Sábado, 16 de Outubro, 2004

Coisas de Mulheres ou A Interminável Batalha Contra os Pêlos

Se há coisa que me irrita, são os pêlos.
Nas pernas, nas axilas, nas virilhas, no rosto (o dito buço que todas temos mas que fazemos por esconder) e o raio das sobrancelhas (para aqueles que, como eu, não têm a sorte de ter nascido com umas sobrancelhas perfeitinhas e bonitas).

Irritam-me porque não são bonitos, não são estéticos, não ficam bem, sei lá. . .não é chique (eis a minha costela Castelo Branco a vir ao de cima).
Mas o que me irrita mesmo muito é ter que os tirar.
Tirar em casa está fora de questão, para além de não haver muita paciência, também falta o jeitinho para as ceras frias e para as pinças.
E também porque não sou masoquista ao ponto de me auto-infligir um sofrimento quase bárbaro.
Sim, porque doi!! E a girl que disser o contrário está a mentir!

Irrita-me ter que acordar cedo a um sábado para ir passar umas horitas na esteticista.
Sim, porque ir durante a semana nem pensar, não dá tempo.
Acordar cedo a um sábado é um martírio, mas uma verdadeira girl tem que se cuidar para não mostrar esse seu lado masculino e quanto mais cedo melhor para não ficar com um sábado completamente perdido.
Assim, toma-se uma banhoca para descolar as pestanas, um pequeno almoço porreiro e siga para bingo. . .ups, para a esteticista.

Chegando lá, é esperar um pouco (a menos que se tenha marcado hora) e então depois começar a sofrer.
Ou é a cera que está quente demais e ao 1º toque na pele sensível de uma girl a coisa começa a correr mal, ou é a cera que ainda não aqueceu porque a máquina foi ligada há pouco tempo.
Enfim.
Seja como for, quando chega a parte de puxar, a coisa começa mesmo a ser quase desesperante.
Mas enquanto é só nas pernas, ainda vá que não vá.
A coisa aguenta-se bem.
Nas virilhas, ao contrário do que se possa pensar, até nem dói assim tanto.
Axilas, idem.

Agora, quando começa a chegar ao rosto. . .oh minhas amigas. . .quem é que nunca deixou escapar uma lágrima pequenina ao ficar sem sobrancelhas?
Ou mesmo a ficar sem o buço?
São partes muito sensíveis.
Dói para caraças!!
E como, para ficar um trabalho bem feito e sairmos de lá umas girls de arrasar só com o olhar, a coisa nunca é feita de uma vez só, quando vem a pinça (essa verdadeira arma de destruição em massa), a coisa só pode piorar.
É pêlo por pêlo.
Quando é a parte da cera, a coisa aguenta-se porque num puxão ou dois, acabou.
Mas a pinça. . .
Ai meu Deus. . .
A sério. . .

Tic tic tic tic tic e lá vai a pinça em busca do pêlo perdido, deixando para trás a sua marca de dôr.

Como se todo este sofrimento não bastasse, cada vez que acaba esta tortura a minha cara fica um autêntico tomate!
Sim, um tomate daqueles bem grandes e bem maduros, muito vermelhos!
Tenho a pele demasiado sensível para estas andanças, fico logo inchada por onde a cera andou a passear e por onde a pinça andou a massacrar.
Venham cremes, muitos cremes, bálsamos, pomadas, massagens, pachos de água fria.
Nada resulta.
Só mesmo o tempo.
Não há como escapar.

Para fazer tempo, uma girl aproveita e faz as unhas.
Mãos bonitas é o que se quer.
Ali ficamos, a ouvir as conversas de cabeleireiro ou os programas matinais da TVI.
Enquanto isso é mãozinha de molho em água quente que de vez em quando vem a ferver, é alicate para aqui, lima para ali, mas esta parte até nem custa. Ainda para mais porque gosto que me mexam nas mãos.

"Quer verniz? De que cor?"

Aqui aprendi a dizer que quero um incolor ou muito muito clarinho.
Adoro as cores escuras, mas como sou uma girl meio desajeitada, tenho que optar pelas clarinhas.

Vou pagar e. . .puft! Já está!
Ainda agora me pintaram as unhas e já estraguei o verniz!!!!

Não faz mal, dá-se um retoque.
A táctica de pagar 1º também não resulta, porque por muito cuidadinho que se tenha, dá-se sempre uma marretada em algum lugar e lá se vai o verniz.

Entretanto, venho-me embora ainda com a cara numa desgraça.
Ainda vermelhona, inchada, enfim, um horror.

Mas posso dizer de cabeça erguida:

"Venci mais uma batalha contra os pêlos!!!"

Sábado, 09 de Outubro, 2004

Os homens preferem as... virgens!

Em conversa com pessoas do sexo maculino sobre o que é para eles a namorada ideal, aquela com quem gostariam de casar, há um requisito que quase sempre é enumerado: a virgindade.

