O tempo joga contra nós. Ao abandonarmos o Reino Brownie o sol esconde-se por de trás de nuvens espessas, o vento sopra forte e a temperatura baixa de forma repentina. Ceres, Éris e Métis sobrevoam-me tranquilamente.
Os meus olhos perscrutam atentamente os rostos de toda a comitiva. Sei que o ambiente não tem sido o melhor, pressinto-o pelos semblantes pesados, pelos modos bruscos com que reagem a todas as ordens emitidas. Chamo Hélios até mim e acelerando o trote, afastamo-nos consideravelmente do grupo.
- Hélios, sei que posso confiar em ti e se pedi para que me acompanhasses nesta viagem é por saber que és das raras fadas, em todo o Reino Glorious e em todo o reino Nemésis, em quem posso confiar – Olho na profundeza do seu olhar – Diz-me, com toda a sinceridade a que estou habituada em ti e que tanto prezo: o que se passa dentro da comitiva?! Porque é que pressinto uma tensão constante, como se uma bomba estivesse pronta a rebentar?!
Ele suspira e de olhar no chão diz-me:
- Ninguém te quer dizer nada, porque todos achamos que deves ser tu a ver pelos teus próprios olhos o que se tem estado a passar.
- Eu estou a pedir, para saber através de ti. Sabes que tenho uma missão muito importante em mãos e que não posso estar constantemente a prestar atenção a todos os movimentos desta enorme comitiva.
- Todos nós sabemos isso. Mas é muito complicado estar a contar-te tudo o que se passa, pois ninguém quer ser alvo de mal entendidos.
- Tem a ver como Andrew não tem? - Hélios olha-me surpreendido – Eu sei mais do que aparento. – Sorrio.
- Sim, tem a ver com ele. Ele quer mandar em todos nós. Quando tu não estás presente, todos nós perdemos os nossos postos e ele comanda como quer e bem lhe apetece. Muitos dos nossos cavaleiros já se quiseram ir embora, mas por respeito a ti e aos teus pais não o fizeram.
Observo o pôr-do-sol e com ar ausente afirmo:
- Eu trato disso. Obrigado Hélios.
Paramos e aguardamos que toda a comitiva se reúna a nós. Elevando-me no ar anuncio:
- Iremos deslocarmo-nos até ao Reino Nemésis.
Todos me olham surpreendidos e Andrew tenta intervir:
- Mas, porquê? Já estamos a mais de metade da nossa viagem.
Olho-o com cara de poucos amigos e digo:
- Cala-te! Sigam-me se faz favor.
