Eu bem queria voltar a olhar, mas as lágrimas cegam-me…
Eu bem queria voltar a olhar, mas a dor dilacera-me o coração…
Eu bem queria voltar a olhar, mas a distância faz-me recear…
Eu bem queria voltar a olhar, mas as forças fraquejam…
(post escrito numa tarde de Inverno, rodeada pelo frio e pela chuva em plenos Trás-os-Montes)
Deixa-me olhar-te pela última vez, deixa-me sorrir ao sentir o teu olhar a penetrar o meu, deixa-me sentar a teu lado e olhar tudo o que nos rodeia, deixa-me cheirar-te, tocar-te e abraçar-te pela última vez…
Deixa-me… Deixa-me… Deixa-me… Deixa-me ser Feliz mesmo que pela última e única vez.
Serás eternamente o meu doce e terno sonho… já para não falar do meu único e eterno amor.

Tenho saudades da minha rotina: acordar por volta das 7h da manhã, ser tratada como o galo da madrugada, sair do quarto, descer as escadas, ligar o esquentador, sentar-me na sanita, ligar o rádio na Comercial, abrir a torneira, meter-me num duche quente, subir as escadas, vestir-me, por a mesa para o pequeno-almoço, comer sozinha enquanto os meus pais e os meus irmãos se preparavam para sair de casa, lavar os dentes, agarrar na mala e nos livros, despedir-me com um tom mais alto: “Até Logo!”.
Sou a primeira a sair, chego à rua, deparo-me com um fresquinho que começa a arrepiar, preparo-me para percorrer a cidade, praticamente, toda a pé, nas ruas desertas, não se encontra quase ninguém.
Tiro o telemóvel, colocado a pressa, dentro da mala, vejo a ultima mensagem e o último toque que me foi dado. Suspiro e observo o dia a clarear lentamente. Chego ao liceu, dirijo-me ao local habitual e espero que o autocarro chegue e traga consigo grande parte do meu grupo de amigos.
Sentada no chão tiro um livro ou simplesmente um caderno e entretenho-me vasculhando qualquer coisa. Eles chegam, começa o nosso ritual, cumprimentamo-nos, conversamos sobre banalidades, a campainha toca, deslocamo-nos cada um para a sua sala, deslocamo-nos em pares para os blocos respectivos. Mesmo sendo de manhãzinha cedo, conseguimos levar com os professores. Posso ser um caso raro, mas confesso que até gosto de estudar.
Depois de um dia intensivo de aulas, depois de momentos de galhofa e momentos de conversas mais sérias, de compartilha de opiniões e pontos de vista. Tomo o mesmo caminho para casa, que tomei quando me dirigi para a escola.
Entro, um silêncio estranho faz-se sentir. Subo as escadas, poiso as coisas no meu quarto, ligo o computador e tiro os livros e cadernos de que preciso para estudar.
E agora o que será de mim?!

Pode parecer incrível, mas é a mais pura verdade. Muito antes da mais conceituada Imprensa Nacional trazer a público já um mero jornal regional trazia a noticia mais ultrajante quer para a Guarda Florestal quer para os Bombeiros que querem pôr fim a este verdadeiro crime que destrói, todos os anos, milhares de hectares de riqueza nacional, regional e pessoal.
O Jornal Fonte Nova, na sua edição de 21 de Julho do presente ano publica a noticia:
"Nem queriam acreditar:
Os Bombeiros de Marvão candidataram-se a um programa de vigilância das matas e ficaram satisfeitos com a aprovação dessa candidatura.
Não tinham nada a perder e era-lhes atribuído um veículo para durante esta época de fogos fazerem a vigilância da floresta, e com a carência de veículos que têm, a coisa vinha mesmo a calhar.
Então para grande espanto de toda a agente, o tal programa que, dizem-nos, é tutelado pelo Ministério da Agricultura, mandou para Marvão um Toyota, só que em vez de ser um Land Cruiser, um Rav4 ou outro dos bons veículos TT desta marca, o que lá apareceu foi um... Yaris.
Um carro citadino para fazer patrulhamento e vigilância da floresta. Nesta é que os bombeiros de Marvão nem queriam acreditar. Bem, lá mandaram arranjar umas motoretas e com elas vão cumprindo a missão. Quanto ao Yaris azul, a ordem foi encostá-lo e não andou nem um Quilómetro, mas entretanto é pago ao dia a uma empresa de Lisboa, que o alugou à entidade que gere o programa.
