Peço desculpa por esta paragem na história.
Mas além do tempo, a vontade de escrever não é nenhuma. Neste momento a única coisa que quero é deitar cá para fora toda a dor que sinto dentro de mim.
Sinto-me dilacerada pela vida, sonhos deitados por terra, sorrisos desfeitos em lágrimas, noites dormidas em descanso transformadas em noites de vigília constante.
O meu mundo desfez-se, o brilho do meu sorriso dividiu-se plas lágrimas, o meu olhar perdeu o brilho e a minha alegria de viver desvaneceu-se.
Só tu eras a minha alegria, a minha razão de viver, a minha força contínua, só tu eras o meu amor.
Perdi-te por cobardia, só espero que sejas feliz. Infelizmente não tive a força suficiente para lutar pelo que sempre quis, tive medo de enfrentar a vida olhos nos olhos, tive medo do que o futuro me reservava, perdi-te por cobardia.
Só quero que saibas que continuo a amar-te, que jamais te esquecerei, que só tu me conseguias fazer sorrir, acalmar as minhas angustias e transformavas os dias mais sombrios em radiantes dias de sol.
Sê Feliz, muito muito muito Feliz.
Amo-te :(

Um longo caminho foi percorrido desde o Reino Brownie. Chuva, frio, vento, neve, calor e um sol abrasador… apanhamos as quatro estações enquanto nos dirigíamos até casa.
Além do Inverno se avizinhar bastante rigoroso, todos precisamos descansar.
A entrada no Reino Glorious é feita com poupa e circunstância, todos somos acolhidos em clima de festa, mas o meu estado de espírito e de saúde não é o melhor.
Ao desmontar a Killiane sinto o meu corpo a fraquejar, perco a sensibilidade no corpo e acabo por desmaiar. Acordo ao levar com alguma água de jorrada, todo o meu corpo treme, começo a chorar.
Perscruto cada rosto a minha volta e ao ver Feather junto a mim, peço-lhe que me leve para quarto. Já deitada na minha confortável cama recordo todos os momentos do desmaio.
A falta de ar, a perda de forças… Lembro-me de todo o frenesim à minha volta, dos rostos de cada um, da angustia de não me conseguirem acordar… Lembro-me de querer voltar a mim e de não conseguir… Lembro-me… Lembro-me… Lembro-me…
Durmo tranquilamente. Durante um dia inteiro, não saio do quarto, mal como. Só quero dormir, mais nada.
Durante todo o meu tempo de recuperação nem sinal de Aléxis, sinto a sua falta, sinto que o perdi por alguma razão, só me falta descobrir qual.
Tento levantar-me mas as forças ainda não o permitem e tenho nova sensação de desmaio. Concluo que só me resta esperar notícias enquanto descanso.
Poucos minutos depois entra no meu quarto Sam, com aquele seu sorriso acolhedor e terno, acarinha-me com a sua doçura de menina fazendo-me sorrir.

Após uma semana de repouso absoluto, saio do quarto e dirijo-me à rua. O Inverno veio para ficar e encontra-se um frio de rachar. Enquanto me passeio pelo pátio da pequena aldeia vejo algumas fadas atarefadas com os preparativos para a época festiva que se aproxima.
A comemoração da Lua de Dezembro e a aproximação do Solstício de Inverno festejados na noite de 21 para 22 de Dezembro, fazem andar todos num corrupio frenético.
De repente, olho para a zona da cascata e finalmente vejo-o… o coração acelera, as pernas tremem e o desejo de lhe tocar é mais forte que tudo e todos. Mas ao observá-lo atenciosamente reparo que apesar de os seus olhos transmitirem um brilho ténue de felicidade, o seu aspecto fragilizado contrasta com o aspecto robusto que lhe conheci.
Entramos no palácio e ao encontrarmos a Feather esta fica assustada, uma vez que o nosso aspecto é idêntico. Apresentamos uma cor acinzentada e com poucas forças.
A preocupação pelo nosso estado espalha-se por todo o reino e estende-se a todos os que já visitámos.

