Sábado, 29 de Janeiro, 2005

Conversa Agradável

É mais uma noite de sábado como todas as outras. Encontro-me em casa a preparar-me para voltar a Trás-os-Montes, confesso que sem grande vontade.

Hoje em dia, são raras as pessoas que se encontram no IRC que iniciam uma conversa interessante. Normalmente os privados que se abrem são para “bater coro”, querem logo saber os nossos contactos de Messenger para verem pela Web Cam, etc.

Um dos leitores deste blog, abriu conversa comigo e puxou um assunto bastante interessante e que me motivou a escrever.

Não sei se é a opinião de mais algum dos nossos leitores mas o que é certo é que não escrevemos algo combinado. Todos os textos que são publicados neste blog, são espontâneos, autênticos e únicos de cada uma das participantes deste blog.
Nenhuma de nós lê os textos das outras antes de eles serem colocados online. Nenhuma mesmo.

“Quantas vezes pegaste num texto e o publicaste sem o rever?!”
- Foram raros os textos em que o fiz. Já não consigo escrever sem rever, faz parte da estética dos meus blogs e dos meus sentimentos, porque ao reler acrescento sempre algo que ficou por dizer.

“Tens medo que seja muito íntimo ou que pensem coisas de ti?!”
- Existem textos que sim. Quando são muito fortes, não os consigo publicar, revelam demasiado de mim. Não gosto disso. Adoro sentir-me enigmática.

“Quando lês, a que te sabem as palavras?!”
- Por vezes sabem a chocolate, a morangos e a água fresca.

“O que tu escreves sabe-me a mel e canela”
- O que escrevo sabe-me a morangos, os romances que leio sabem-me a chocolate e alguns blogs que sigo sabem-me a água fresca. Há ainda aqueles que me sabem a pimenta, blogs que acabam e que têm potencial para seguir em frente, isso deixa-me triste e ao mesmo tempo furiosa, pelas pessoas não acreditarem em si mesmas.

“Quando escreves a história da tua vida? Sem açúcar? Nua e crua?”
- Aí é que está, a história da minha vida é escrita por detrás da magia da minha imaginação, muita dela está escrita nas entrelinhas de cada texto que faço.

“É um crime não abrirem as bibliotecas aos fins-de-semana”
- Também acho. Acho que haveria muito mais pessoas a frequentarem as bibliotecas, muito mais pessoas a lerem e a procurarem mais e mais livros. Aí, quem frequenta as bibliotecas não seria identificado como “intelectual” (sendo eu uma delas, embora não me considere como tal), aí essas pessoas passariam a ser consideradas “normais”, pois todos se identificariam, em vez de ficarem sentados em frente à televisão ou ao computador teriam temas mais interessantes para debater e compartilhar.

“Gostas de banda desenhada?”
- Sim, mas já gostei mais. Prefiro um bom romance.

“Não é BD tipo Homem Aranha, é BD de vida real. Num livro imaginas o local conforme te são descritas pelo narrador, na BD podes-te concentrar nos pormenores, porque eles tão lá, não precisam de ser descritos.”
- Ai é que está, eu prefiro imaginá-los à minha maneira. Não de vê-los pelos olhos das outras pessoas.

Um post que mais parece uma entrevista, mas que soube bem escrever.

Conversa Agradável

Anel de Saturno :: 11:55 PM | Simplicidades (32)

Sexta-feira, 28 de Janeiro, 2005

Inicio de uma nova Vida

Vagueio pelo jardim, inalo o cheiro das árvores, observo as crianças a brincarem no parque infantil. Sento-me num dos baloiços e recordo tudo como se fosse ontem.

O sentimento de o ter de volta, a alegria e felicidade que senti ao longo de todo este tempo, é isso que quero recordar, são essas as lembranças que quero manter bem guardadas no meu coração, no cantinho para sempre reservado a ele.

Fecho os olhos e começo a baloiçar, lentamente de pés no chão, liberto o meu coração da tristeza que lhe suga a vida, tento acalmar-me, embora saiba que isso vai demorar algum tempo.

Ergo o rosto e suspiro, quero voltar a enfrentar a vida de frente e principalmente quero voltar a sorrir.

Inicio de uma nova Vida

Anel de Saturno :: 05:59 PM | Simplicidades (2)

Terça-feira, 25 de Janeiro, 2005

Coração Dividido... Partido... Ferido...

Trás-os-Montes… Alentejo…

Mirandela… Portalegre…

Solidão… Companhia…

Alegria… Tristeza…

Frio… Aconchego….

Tantas são as coisas que me dividem a alma, o espírito, a mente. Se por um lado cá estar em baixo me faz sentir melhor, por outro o meu espírito mergulha numa imensa tristeza, dor, mágoa e desilusão.

Estou farta de me sentir inútil e de tudo o que faça seja em vão. Estou farta de tudo, estou cansada, sem forças, sem brilho, sem sorrisos, sem a alegria de viver que tanto me caracterizava…

Lá estar em cima não implica o meu desaparecimento total. Estar lá em cima implica o meu afastamento temporário, mas ao que parece as pessoas só se lembram da minha existência quando apareço por este mundo… ESTOU FARTA… Só se lembram quando precisam. E eu?! Não preciso de ninguém?!