Assim anda o nosso país e assim se gere o dinheiro para a protecção da floresta, é o que se comenta lá por Marvão".
Isto definitivamente vai de mal a pior.

Nestas últimas semanas, cada vez mais me questiono sobre os valores da amizade. Para mim a amizade sempre foi uma relação mantida à base da confiança, mesmo que as pessoas não possam estar sempre juntas.
Actualmente até a existência dos telemóveis ajudam a manter o contacto. Agora deparo-me com uma situação que me anda a pôr os nervos em franja. Birras por eu não estar constantemente disponível sempre que se deseja, birras por não responder logo a uma mensagem ou por não dar um toque...
Socorro!
Quando esteve mal mandou-me mensagem a desatinar, mas quando telefono para tentar ajudar desviou as chamadas e nunca mais quis falar comigo. Agora são só exigências.
Será que alguém me explica se sou eu que sou parva ou se sou eu que não entendo ou nunca entendi o que significa a amizade? É que sinceramente já não entendo mesmo nada.
Tenho amigas desde o primeiro ano de escola e a nossa amizade, ainda se mantém, apesar de tantos contratempos. Sabemos que podemos contar umas com as outras, independentemente de estarmos mais afastadas ou não, de termos tempo para nos vermos diariamente ou de levarmos meses sem dizermos nada. Todas sabemos que basta um telefonema ou uma mensagem para nos apoiarmos e nos ajudarmos mutuamente.
Não entendo o porquê de tanto ciúme em relação aos meus novos e antigos amigos. Eu continuo a ser a mesma, pronta a esquecer-me dos meus problemas, mágoas e tristezas para ajudar os outros.
Será que é assim tão difícil ser compreensível comigo? E compreender que não estou a viver em casa, logo não disponho de tanta flexibilidade de movimentos?!
Digam-me: Serei eu que estou errada? Afinal o que é a amizade?
Nota: post escrito dia 17 de Julho de 2004.

Este parece ser um ano negro para as personalidades quer nacionais quer internacionais.
O mês de Julho de 2004 ficará para todo o sempre marcado pela morte de três grandes figuras públicas portuguesas: Sophia de Mello Breyner, Henrique Mendes e Maria de Lurdes Pintassilgo.
Já tive oportunidade de expressar a minha opinião sobre a grandiosa escritora e Mulher que foi Sophia de Mello Breyner.
Mas acho de extrema importância referir o desaparecimento de Henrique Mendes. O Grande senhor da rádio e televisão portuguesa.
Morreu no passado dia oito do presente mês, vítima de uma grave doença nos ossos. Nascido em Lisboa, no bairro da Ajuda, Henrique Mendes foi considerado pelo Jornal Expresso como uma das vinte e cinco figuras mais importantes do nosso país, no último quarto de século.
Foi como escritor que o Galã dos anos sessenta transmitiu uma enorme mensagem: “Nunca me esquecerei de quem me causou feridas”
Maria de Lurdes Pintassilgo, uma das mulheres mais conhecidas da vida política portuguesa. Ingressou nesse mundo como procuradora da câmara cooperativa, tornou-se Primeira Ministra do Quinto Governo Constitucional; embaixadora da UNESCO; consultora do presidente Ramalho Eanes e Deputada europeia. Portugal perde, assim, mais uma grande mulher.
Eu pergunto-me: Se em apenas sete meses se perderam inúmeras personalidades o que acontecerá nos cinco que ainda nos restam?!
Nota: post escrito na noite de dia 11 de Julho de 2004

O sonho e qualquer citadino, principalmente os que vivem nas grandes metrópoles, é conseguir uma casinha no campo, onde possam ir passar o seu fim-de-semanazinho.
Tudo é um mar de rosas até que estas mesmas pessoas, habituadas à vida “simples” da cidade, se deparam com aranhas para matar, uma montanha de pó a acumular-se na dita casita, folhas e bichos à porta da rua, entre muitas outras coisas.
Por exemplo, imaginem um casal com dois filhos com idades aproximadas: compram uma casinha num monte alentejano, fazem as respectivas reconstruções e decidem fazer uma piscina para se refrescarem nas tórridas tardes do Alentejo.
