Quinta-feira, 10 de Junho, 2004

Violência contra a Mulher: Mutilação genital feminina

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), calcula-se que entre 85 e 114 milhões de mulheres e raparigas, na sua maioria residentes em África, no Médio Oriente e na Ásia, foram submetidas à mutilação dos seus órgãos genitais.

A mutilação genital feminina, ou "circuncisão feminina", consiste na ablação total ou parcial do clítoris e outros órgãos genitais. A sua forma extrema, a infibulação, implica a ablação do clítoris e de ambos os lábios e a sutura da vulva, deixando apenas uma pequena abertura para permitir a passagem da urina e do fluxo menstrual.

Essa mutilação das raparigas tem consequências importantes a curto e a longo prazo. É extremamente dolorosa e pode provocar infecções e a morte, bem como dificuldades no parto e uma maior vulnerabilidade ao VIH/SIDA. Esta prática reflecte o consenso social imperante de que é preciso preservar a virgindade da rapariga e da mulher até ao casamento e que a sua sexualidade deve ser controlada. Nessas culturas, os homens muitas vezes não se casam com raparigas não circuncidadas, por as considerarem "impuras" e "sexualmente indulgentes".

Desde a Conferência de Beijing, foram tomadas, entre outras, as seguintes medidas contra a mutilação genital feminina:

- Como parte de uma campanha de promoção internacional, em Setembro de 1997, o FNUAP nomeou Waris Dirie, activista e modelo, Embaixadora Especial para a Eliminação da Mutilação Genital Feminina.

- A Organização Mundial de Saúde (OMS) preparou materiais de formação e realizou cursos práticos para criar uma maior consciência entre as enfermeiras e parteiras na região de África e do Mediterrâneo Oriental numa tentativa de obter a sua participação activa na luta contra a mutilação genital feminina.

- A Tanzânia é um dos dez países onde a mutilação genital feminina é amplamente praticada e que aprovou leis para criminalizar a sua prática. Entre as sanções, incluem-se multas e penas de prisão. Os outros nove países são: o Burkina Faso, a Côte d’Ivoire, o Djibouti, o Egipto, o Gana, a Guiné, a República Centro-Africana, o Senegal e o Togo.

- Vários países, como a Austrália, o Canadá, os Estados Unidos, a Nova Zelândia e o Reino Unido, que têm populações de imigrantes que praticam este ritual, aprovaram disposições similares para procurar eliminar essa prática.

- A Nigéria criou o teatro Fístula Vesico-Vaginal e centros de reabilitação para prestar cuidados a menores casadas que tenham sido afectadas pela mutilação genital feminina.

Fonte: ONU

Orion :: Junho 10, 2004 09:09 PM | Categoria: Orion


Comentários

Nem tenho palavras para expressar o meu horror...
Já li alguns relatos sobre este tipo de mutilação e são impressionantes!
Ao reflectir sobre estas questões é que me apercebo de como as mulheres ainda estão longe da igualdade...
É triste... e revoltante.

Vénus :: Junho 10, 2004 09:29 PM

Eu li algo sobre isso, e fiquei assim que estupidificado... Este ritual tem raízes tribalistas, em que se impunha este procedimento para que as mulheres nunca sentissem prazer no sexo, e por essa ordem de idéias nunca iriam trair os maridos (a quem normalmente já haviam sido prometidas ainda jovens), uma vez que a pena seria a execução delas e os outros homens por quem haviam sido traídos teriam de os indemnizar materialmente(dinheiro, gado ou outros bens).

Dark-Templar :: Junho 10, 2004 10:00 PM

...

Sephiroth :: Junho 11, 2004 01:09 AM

Chocante.

João Manzarra :: Junho 11, 2004 04:12 AM

não há palavras para comentar uma coisa dessas.. todos devemos sentir o mesmo quando confrontados com esta situação.. dispensa comentários.

PEdro :: Junho 11, 2004 02:46 PM

somos um grupo que frequenta um curso de secretariado neste momento estamos a realizar um trabalho acerca da mutilaçao genital gostariamos de receber mais informaçoes acerca do assunto muito obrigado

luisana :: Dezembro 12, 2005 03:32 PM

eu estou cursando enfermagem e tenho um trabalho sobre este asunto se for possivel enviar-me mais assuntos sobre a mutilação genital feminina eu ja agradeso.eu acho que realmente deveria aver uma lei mais enrgica para que promove este tipo de barbaria.

eustaquio agostinho da silva :: Março 26, 2006 02:15 PM

como calsinha pequenas

thiago :: Julho 5, 2006 03:01 PM

sou estudante de enfermagem e estou a realizar um trabalho sobre a gravidez e parto em mulheres com mutilação genital...se possivel gostaria de receber mais informações á certa desse assunto..

tania :: Novembro 22, 2006 06:50 PM

acho horrivel as mulheres serem sujeitadas a estas situaçoes. fikem estupefakta e sentida.

daniela :: Abril 16, 2007 10:36 AM

é lamentável saber que ainda existem pessoas a praticar actos muito dolorosos e desumanos contra mulheres que não cometeram nenhum crime!!!será possível que nos informem acerca deste assunto através de e-mail, pois estamos a realizar um trabalho acerca da MGF...obrigado

bruna :: Abril 26, 2007 03:29 PM

Nao tenho palavras é um tema polemico.
gostaria de fazer um trabalho e preciso de mais subsidios. isto porque nao se fala muito do tema por ser considerado tabu. vamos quebrar o silencio.

Neide :: Julho 3, 2007 09:54 AM

neste mundo precisamos ser seres humanos e se colocar no lugar dessas mulheres, pois elas sofrem caladas.

mariana :: Março 12, 2008 02:36 PM

e muito pratico eu mesma cortei o clitoris de minhas duas filhas com minhas prorias maos

ana :: Setembro 3, 2008 02:56 PM
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