A velha Anel que todos conheciam morre aos poucos. Só espero não acabar por desaparecer de vez. Aí será tarde de mais, aí já ninguém me conseguirá levantar, aí todos colocarão a mão na consciência e pensarão: Porque é que a abandonei?!

Aí já cá não estarei!

Coração Dividido... Partido... Ferido...

Anel de Saturno :: 02:11 PM | Simplicidades (12)

Sábado, 22 de Janeiro, 2005

Puros Pensamentos...

Por vezes penso que escolhi o curso errado, ou então serei psicologa social, pois o meu lado de analista leva-me a tentar compreender os fenómenos pessoais das pessoas em sociedade.

O porquê da infidelidade?
Isto faz-me levantar diversas questões: Será porque não existe amor suficiente? Fugir à rotina? Desejo não controlado por algo novo?
Questões como estas fizeram-me observar fenómenos destes que passam em meu redor.

O que leva 1 rapaz a trair a namorada (de há anos) com alguém que acaba de conhecer?
Fui a uma festa e senti-me uma "outsider, observei coisas que não me passavam pela cabeça (mas que não fazem parte do contexto), e observei 1 par em que ele (com aliança) e ela (descomprometida, pelo menos pareceu) passaram parte da noite a trocarem beijos e caricias.

Visto a quantidade de alcool que passou (que analiso não ter sido muito), pensei se não teria seria da idade (embora a maturidade seja relativa, dependendo dos casos), e chego á conclusao de que só pode ser o desejo!
Será o desejo o causador de tudo isto? Na minha visão pessoal, o alcool jamais será desculpa (um dia talvez aprofunda este porquê). mas porquê uma pessoa que possui 1 simbolo de amor na mão (será?ou é so mmo 1 anel?) beijar outra que não a razão de tal simbolo?

Soube hoje que vou voltar a ver tal casal (que o desejo(?) uniu) e junto estará a namorada dele. Sentirme-ei uma observadora camuflada tentando registar comportamentos e formas de agir de ele com ambas.

No meio disto tudo e concluindo esta minha análise, poucas (e raras) são as vezes em que a razão do desejo troca de posição com a qual (supostamente) se ama. Será o medo? Pela forma como tudo começou?

Confidencio a vocês: é por ver coisas destas, que eu cada vez tenho mais medo de amar!

Estrela Rosa :: 01:45 AM | Simplicidades (9)

Sábado, 08 de Janeiro, 2005

Vazio

Chego.

Estaciono o carro diante da igreja, são precisamente 22h30 de uma noite fria de Inverno. Recosto-me no banco e inspiro a solidão que me envolve. O bulício da cidade pouco me afecta, preciso descansar por uns minutos.

É o início de um fim-de-semana inesperado. Chego sem avisar, todos pensam que me encontro num jantar com alguns colegas.

Saio do carro, retiro o pequeno saco que trago comigo e inspiro o ar totalmente diferente daquele que respirei durante uma semana. Durante as sete horas e meia de caminho que percorri, muitas foram as imagens contrastantes, os cheiros, os sons.

Tudo muda, tudo faz uma enorme diferença num país tão pequeno como o nosso. Começando por Trás-os-Montes, com os seus cheiros mais típicos: a lenha queimada, a humidade, a campo, mas um campo antigo, com pouca renovação possível.

O Marão com os seus vales profundos, onde o sol se mistura com o nevoeiro, onde todo o cuidado é pouco numa estrada tão sinuosa. A passagem pelo porto, o cheiro a cidade em ebulição constante, a stress, rostos carregados, nervosos, ansiosos…

Por fim, passadas cerca de mais três horas em auto-estrada, o doce cheiro ao norte Alentejo, o cheiro a eucalipto misturado com pinheiro húmido, as imensas rectas ladeadas de arvores, que transmitem uma sensação que protecção imensa.

Suspiro… Chego a casa e encontro-a vazia… De novo vazia… Onde andam todos?

Vazio

Anel de Saturno :: 07:36 PM | Simplicidades (3)

Domingo, 02 de Janeiro, 2005

De regresso a Trás-os-Montes

Abandono o meu Alentejo por tempo indeterminado, levo comigo o seu cheiro, as suas paisagens, o sotaque das pessoas, o amor que tenho pelo lugar onde nasci e cresci.

Vou para Trás-os-Montes, onde recomecei uma nova vida, onde conheci novas pessoas, onde procuro formar-me como Solicitadora. Todos os dias de manhã observo através da janela do meu quarto os montes que me rodeiam, o nevoeiro, sinto o cheiro diferente que povoa aquela terra, embrenho-me num sotaque completamente oposto ao meu.

A única certeza que levo na minha mala, é que não me vou esquecer de cada momento passado no Alentejo, muito menos das alegrias e das pessoas que aqui tenho. Abalo com a certeza de possuir um amor imenso no meu coração, do qual não me quero desfazer nunca.

Abalo com a certeza que te amo e que vou morrer de saudades tuas.

Anel de Saturno :: 12:48 AM | Simplicidades (3)
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