Chega o tão desejado fim-de-semana, em que os meninos não têm testes na semana seguinte e o casal consegue sair um pouco mais cedo do emprego.
Passa a viagem de duas horas onde toda a família se encontra radiante, a cantarolar, a brincar, etc. Chegam ao monte e as crianças oferecem-se para ir abrir os portões, mas deparam-se com um enxame de vespas e gritam ao verem-se rodeados por aqueles bichinhos adoráveis.
Aqui começa o verdadeiro divertimento familiar!
Passado este pequeno obstáculo, ao entrarem em casa, esta tem um leve cheiro a mofo. O marido irrita-se com a mulher porque esta se esqueceu de deixar uma janela um pouquinho aberta para arejar a casa.
As crianças desejam ardentemente mergulhar na belíssima piscina, mas o pai ralha e diz que o primeiro tem de ser aspirada e limpa dos bichos. Lá se inicia mais uma discussão onde se disputa quem limpa, pois nenhuma das crianças o quer fazer.
O pai tem de cortar a relva e tratar das árvores, assim como averiguar se tudo no seu tão sonhado monte, se encontra na perfeição.
A mãe, farta de ouvir os gritos, quando pensava que ia poder finalmente desfrutar de uns dias de sossego, chama a rapariga para a ajudar a limpar e a tratar da casa.
Vidinha de campo é cansativa, desengane-se quem pensa que a vida de um alentejano é passada à sombra de um chaparro a dormir a sesta.
Nota: post escrito na noite de dia 9 de Julho de 2004
É impossível deixar passar ao lado a morte de uma grandiosa escritora e mulher da nossa sociedade. Sophia de Mello Breyner morreu no passado dia 3 de Julho de 2004, com 84 anos de vida.
Muita coisa há a dizer sobre esta grandiosa senhora da poesia/literatura portuguesa, mas poucas são as palavras para o fazer. A alma e a pessoa que Sophia era, são extremamente grandiosas para as podermos definir por palavras.
Sophia “Merece ser lembrada como um dos maiores poetas de sempre” – Ministro da cultura
”É um dos maiores nomes da história da poesia portuguesa”, é “um nome que rima com poesia” – Manuel Alegre.

Embora já tenha passado algum tempo, só hoje tive necessidade de pegar no folheto que encontrei no passado dia 10 de Junho na Escola Superior de Educação de Portalegre.
O folheto intitula-se “Escola sem Fumo” mas o que me chamou a atenção foi a frase que faz capa ao dito folheto: “Se Deus quisesse que as pessoas fumassem ter-lhes-ia posto uma chaminé na cabeça”.
Eu sou uma pessoa não fumadora e sofro bastante quando alguém junto de mim se encontra a fumar: comichões, tosse, espirros, etc. Acho que todos nos devemos respeitar mutuamente no que diz respeito a este assunto, se nós compreendemos quem fuma, acho que não custa muito aos fumadores respeitarem determinados locais para os não fumadores.
Ao passar os olhos pelo papel relembro a polémica que se gerou em torno da proibição do tabaco no liceu que frequento. Gerou-se grande polémica, porque apenas os alunos eram corridos para fora da escola, como animais, por estarem a fumar. Mas deparávamo-nos com professores que entravam a fumar no liceu e até a existência de uma sala de fumadores para os professores, que ficava bem junto da sala de convívio.
Quando confrontado, o conselho executivo, com tal problema limitavam-se a “ignorar” as questões colocadas pelos alunos.
Como se resolveu a situação? Alguns alunos continuam a fumar as escondidas na escola e outros fumam a porta, já os senhores professores continuam a sua vida de lords.

Lixo... Lixo... e mais lixo...
É-me impossível não deixar de referir duas noticias, com que me deparei no jornal local.
"Soprar o balão é lixo para o chão", este é o título de uma das noticias publicadas no jornal Fonte Nova, no passado dia 12 de Junho. "Várias dezenas de boquilhas de nível de alcoolemia usadas numa noite destas pela Brigada de trânsito da GNR ainda lá estão, no mesmo local." É com esta frase que a noticia começa. Passando os olhos pelo resto da noticia frases como:
"Conta-nos um morador no local que as garrafas vazias ainda ele as apanha e vai deitar no lixo (...) Mas o pior, é que uma criança sua acha que "aquilo" (as boquilhas do medidor de alcoolemia) serve para brincar e está sempre tentada a apanha-las (...)."
