Segunda-feira, 12 de Abril, 2004

Divertimento Perigoso

Toda a gente sabe que as drogas não são nada benéficas para a saúde e que do seu consumo advêm efeitos negativos e nefastos. No fundo, não há falta de informação acerca do assunto, o que há muitas vezes é uma grande tentação para experimentar...

Uma coisa que me faz especial confusão, hoje em dia, é como há jovens que chamam divertimento a passar a noite a consumir drogas e, frequentemente, beber até não poder mais, chegando a pontos extremos de degradação pessoal. Não compreendo a necessidade que têm de alterar a sua percepção da realidade para se conseguirem divertir, ou seja, transformarem-se em alguém que não o são na realidade. Demonstram uma grande fragilidade de espírito e uma enorme limitação na forma como manipulam o termo "divertimento".

Muitos não se apercebem que podem estar a dar o primeiro passo para o abismo, a iniciar a caminhada para um beco sem saída. Não se podem desculpar com o facto do grupo de amigos também o fazer, cada um tem vontade própria e não se deve deixar influenciar por outros, nem pelo facto de "parecer bem fazê-lo", só por uma questão de afirmação pessoal.

Tudo pode começar através de uma brincadeira, com origem num acto inconsciente. As futuras consequências de tal acto podem ser irreversíveis, não permitindo muitas vezes voltar atrás. A vida é preciosa e cabe a nós moldá-la de uma forma harmoniosa. Todo o cuidado é pouco...

Olhar Sereno :: 12:24 AM | Olhares (19)

Domingo, 11 de Abril, 2004

Norte, Sul, Este, Oeste...

Portugal, um país refugiado na ponta Este da Europa com toda a sua simplicidade, procura o seu desenvolvimento e tenta, a todo o custo, alcançar países com um poderio económico bem mais elevado.

Esta simplicidade irónica e caricata, leva-nos a realizar o Euro e a receber um Festival reconhecido a nível mundial, mas onde ficam as pequenas aldeias e cidades escondidas e esquecidas do interior?!

Mais uma vez elas são afastadas de toda a vida nacional, mais uma vez o poderio da cidade, Litoral, com toda a sua industrialização e desenvolvimento vence, deixando para trás, abandonadas, as populações do interior.

Pergunto-me o porquê de se terem efectuado esplendorosas construções de estádios em pólos de grande desenvolvimento, quando o interior fica isolado e esquecido, deitado à sua sorte e à sua pobre insignificância?!

O que é incrível é verificamos que o nosso país e a sociedade vigente continua a permitir tamanha estagnação e desequilíbrio. Se não vejamos: um dos livros que mais consegue demonstrar este paralelismo, entre o ano 1900 e o ano de 2004, é “A cidade e a Serras” de Eça de Queirós. Aqui verificamos um pouco surpreendidos e apreensivos, o quão parecida ainda se encontra a nossa sociedade. Podemos comparar o Palacete de Paris, o famoso 202, com uma cidade do litoral, mantendo o interior inalterável no seu isolamento e esquecimento.

A sociedade daquela época, vivia essencialmente da exportação de produtos, modas, culturas e pensamentos. E a nossa sociedade? Alterou alguma coisa? Parece que não! Basta olharmos à nossa volta para vermos a, cada vez mais frequente, utilização de expressões estrangeiras, principalmente inglesas.

A diferença, bem patente, entre os caminhos de ferro espanhóis e franceses, em relação aos portugueses cada vez se acentua mais. Não preciso ir mais longe: vivendo eu numa cidade do interior esquecida pelo poder central, situada no Norte Alentejo, a bonita cidade de Portalegre, posso confirmar este contraste. Para nos deslocarmos de comboio a qualquer outra cidade mais desenvolvida, temos que apanhar uma Automotora, só apanhando no Entroncamento um bom comboio, ou então, viajando uma hora e meia de automovel até lá. Mas o que é q os Senhores Ministros e Políticos, queriam fazer? Não queriam desviar daqui o TGV para faze-lo passar no Norte? Mais uma vez o Alentejo seria esquecido, mais uma vez as terras nortenhas iriam manter o seu desenvolvimento económico e cada vez mais, nós, Alentejanos, seriamos abandonados, deixando a nossa região “morrer” aos poucos, deitada à sua sorte. Acredito cada vez mais, no famoso ditado popular: Dinheiro puxa Dinheiro.

Já Eça de Queirós, nos seus livros, transmitia as amizades feitas por interesses, a conservação das aparências, mesmo quando as pessoas sofriam ou não era aquilo que queriam.

Enquanto que a cidade, com todo o seu desenvolvimento e opulência, permanece imutável, apenas se visualizando cada vez mais poluição, degradação, quer do património monumental e arquitectónico, mas também do património natural e social, uma vez que as pessoas também saem bastante fragilizadas e absorvidas por todo este desenvolvimento, iniciando-se um aumento significativo das chamadas doenças civilizadas: como o Stress, as depressões.

O campo e as serras continuam entregues aos seus principais valores e crenças, onde o ritmo de vida é totalmente diferente: onde se obedece à lentidão dos tempos, às leis da Natureza, que não conhece os relógios nem algo que se pareça com isso.

Não quero com tudo isto dizer que não concorde com algumas transformações, apenas pretendo transmitir que somos nós, adolescentes e não só, que temos de tentar modificar um pouco o rumo das coisas, não esperando que tudo caia do céu e que tudo se faça por si só.

Olhar Profundo :: 10:19 PM | Olhares (3)

Quarta-feira, 07 de Abril, 2004

Vagueando Por Aí

Vagueando por este mundo observo tudo ao mais ínfimo pormenor. Observo, analiso com um olhar crítico, mas bem disfarçado. Faço-o mesmo sem me aperceber e sem me dar conta de tal... Faço-o por instinto! Reparo nas pessoas: nos gestos, no olhar, nas reacções, no sorriso e nas lágrimas… nas abstracções.

Reparo nas paisagens: nos montes e vales, planícies e planaltos, riachos e ribeirinhas, árvores e flores, no sol e na lua, que repousam lá bem no alto… Dou por mim a pensar: porque é que as pessoas teimam em esconder o que pensam?! O que sentem?! Porque é que as pessoas têm medo de assumir aquilo que são?! Aquilo em que acreditam?! Porque não lutam verdadeiramente pelos seus objectivos?!

Olhando em meu redor percebo que, infelizmente, a nossa sociedade ainda é muito fechada, que as pessoas ainda têm medo de serem rejeitadas, de serem colocadas de lado. Além de tudo isto, ainda conseguem criticar quem o faz, ainda lhe atiram pedras e as tentam deitar abaixo, mesmo partilhando das mesmas opiniões e pensamentos. Mas se essa pessoa continua a lutar… O que fazem? Desprezam-na, mesmo sabendo que ela tem razão!

Porque é que o mundo ainda é tão cruel? Porque é que o nosso país continua tão virado para o seu umbigo?! Porque é que mesmo na nossa cidade todos nos olham de lado?! Porque é que mesmo no nosso pequeno grupo de amigos as pessoas mesquinhas, hipócritas, fingidas e falsas continuam a vingar na vida e as que, pelo contrário, lutam por um futuro melhor e por uma sociedade mais justa e correcta continuam a ser colocadas de lado?

Porquê? Deixo a questão no ar. Será que alguém quer responder?

Mundo nublado...

Olhar Profundo :: 11:47 PM | Olhares (10)