Sentada dentro do carro observo a chuva que me rodeia. As pessoas azafamadas fogem dela “a sete pés”, já eu procuro um lugar onde possa senti-la, saboreá-la, entranha-la em mim.
No meio de uma cidade em total bulício é praticamente impossível; na praia, vêm-se casalinhos apaixonados ou grupos de jovens sorridentes, assim a minha única solução é procurar uma pequena barragem onde possa encontrar a solidão total.
Eis que a encontro, pequena em tamanho, mas grande em tranquilidade. Num dos lados uma pequena árvore mergulha os seus “pés” e saboreia o prazer que a chuva lhe proporciona. A tão desejada chuva.
Desligo o carro, e fico em silêncio a ouvir a chuva a bater nos vidros. Fecho os olhos e recosto-me no banco. Sou acordada do meu leve sono pelo toque do telemóvel. Vejo quem se trata e não atendo. Quando pára de tocar, tiro-lhe o som e volto a colocá-lo dentro da mala. Não quero falar com ninguém.
Saio do carro e tento abstrair-me da pessoa que me tentou contactar. Quero estar sozinha, refugiar-me em mim mesma e naquilo que sinto. Sento-me ao lado da árvore, descalço os sapatos e molho os meus pés, tal e qual ela faz.
Sinto a chuva a cair-me em cima e deixo-me ficar. Embalada ao sabor dos meus sentimentos. Sentimentos por mim, pelo mundo que me rodeia, pela vida que levo, pela tristeza que me consome.

Como já tinha escrito num texto, a chuva opera milagres. Lava-nos a alma e agudiza os nossos sentimentos. A nossa essência precisa de água. O nosso corpo gosta de a sentir. E nós deixamos, porque lá no fundo precisamos de nos sentir vivos. *
Cakau :: Abril 4, 2005 12:59 PMDuas coisas que me fazem relaxar envolvem a chuva, ouestar deitada e ouvir a chuva a cair lá fora ou vê-la através da janela, a paisagem molhada. :)
************************************ para todas :)