É incrível como um distrito do interior consegue ser o que mais factura em multas "per capita". Ainda por cima, este tipo de lixo foi detectado numa zona da área protegida do Parque Natural da Serra de S. Mamede.
Por falar em lixo, e na serra que serve de encosta a grande parte do Distrito de Portalegre, no passado dia 5 de Junho, dia do Ambiente, cerca de cem pessoas realizaram a limpeza a uma parte da Serra.
Já tinham sido localizados alguns focos de lixo, mas nada parecido com aquilo que de facto foram encontrando. Entulhos, monos e inertes, como sanitas, televisões e até automóveis, foram encontrados nas encostas da serra.
Tudo material, que basta uma pequena faísca para se transformar num monstro terrível.
Acabo de ser surpreendida por um papel na caixa do correio proveniente dos serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Portalegre (cidade onde vivo e de onde sou natural).
Para perceberem a minha perplexidade passo a citar o texto integralmente:
"Interrupção de fornecimento de água em alguns locais da cidade de Portalegre
Os serviços Municipalizados informam que por motivos de trabalhos relacionados com as obras de ligação das novas condutas de abastecimento de água ao Depósito de S. Cristóvão, às condutas existentes e respectivos ramais de ligação, verificar-se-á uma interrupção do fornecimento de água, com inicio previsto para as 6:00 horas do dia 10 de Junho prolongando-se por um período aproximado de 48 horas.
Para o abastecimento alternativo será disponibilizado aos consumidores distribuição de água através do auto tanque dos Bombeiros, que estará estacionado junto da Praça da República, Largo dos combatentes e ao pé da Igreja de Santana.
Apela-se ao consumo moderado de água durante a execução destes trabalhos e toda a população do concelho de Portalegre.
Os SMAT de Portalegre apresentam desculpas pelos transtornos causados, que não são possíveis de evitar dada a natureza da obra em causa.
O presidente do conselho de administração
António Fernando Ceia Biscaínho"
Que interessante. Analisando os pontos de localização dos auto tanques só se pode concluir uma coisa: toda a cidade de Portalegre irá ficar sem água durante 48 horas nas melhores das hipóteses. Apelam ao moderado consumo de água: será que não se lembram que estamos em pleno mês de Junho, mês de calor e que, diga-se de passagem, não é pouco por estas bandas.
Não digo que não seja necessária esta alteração, mas 48 horas? Só me pergunto: Onde é que isto vai parar????!

Através de uma das minhas professoras tomei conhecimento de um artigo, escrito na Pro Teste, sobre os preços dos supermercados. É claro que o que realmente me chamou a atenção foi o facto de vir lá mencionado que cidades do interior, como Beja, Évora, Guarda, Vila Real e Portalegre, foram consideradas, por esta revista de ajuda ao consumidor, como as cidades mais caras no que diz respeito a produtos de necessidade básica.
Já cidades como Lisboa e Faro foram consideradas as mais baratas. A única justificação que arranjo é o facto de as cidades do interior, verem os preços subirem pela distância a uma maior e melhor acessibilidade e ao facto de no interior a concorrência entre espaços comerciais ser quase nula.
Não é nada que realmente me surpreenda, mas fico chocada e muito apreensiva com facto de serem, para não variar, as populações mais desfavorecidas e envelhecidas a pagarem por produtos mais caros. Não basta já as reformas baixas, os medicamentos com preços exorbitantes, se não agora ainda vão terem de pagar mais caro por pão, leite, legumes ou frutas, do que as populações com mais poderio económico.
Vivendo eu numa das cidades mais caras do país, Portalegre; vendo eu as dificuldades que se passam nesta região; sentindo eu, na pele, a angústia que foi, no ano passado, os fogos que consumiram o ouro, a preciosidade, a fonte de rendimento de muitas destas gentes, sei perfeitamente do que falo.
Deixo apenas uma pergunta no ar: Onde é que este país vai parar? Será que depois de tanto tempo, iremos mesmo acabar nas mãos dos nossos vizinhos espanhóis?
Que se faça alguma coisa para acabar com isto, já chega de miséria. Já chega!

Perco-me na beleza do teu olhar, na beleza do teu ser… Olhando a noite com o seu luar imenso e a sua brisa refrescante deixo-me envolver pelos teus braços e adormeço, com uma única certeza: contigo estou protegida.
