Portugal, um país refugiado na ponta Este da Europa com toda a sua simplicidade, procura o seu desenvolvimento e tenta, a todo o custo, alcançar países com um poderio económico bem mais elevado.
Esta simplicidade irónica e caricata, leva-nos a realizar o Euro e a receber um Festival reconhecido a nível mundial, mas onde ficam as pequenas aldeias e cidades escondidas e esquecidas do interior?!
Mais uma vez elas são afastadas de toda a vida nacional, mais uma vez o poderio da cidade, Litoral, com toda a sua industrialização e desenvolvimento vence, deixando para trás, abandonadas, as populações do interior.
Pergunto-me o porquê de se terem efectuado esplendorosas construções de estádios em pólos de grande desenvolvimento, quando o interior fica isolado e esquecido, deitado à sua sorte e à sua pobre insignificância?!
O que é incrível é verificamos que o nosso país e a sociedade vigente continua a permitir tamanha estagnação e desequilíbrio. Se não vejamos: um dos livros que mais consegue demonstrar este paralelismo, entre o ano 1900 e o ano de 2004, é “A cidade e a Serras” de Eça de Queirós. Aqui verificamos um pouco surpreendidos e apreensivos, o quão parecida ainda se encontra a nossa sociedade. Podemos comparar o Palacete de Paris, o famoso 202, com uma cidade do litoral, mantendo o interior inalterável no seu isolamento e esquecimento.
A sociedade daquela época, vivia essencialmente da exportação de produtos, modas, culturas e pensamentos. E a nossa sociedade? Alterou alguma coisa? Parece que não! Basta olharmos à nossa volta para vermos a, cada vez mais frequente, utilização de expressões estrangeiras, principalmente inglesas.
A diferença, bem patente, entre os caminhos de ferro espanhóis e franceses, em relação aos portugueses cada vez se acentua mais. Não preciso ir mais longe: vivendo eu numa cidade do interior esquecida pelo poder central, situada no Norte Alentejo, a bonita cidade de Portalegre, posso confirmar este contraste. Para nos deslocarmos de comboio a qualquer outra cidade mais desenvolvida, temos que apanhar uma Automotora, só apanhando no Entroncamento um bom comboio, ou então, viajando uma hora e meia de automovel até lá. Mas o que é q os Senhores Ministros e Políticos, queriam fazer? Não queriam desviar daqui o TGV para faze-lo passar no Norte? Mais uma vez o Alentejo seria esquecido, mais uma vez as terras nortenhas iriam manter o seu desenvolvimento económico e cada vez mais, nós, Alentejanos, seriamos abandonados, deixando a nossa região “morrer” aos poucos, deitada à sua sorte. Acredito cada vez mais, no famoso ditado popular: Dinheiro puxa Dinheiro.
Já Eça de Queirós, nos seus livros, transmitia as amizades feitas por interesses, a conservação das aparências, mesmo quando as pessoas sofriam ou não era aquilo que queriam.
Enquanto que a cidade, com todo o seu desenvolvimento e opulência, permanece imutável, apenas se visualizando cada vez mais poluição, degradação, quer do património monumental e arquitectónico, mas também do património natural e social, uma vez que as pessoas também saem bastante fragilizadas e absorvidas por todo este desenvolvimento, iniciando-se um aumento significativo das chamadas doenças civilizadas: como o Stress, as depressões.
O campo e as serras continuam entregues aos seus principais valores e crenças, onde o ritmo de vida é totalmente diferente: onde se obedece à lentidão dos tempos, às leis da Natureza, que não conhece os relógios nem algo que se pareça com isso.
Não quero com tudo isto dizer que não concorde com algumas transformações, apenas pretendo transmitir que somos nós, adolescentes e não só, que temos de tentar modificar um pouco o rumo das coisas, não esperando que tudo caia do céu e que tudo se faça por si só.
sinceramente, eu ke moro no litoral, percebo isso!!!
ora vejamos, aki no litoral ja naum pertencemos a antiga cultura portuguesa pk essa estasse a perder, mas ainda subsiste no interior, e gosto de ver o interior , ainda de forma tradicional.
è pena simplesmente o estado am ke se encontram essas vilas e aldeias, pk so elas teem um ambiente aconchegado e medieval, do kal eu tanto aprecio.
Sobre os portugueses, axo ke é falta de acreditarem ke tudo é possivel, e ke temos ke tomar iniciativas ke falham apena e ke estajemos todos pela nacao e nao contra ela.
Força Portugal
Não posso dizer que o que está escrito neste texto é mentira, porque não é.
Embora tenha nascido e esteja a viver no litoral, mais precisamente Aveiro, também estou muito ligada à cidade de Portalegre, pois toda a minha família é dessa bela cidade (pais, avós, tios, primos). Embora não viva no centro de Aveiro (vivo numa das vilas que fica nos arredores), sei o que é acordar de manhã com o cheiro das fábricas, pois vivo a cerca de um quilómetro de uma grande fábrica, fábrica essa que embora muito importante para o desenvolvimento da vila e criação de postos de trabalho também é uma grande fonte de poluição, isso é visível quando falo da minha vila com alguém que não seja de Aveiro, esse alguém reconhece pelo nome da fábrica e poluição que esta produz.
Admito que em alturas dava tudo para poder trocar a zona onde vivo pelo lindo e tranquilo Alentejo, mas tudo o que me faz viver (não o desenvolvimento tecnológico, mas sim as pessoas) estão todas aqui no litoral, embora ainda tenha alguma família no interior.
Quando o texto faz referência à política de governação que elege sempre em primeiro lugar o litoral, não se pode culpar quem nele vive ou trabalha, mas sim os políticos do nosso país, eles é que escolhem onde vão decorrer os grandes eventos, onde são realizadas as grandes construções.
Apenas tenho uma certeza: não se pode culpar as terras e praias do litoral, nem as montanhas do Alentejo das diferenças de desenvolvimento no país. Se existem culpados, são os governantes que não sabem como desenvolver Portugal de maneira igual, para todas as cidades, escolhendo sempre os grandes centros urbanos.
Não poderão ser estas escolhas, todo este desenvolvimento tecnológico que vão conduzir a catástrofes num futuro próximo?!
No fundo, muito pessoalmente, apenas posso dizer que se não fosse o Alentejo, onde é que eu iria buscar energias para suportar a confusão da cidade?? Obrigado Alentejo por existires.
Beijocas fofas pros dois *************
Olá :) é verdade... infelizmente vivemos num país assim, não é a inferiorizar o nosso país, não falta quem o faça, mas queremos viver ao nível de outros países desenvolvidos sem criarmos estrutura para tal... chama-se fachada!!!! Eventos como Expo 98, Euro 2004, Rock in Rio, não passam de fachada! Fazer de Portugal um palco lindo com bastidores terríveis... Não vou falar de problemas como fome, droga, e pobreza porque isso haverá sempre, mas falo de problemas como educação e saúde que claramente são uma vergonha para este país... Não só porque não ha condições, mas também porque não há mentalidade e motivação direccionadas no sentido de um verdadeiro desenvolvimento interno e não de FACHADA!
O que nos resta fazer é a nossa parte, não apenas abrir os olhos e ver que as coisas estão mal (qualquer pessoa é capaz de perceber isso), mas fazer alguma coisa para mudar! :)
Também sou de Aveiro e gosto do ritmo urbano desta cidade... quando o comparo com outros monstros urbanos como Porto (nem tanto) ou Lisboa.
Sir :: Maio 26, 2004 10:24 AM