Intrigada com esta questão, tentei aprofundá-la um pouco mais, tentando saber o porquê.

Alguns alegam que gostam da ideia de ser o primeiro homem da vida dessa mulher, de serem eles a ensinar-lhe tudo desde o início. Outros dizem que é por uma questão de não quererem estar sujeitos a doenças. Outros ainda dizem que lhes faz um pouco de impressão imaginá-la na cama com outra pessoa. Outros ainda dizem que não gostam de ser objecto de comparações.

A mim parece-me um grande caso de orgulho machista.
E a vocês?

Quarta-feira, 06 de Outubro, 2004

Para todas as mulheres, um poema de uma mulher desconhecida

Poema de Mulher

Que mulher nunca teve
Um sutiã meio furado,
Um tio meio tarado
Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir,
Um porre de cair
Ou um lexotan prá dormir?

Que mulher nunca sonhou
Com a sogra morta, estendida,
Em ser muito feliz na vida
Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou
Em dar fim numa panela,
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou
Prá ter a perna depilada,
Prá aturar uma empregada
Ou prá trabalhar menstruada?

Que mulher nunca acordou
Com um desconhecido ao lado,
Com o cabelo desgrenhado
Ou com o travesseiro babado?

Que mulher nunca comeu
Uma caixa de Bis, por ansiedade,
Uma alface, no almoço, por vaidade
Ou, um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou
O pé no sapato prá caber,
A barriga prá emagrecer
Ou um ursinho prá não enlouquecer?

Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone,
Que não pensa em silicone
Ou que "dele" não lembra nem o nome?

Este poema, publiquei-o na minha caixinha há precisamente um ano atrás.
Encontrei-o num blog brasileiro (Nós Adoramos Sapos) também ele escrito apenas por mulheres, mas que infelizmente já não existe. . .=(

No entanto, continua a ser um poema actual, e digam lá as Mulheres que aqui chegam que não concordam com o que é dito? Nem que se seja em apenas um dos pontos ;)

Sábado, 02 de Outubro, 2004

Saudade...

Sete mulheres, cada uma ao seu estilo, cada uma com o seu pensamento, cada uma com a sua maneira de ser, cada uma com o seu feitio.

Entro em casa e deparo-me com uma folha caída por debaixo da porta, pré-disposta a levar um encontrão e a desaparecer por entre a cinza e o pó.

Mas não. Reparo na sua cor suave, bege, aprazível, debruço-me e pego nela. Assim diz:

"As portas fecham-se, as pessoas abandonam projectos, umas crescem com a vontade de continuar a partir, outras se arrependem das oportunidades que não gozaram plenamente. Mas quando se partilham experiências numa casa de tons púrpura, que tão confortavelmente recebia os seus hóspedes e com tão amigável disponibilidade proporcionava a todos uma mudança de mentalidade, é difícil prosseguir sem olhar para trás e ver o que se deixou.

Momentos de toda a espécie: alegres, melancólicos, irados, intriguistas, momentos que qualquer mulher partilha numa vida que tantas vezes se pinta negra e não luminosa como deveria, como planeado seria. Mas todos estes momentos, bons ou maus, foram especiais. Uniram.

Uma experiência deveras interessante, agradável de se repetir. Entrar nesta casa e sentir o cheiro a flores, olhar para o lado e reparar na arrumação, na limpeza dos móveis, no cuidado intensivo de tudo estar apresentável aos outros. A decoração que motiva o descanso e o calor humano que aquece. A lareira nem se precisou de acender…basta os nossos corações…cada um a bater ao seu ritmo…

Não quero dizer que a porta se feche de vez, caras amigas…como já disse antes, procura a janela…talvez esteja lá a espreitar para o que dantes me pertencia…não é vergonha nem orgulho…é mudança, a transformação sempre necessária no dia a dia.

Coragem, muita coragem…

Um grande Beijo,
Lua"

Levantei os olhos e suspirei. Estava anestesiada de tal forma que nada poderia sentir. Apenas uma energia positiva invadiu de repente a minha áurea e ao olhar para o lado reparo que seis mulheres se sentam á mesa, alegremente, e me chamam para as auxiliar.

Caminho trémula pelo imaginário e reparo que afinal aquela carta não estava ali naquele momento, apareceu sim no dia seguinte, ao lado da minha almofada. Enquanto dormia ela foi lá, deu-me um beijo na testa e largou a carta.

Depois….depois espreitou o seu quarto e desta vez, só desta vez, adormeceu nos lençóis que antes a acolhiam. E nesse momento eu tive a certeza que ela sentiu… Saudade… muita Saudade.

Saudade...

*post elaborado com a especial colaboração da Lua... Obrigado linda... muito muito obrigado

Anel de Saturno :: 11:36 PM | Simplicidades (4)
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