O dia amanhece, calmo e com um sol maravilhoso. O ar abafado, húmido e seco, ao mesmo tempo, faz-me sentir uma preguiça enorme de me levantar. Deliciada, contorno os traços do teu rosto na almofada.
Levanto-me, tomo um duche refrescante, preparo-me para sair. Em cima da mesa vejo as rosas que me entregaste pela noite, um cartão com o teu perfume e, apenas, com uma palavra conseguiste fazer nascer um sorriso.
Vivendo numa cidade do interior, não é difícil vislumbrar por detrás dos prédios, grandes manchas de uma natureza ainda, praticamente, intocada pelas mãos do homem. Neste ambiente em que vivo, tudo parece imutável, a não ser pelo relógio da própria natureza, tudo o que me rodeia pouco parece evoluir.
Mergulho no stress do dia a dia, cidade a cima, cidade abaixo; escola trabalho, trabalho escola… Mas a lembrança de momentos passados não me deixam cair em tristezas.
Regresso a casa, abro as janelas de par em par, observo o pôr-do-sol no seu maior esplendor, deixo-me cair sobre o sofá, ponho a tocar uma música suave, fecho os olhos e adormeço, mergulhada em lembranças de dor e tristeza, que se transformaram em magia, paixão e felicidade.
P.S. - peço desculpa, talvez seja um post fora de contexto, talvez não tenha muito a ver com o blog, mas tal como diz o titulo, sofri de uma Inspiração Súbita que, não quis deixar morrer, apenas dentro de mim, prefiro deixa-la morrer convosco, partilhada pelo meu anonimato individual.
Largos quilómetros percorridos, horas de sono perdido, sustos de cortar a respiração, tudo em prol da tradição.
Uma das melhores maneiras que o povo possui para fazer passar, de geração em geração, os seus costumes e a sua cultura, é através da dança e do folclore.
Embora Portugal seja um país pequeno é bastante rico em climas e culturas variados. Cada região apresenta um estilo muito próprio quer nas danças, quer nas músicas e, até mesmo, nas formas de trajar. Estas são pensadas e criadas em função das condições do clima, das matérias-primas disponíveis e das funções desempenhadas por cada região. Das capas negras de Aguiar da Beira; às saias, rodadas, compridas do Algarve; passando pelo traje minhoto cheio de cor, beleza e riqueza; não esquecendo as sete saias da Nazaré ou o capote tipicamente alentejano, todos traduzem as tradições e costumes de cada região.
Cada ritmo esconde uma lenda ou um mito, marcados quer pelo orgulho em ser português e pela adesão de, cada vez mais, crianças a este tipo de danças. São os grupos folclóricos que, através de gerações e gerações, vão servindo de mensageiros por todo o país, mas também pelo estrangeiro, da cultura regional.
Os grupos folclóricos tornam-se referências como escolas, onde muitos de nós encontram exemplos de vida, cimentam e divulgam as raízes tradicionais das suas regiões, quem é que não gosta de relembrar muitos dos acontecimentos do passado?
Mas o folclore não é feito, apenas, de música e danças, a grande base de um bom folclore é a poesia popular que está por detrás. Revela-se injusta, a tendência para considerar a poesia popular como uma produção com menor valor que a dos autores com preparação académica. É por este enorme preconceito ainda se encontrar generalizado na nossa sociedade, que os compositores populares são diluídos pelo anonimato individual.
Agora pensemos em nós: nós que nos expressamos atrás de ecrãs de computador, nós que publicamos os nossos pensamentos e opiniões numa página da Internet, nós que tão depressa podemos estar no auge da consideração por parte da comunidade blogger, como podemos cair no esquecimento. Nós também vamos ser diluídos pelo anonimato individual?
Do cimo de uma montanha, dou uma volta de 360º sobre mim mesma. Tudo o que me rodeia é uma escuridão imensa… fazendo lembrar uma noite extremamente escura sem luar, sem estrelas, sem uma única luzinha mesmo que tremeluzente. Nada que me faça dizer “A direcção certa é por ali!”.
Quais são as noticias actuais? Guerras, mortes, pedofilia, desemprego, falências, aumentos… o povo desespera e os ricos?! Esses continuam impunes, a sorrirem do alto do seu estatuto de homens poderosos que governam o mundo.
