Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu me calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito
"A poesia é a filha da necessidade"
Eugénio de Andrade
(1923-2005)
Foi-se o poeta, ficam os poemas *
Cakau :: Junho 14, 2005 02:32 PM... porque há coisas - e gente - que são eternas!
AmigaTeatro :: Junho 14, 2005 08:58 PMOlá
Pois é, Eugénio de Andrade, embora não esteja mais presente, entre nós, penso que ficará ara sempre imortalizado quer nas nossas memórias, quer nos seus magníficos poemas.
Gosto muito da poesia deste poeta, poderia nomear os meus preferidos, mas vou destacar apenas dois, o "Adeus" e especialmente "respriro o teu corpo" axi lindo!
Espero que passem lá pelo meu cantinho, ainda muito jovem ;)
Jokitas
Sempre gostei de Eugénio A. e este poema é como se ele se preparasse para o Adeus. O que ele diria num adeus, assim o digo eu com as palavras dele...
Tem poemas mto lindos, o "Adeus", "As palavras" e tantos outros...
** *
Seu nome não podia ser mais apropriado "Eu" "Génio" ... ele era sem dúvida genial!
Ivo Jeremias :: Junho 17, 2005 09:25 AMpalavras para a posteridade
_squeezy_ :: Junho 23, 2005 08:41 PMEste ano estudei alguns poemas de Eugénio de Andrade, são sem dúvido maravilhosos.
Foi um grande poeta. :)
********************* para todas :)
eu quero ver a morte das pessoas dentro do caixão disendo adeus agora