Embora não seja uma grande apreciadora da sua obra, talvez por apenas conhecer a parte que nos é leccionada na escola, não posso deixar passar ao lado a grande perda para a cultura portuguesa: a morte de Sophia de Mello Breyner.
Esta grandiosa MULHER estreou-se no mundo da poesia no ano de 1944, com o livro Poesia. Apresentou como principais características o rigor clássico, traduzido numa enorme simplicidade de linguagem para mostrar a aliança do ser com o mundo.
Foi através da sua busca, indiferente, a escolas, correntes ou modas, que criou poemas que sempre foram "uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda de uma coisa (..)".
Além da poesia, dedicou-se ainda à escrita de textos em prosa, nomeadamente, "Contos Exemplares"; e de contos para crianças.
Nasceu no Porto, foi educada em meios aristocráticos, mas isso não a impediu de lutar por causas justas, por aquilo em que acreditava, como a luta antifascista, após o 25 de Abril. Foi ainda deputada da Assembleia Constituinte.
Viu a sua carreira consagrada com prémios como o Prémio Camões em 1999.
Faleceu aos 84 anos, no dia 3 de Julho de 2004.
"Sophia de Mello Breyner traduziu de modo ímpar a beleza da liberdade, a força da paz, o valor do ambiente e a identificação com a Natureza." - Pedro Santana Lopes
"Uma perda irreparável para a cultura, que ela tanto enriqueceu, e para o país, que tanto prestigiou." - Jorge Sampaio
"Foi o exemplo de uma vida iluminada por causas, ideias, princípios e valores." - Ferro Rodrigues
"Purificava as palavras como se as tivesse acabado de as inventar." - José Saramago
"Uma das vozes mais extraordinárias da poesia portuguesa" cuja obra "já está no coração do tempo." - Eduardo Lourenço
Morreu não só uma grande pessoa em termos humanitários e de sabedoria, morreu uma mulher de grande valor.
Sophia de Mello Breyner ficará para sempre guardada na nossa memória não como mais uma mulher, mas como sendo SIMPLESMENTE MULHER!
Nota: Post escrito na noite de 4 de julho de 2004

E quem não cresceu a ler "A Menina do Mar" ou "O Cavaleiro da Dinamarca"?
Portugal perdeu uma grande arista, uma grande poeta, uma grande Mulher. Mas Sophia continuará viva através das suas palavras, enquanto os seus contos e poesias continuarem a ser lidos, como prova da grande escritora que é.
"No ponto onde o silêncio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio..."
Sophia, Sophia....
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andresen
http://onossoamor.blogspot.com/2004/07/ausncia.html
"és tu a primavera que eu esperava,
a vida multiplicada e brilhante
em que é pleno e perfeito cada instante"
Maravilhosa Sophia...
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