Olho em meu redor e observo uma sociedade que a cada dia que passa revela, cada vez mais, corrupção e injustiças… Todos, ou quase todos, andam desmotivados e sem nada a que se possam agarrar, para que uma pequena esperança renasça na alma de cada um.
Dia após dia aparecem ameaças perante o Euro 2004; ameaças perante uma bebida bastante famosa; ameaças, até, perante uma data religiosa muito significante para o nosso país e não só.
A cada passo que se dá tudo parece tremer e ruir à nossa volta… A única reconstrução possível é através das migalhas, que ainda, nos restam, para que possamos prosseguir. Cada vez mais as faculdades e os acessos a elas se encontram limitados e muito dificultados, mesmo o restante ensino vai de mal a pior. Onde é que já se viu o programa de Português A de 12º ano ser muito mais extenso que o de 11º. É incrível como é que conseguimos dar tanta matéria em tão pouco espaço de tempo. Até já os professores e o próprio Presidente da República se deram conta de que realmente existe uma necessidade, tremenda, de resolver a situação e melhorar o processo educativo do nosso país.
Todos se queixam do insucesso escolar e eu pergunto-me: alguém já tentou fazer alguma coisa para o reduzir? O que é que os sucessivos governos fazem? Prejudicam, constantemente, os alunos sem se darem ao trabalho de ouvirem quem sente e vive na pele as dificuldades que nos são impostas para prosseguirmos a nossa vida. Porque é que não se reúnem com os alunos e não discutem o melhor para ambas as partes? Eles implementam as coisas e pronto.
Será que ninguém entende que o facto de imporem as coisas só dificulta mais a convivência social? Acham que as sucessivas greves e manifestações são sem fundamento algum? Por vezes, ao deparar-me com este cenário, já de si tão negro, mas que tende a piorar dia após dia, como se de um cavalo a galope se tratasse, penso no passado: a sensação que tenho, é que lentamente nos encontramos a evoluir para mais uma ditadura, onde o governo diz uma coisa e onde a realidade se mostra totalmente diferente. Acho que não temos necessidade nenhuma disto, penso que temos força suficiente, embora sejamos um país pequeno, para acabar com isto de vez.
Basta pensarmos na formação do nosso pais, como é que tudo aconteceu há séculos atrás? Não foi com a luta de um povo sofredor que tentou a todo o custo a sua independência? Para quê ficarmos presos a algo que, pura e simplesmente, tem feito regredir o nosso país para níveis extremamente baixos, que tem deixado partir vários postos de trabalho para centenas e centenas de pessoas?!
Abro os olhos, tento a todo o custo vislumbrar por entre a escuridão, algo, mesmo que muito pequeno e longínquo. Respiro fundo, ao abrir os braços sinto algo a minha volta… toco-lhe, faço-o despertar da sua cegueira profunda. Seguro-lhe na mão e vamos passando a mensagem a todos os que nos rodeiam. Vamos formando um cordão humano que acabará por vencer sobre o poder instituído e fará surgir uma luz cada vez maior e cada vez mais próxima, que um dia acabaremos por alcançar.

Portugal, um país refugiado na ponta Este da Europa com toda a sua simplicidade, procura o seu desenvolvimento e tenta, a todo o custo, alcançar países com um poderio económico bem mais elevado.
Esta simplicidade irónica e caricata, leva-nos a realizar o Euro e a receber um Festival reconhecido a nível mundial, mas onde ficam as pequenas aldeias e cidades escondidas e esquecidas do interior?!
Mais uma vez elas são afastadas de toda a vida nacional, mais uma vez o poderio da cidade, Litoral, com toda a sua industrialização e desenvolvimento vence, deixando para trás, abandonadas, as populações do interior.
Pergunto-me o porquê de se terem efectuado esplendorosas construções de estádios em pólos de grande desenvolvimento, quando o interior fica isolado e esquecido, deitado à sua sorte e à sua pobre insignificância?!
O que é incrível é verificamos que o nosso país e a sociedade vigente continua a permitir tamanha estagnação e desequilíbrio. Se não vejamos: um dos livros que mais consegue demonstrar este paralelismo, entre o ano 1900 e o ano de 2004, é “A cidade e a Serras” de Eça de Queirós. Aqui verificamos um pouco surpreendidos e apreensivos, o quão parecida ainda se encontra a nossa sociedade. Podemos comparar o Palacete de Paris, o famoso 202, com uma cidade do litoral, mantendo o interior inalterável no seu isolamento e esquecimento.
