Tenho saudades da minha rotina: acordar por volta das 7h da manhã, ser tratada como o galo da madrugada, sair do quarto, descer as escadas, ligar o esquentador, sentar-me na sanita, ligar o rádio na Comercial, abrir a torneira, meter-me num duche quente, subir as escadas, vestir-me, por a mesa para o pequeno-almoço, comer sozinha enquanto os meus pais e os meus irmãos se preparavam para sair de casa, lavar os dentes, agarrar na mala e nos livros, despedir-me com um tom mais alto: “Até Logo!”.
Sou a primeira a sair, chego à rua, deparo-me com um fresquinho que começa a arrepiar, preparo-me para percorrer a cidade, praticamente, toda a pé, nas ruas desertas, não se encontra quase ninguém.
Tiro o telemóvel, colocado a pressa, dentro da mala, vejo a ultima mensagem e o último toque que me foi dado. Suspiro e observo o dia a clarear lentamente. Chego ao liceu, dirijo-me ao local habitual e espero que o autocarro chegue e traga consigo grande parte do meu grupo de amigos.
Sentada no chão tiro um livro ou simplesmente um caderno e entretenho-me vasculhando qualquer coisa. Eles chegam, começa o nosso ritual, cumprimentamo-nos, conversamos sobre banalidades, a campainha toca, deslocamo-nos cada um para a sua sala, deslocamo-nos em pares para os blocos respectivos. Mesmo sendo de manhãzinha cedo, conseguimos levar com os professores. Posso ser um caso raro, mas confesso que até gosto de estudar.
Depois de um dia intensivo de aulas, depois de momentos de galhofa e momentos de conversas mais sérias, de compartilha de opiniões e pontos de vista. Tomo o mesmo caminho para casa, que tomei quando me dirigi para a escola.
Entro, um silêncio estranho faz-se sentir. Subo as escadas, poiso as coisas no meu quarto, ligo o computador e tiro os livros e cadernos de que preciso para estudar.
E agora o que será de mim?!