Após a comemoração do Solstício de Inverno, onde se apresenta o novo Deus Sol e da consagração da lua de Dezembro, a lua de Contar as Bênçãos, os dias passam devagar.
Toda a magia que envolve a festa desvanece-se.
A doença ou maldição cada vez mais se apodera de mim, a tristeza consome-me o espírito e as forças. Eu e Aléxis somos obrigados a permanecer nos quartos e só trocamos palavras de amor através de pequenas folhas de laranjeira.
“Desculpa interromper o teu descanso tão merecido, mas só queria mandar um beijo bem docinho e dizer que te amo muito. Até tremo só de pensar no sorriso que vais fazer ao ler. Amo-te. Aléxis.”
Sorrio e sinto alguém entrar no quarto, é Samantha que corre para os meus braços a chorar:
- Não quero que tu nem o tio Aléxis morram, não quero, não quero – diz-me por entre soluções.
Acolho-a com carinho junto ao meu corpo e aninho-a ao meu ventre fazendo-lhe carícias no cabelo e rosto:
- Tem calma pequenina, tudo se vai resolver. Vamos descobrir um método para nos curar desta estranha doença e nós vamos ficar bem, está? Tem calma, por favor acalma-te!
Feather entra no meu quarto e senta-se ao nosso lado, pega em Samantha no colo e sussurra-me: “Hoje vão ser vistos por um mago, vamos realmente descobrir o que se passa convosco.”
Sorrio por entre a tristeza e peço:
- Posso vê-lo? Já que estamos os dois doentes ao menos deixa-nos estar juntos antes de começarmos alguma espécie de tratamento, deixa-nos matar as saudades. Por favor. – Uma lágrima rola-me pela face.
- Tudo bem, vou dizer para ele vir ter contigo.

Aléxis entra no meu quarto, aproxima-se, deita-se ao meu lado, abraça-me e beija-me. Olhamo-nos em silêncio e assim ficamos.
Não precisamos pronunciar palavra para sabermos o que estamos a sentir. Ouvimos a chegada de um grupo de unicórnios e percebemos que se trata da escolta do mago que nos vem tratar.
Feather entra no quarto seguida de um humano, já com largos anos, de cabelos brancos acinzentados e uma longa barba. Ficamos sozinhos, eu, Aléxis e o Mago. Somos observados atentamente. Antes de mais alguém saber, queremos ser informados do que nos consome a alma, o espírito e o corpo.
- Vocês possuem uma terrível maldição. Pelo que me parece é uma maldição do Reino Imaculous…
- YAZMINA! – Afirmo estupefacta.
- Calma pequenina, por favor tem calma. – Aléxis agarra-me com força, abraça-me e acaricia-me o rosto. – Por favor acalma-te isso não é bom para ti.
- Há alguma hipótese de nos livrarmos desta maldição? – Pergunto com veemência.
- Penso que sim, mas preciso de estudar o caso com calma.
Neste preciso momento Feather entra no quarto e sem dar tempo de qualquer manifestação olho-a aterrorizada:
- Madrinha, chama os meus pais aqui, convoca os duendes e todos os reinos nossos aliados, COM URGÊNCIA! – Saio a correr do quarto e sinto Aléxis a seguir-me.
As lágrimas rolam desenfreadamente pelo meu rosto, começo a sentir dificuldade em respirar devido à correria e aos soluços de choro… Aléxis ainda corre atrás de mim.
Chego junto da cascata e sem pensar duas vezes elevo-me no ar e mergulho a pique, quando venho ao cimo, os braços de Aléxis envolvem-me com força:
- Shiuuuuuuuuu… Não digas nada… deixa-te estar assim… Chora… acalma-te.
Ficamos abraçados enquanto pequenas pétalas de rosa e malmequeres nos cobrem. Soluço nos braços de Aléxis. Todo o Reino está em reboliço, menos aquele canto que se encontra protegido de tudo e de todos pelo nosso amor.