A sociedade daquela época, vivia essencialmente da exportação de produtos, modas, culturas e pensamentos. E a nossa sociedade? Alterou alguma coisa? Parece que não! Basta olharmos à nossa volta para vermos a, cada vez mais frequente, utilização de expressões estrangeiras, principalmente inglesas.
A diferença, bem patente, entre os caminhos de ferro espanhóis e franceses, em relação aos portugueses cada vez se acentua mais. Não preciso ir mais longe: vivendo eu numa cidade do interior esquecida pelo poder central, situada no Norte Alentejo, a bonita cidade de Portalegre, posso confirmar este contraste. Para nos deslocarmos de comboio a qualquer outra cidade mais desenvolvida, temos que apanhar uma Automotora, só apanhando no Entroncamento um bom comboio, ou então, viajando uma hora e meia de automovel até lá. Mas o que é q os Senhores Ministros e Políticos, queriam fazer? Não queriam desviar daqui o TGV para faze-lo passar no Norte? Mais uma vez o Alentejo seria esquecido, mais uma vez as terras nortenhas iriam manter o seu desenvolvimento económico e cada vez mais, nós, Alentejanos, seriamos abandonados, deixando a nossa região “morrer” aos poucos, deitada à sua sorte. Acredito cada vez mais, no famoso ditado popular: Dinheiro puxa Dinheiro.
Já Eça de Queirós, nos seus livros, transmitia as amizades feitas por interesses, a conservação das aparências, mesmo quando as pessoas sofriam ou não era aquilo que queriam.
Enquanto que a cidade, com todo o seu desenvolvimento e opulência, permanece imutável, apenas se visualizando cada vez mais poluição, degradação, quer do património monumental e arquitectónico, mas também do património natural e social, uma vez que as pessoas também saem bastante fragilizadas e absorvidas por todo este desenvolvimento, iniciando-se um aumento significativo das chamadas doenças civilizadas: como o Stress, as depressões.
O campo e as serras continuam entregues aos seus principais valores e crenças, onde o ritmo de vida é totalmente diferente: onde se obedece à lentidão dos tempos, às leis da Natureza, que não conhece os relógios nem algo que se pareça com isso.
Não quero com tudo isto dizer que não concorde com algumas transformações, apenas pretendo transmitir que somos nós, adolescentes e não só, que temos de tentar modificar um pouco o rumo das coisas, não esperando que tudo caia do céu e que tudo se faça por si só.
Vagueando por este mundo observo tudo ao mais ínfimo pormenor. Observo, analiso com um olhar crítico, mas bem disfarçado. Faço-o mesmo sem me aperceber e sem me dar conta de tal... Faço-o por instinto! Reparo nas pessoas: nos gestos, no olhar, nas reacções, no sorriso e nas lágrimas… nas abstracções.
Reparo nas paisagens: nos montes e vales, planícies e planaltos, riachos e ribeirinhas, árvores e flores, no sol e na lua, que repousam lá bem no alto… Dou por mim a pensar: porque é que as pessoas teimam em esconder o que pensam?! O que sentem?! Porque é que as pessoas têm medo de assumir aquilo que são?! Aquilo em que acreditam?! Porque não lutam verdadeiramente pelos seus objectivos?!
Olhando em meu redor percebo que, infelizmente, a nossa sociedade ainda é muito fechada, que as pessoas ainda têm medo de serem rejeitadas, de serem colocadas de lado. Além de tudo isto, ainda conseguem criticar quem o faz, ainda lhe atiram pedras e as tentam deitar abaixo, mesmo partilhando das mesmas opiniões e pensamentos. Mas se essa pessoa continua a lutar… O que fazem? Desprezam-na, mesmo sabendo que ela tem razão!
Porque é que o mundo ainda é tão cruel? Porque é que o nosso país continua tão virado para o seu umbigo?! Porque é que mesmo na nossa cidade todos nos olham de lado?! Porque é que mesmo no nosso pequeno grupo de amigos as pessoas mesquinhas, hipócritas, fingidas e falsas continuam a vingar na vida e as que, pelo contrário, lutam por um futuro melhor e por uma sociedade mais justa e correcta continuam a ser colocadas de lado?
Porquê? Deixo a questão no ar. Será que alguém quer responder?
