para resolver alguma situação e vão-me todos ficar a olhar de lado.
Começamo-nos a rir.

Já caiu a noite há algum tempo, quando finalmente chegamos à fronteira entre o Reino Bee e o Reino Brownie.
Decidimos só anunciar a nossa chegada na manhã seguinte.

Pernoitamos em flores e árvores, tendo sempre alguns elementos da nossa escolta de vigilância. Desde que mandei o Andrew ficar mais calmo e não tentar passar por cima das minhas ordens que noto um certo clima de mau estar entre o grupo.

Amanhece um dia bastante quente, como pouca coisa, uma vez que tenho demasiadas coisas que me ocupam a cabeça para poder pensar em comer. Sigo juntamente com Laia e Doris até ao portal da fronteira e, ao entrarmos no Reino Brownie a transformação inicia-se.

Assim que montamos os unicórnios chega um grupo de Brownies muito desconfiadas e nos perguntam quem somos. Dirijo-me a uma delas e entrego-lhe um pequeno símbolo real feito em madeira.

- Chamo-me Artemisa, sou a Princesa do Reino Némesis. Venho em nome dos meus pais, conhecer o reino e quais as necessidades dele.
- Desculpe princesa. Soubemos o que fez no Reino Ban-tee, mas não esperávamos que chegasse tão cedo.
- Estas são as minhas conselheiras: Laia e Doris.
Baixam a cabeça cordialmente.

Avançamos em direcção à aldeia principal do Reino. Ao contrário do Reino Ban-tee com o seu aspecto alegre e acolhedor o Reino Brownie é mais triste e melancólico.
Chegamos à aldeia principal. O aspecto soturno e triste faz-me ansiar abandonar este reino o mais rápido possível.

Todo o palácio é decorado de cores tristes, como o cinzento, o castanho, o verde-escuro.
Dirigimo-nos a um pátio exterior e é então que surge diante de mim, uma figura um pouco estranha a tocar flauta: a sua pele é de um verde-escuro, quase seco; os dedos muito compridos e fininhos, toda vestida de verde e branco.

Greenie, vira-se e ao parar de tocar cumprimenta-me com um sorriso.
- Desculpe princesa, não sabia que estava aqui.
Sorrio com cordialidade:
- Não se preocupe. Se não se importa gostava de começar, ainda tenho mais uns quantos reinos para ver.
- Com certeza.

- Desculpe, a sério, não é por mal, não é que queira dar mais atenção a um reino do que a outro. Não é nada disso. – Sorrio parecendo embaraçada – Mas com tantos atrasos na viagem não queria apanhar o Inverno total, quando chegar ao reino das flores.
- Esteja descansada, nós não levamos a mal. – Sorri-me delicadamente – Siga-me.

Reino Brownie

Posted by Fairy at 06:36 PM | Encantamentos (2)
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