Sete mulheres, cada uma ao seu estilo, cada uma com o seu pensamento, cada uma com a sua maneira de ser, cada uma com o seu feitio.
Entro em casa e deparo-me com uma folha caída por debaixo da porta, pré-disposta a levar um encontrão e a desaparecer por entre a cinza e o pó.
Mas não. Reparo na sua cor suave, bege, aprazível, debruço-me e pego nela. Assim diz:
"As portas fecham-se, as pessoas abandonam projectos, umas crescem com a vontade de continuar a partir, outras se arrependem das oportunidades que não gozaram plenamente. Mas quando se partilham experiências numa casa de tons púrpura, que tão confortavelmente recebia os seus hóspedes e com tão amigável disponibilidade proporcionava a todos uma mudança de mentalidade, é difícil prosseguir sem olhar para trás e ver o que se deixou.
Momentos de toda a espécie: alegres, melancólicos, irados, intriguistas, momentos que qualquer mulher partilha numa vida que tantas vezes se pinta negra e não luminosa como deveria, como planeado seria. Mas todos estes momentos, bons ou maus, foram especiais. Uniram.
Uma experiência deveras interessante, agradável de se repetir. Entrar nesta casa e sentir o cheiro a flores, olhar para o lado e reparar na arrumação, na limpeza dos móveis, no cuidado intensivo de tudo estar apresentável aos outros. A decoração que motiva o descanso e o calor humano que aquece. A lareira nem se precisou de acender…basta os nossos corações…cada um a bater ao seu ritmo…
Não quero dizer que a porta se feche de vez, caras amigas…como já disse antes, procura a janela…talvez esteja lá a espreitar para o que dantes me pertencia…não é vergonha nem orgulho…é mudança, a transformação sempre necessária no dia a dia.
Coragem, muita coragem…
Um grande Beijo,
Lua"
Levantei os olhos e suspirei. Estava anestesiada de tal forma que nada poderia sentir. Apenas uma energia positiva invadiu de repente a minha áurea e ao olhar para o lado reparo que seis mulheres se sentam á mesa, alegremente, e me chamam para as auxiliar.
Caminho trémula pelo imaginário e reparo que afinal aquela carta não estava ali naquele momento, apareceu sim no dia seguinte, ao lado da minha almofada. Enquanto dormia ela foi lá, deu-me um beijo na testa e largou a carta.
Depois….depois espreitou o seu quarto e desta vez, só desta vez, adormeceu nos lençóis que antes a acolhiam. E nesse momento eu tive a certeza que ela sentiu… Saudade… muita Saudade.
*post elaborado com a especial colaboração da Lua... Obrigado linda... muito muito obrigado
Anel de Saturno :: Outubro 2, 2004 11:36 PM | Categoria: Anel de Saturnodescobri ontem o vosso blog, e hoje continuo surpreendida com o que aqui leio... gosto muito.
gata :: Outubro 3, 2004 11:59 AMLua, estamos todas à espera que um dia voltes... E também temos saudades, muitas saudades :)
*** pa ti
Vénus :: Outubro 3, 2004 06:06 PMMais um belo post, com uma linda mensagem, sem dúvida que este blog é muito bom, e melhor ainda quando voces estão todas juntas sentadas à mesa. :) ********************************* para todas :)
coisalinda :: Outubro 4, 2004 10:49 PMEra preciso escrever essas obsenidades? Beijos, abraços, saudade... tss tss tss... O mundo anda cada vez pior...
wolcit :: Outubro 11, 2004 02:23 AM