Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com os teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sinto a necessidade de atravessar contigo o deserto do mundo!
Recentemente foi testado em Portalegre um novo modelo de prescrição médica.
Este modelo consiste na substituição das receitas médicas em papel, para uma espécie de ficheiro informático, que os farmacêuticos terão acesso através da Internet. Os hospitais de Portalegre e Elvas, tal como os dezasseis centros de saúde e as quarenta farmácias da região encontrar-se-ão todos ligados em rede.
Este formato trará muitas vantagens quer para médicos, farmacêuticos e doentes: o médico poderá prescrever um medicamento mais barato e o doente passará a saber quanto irá pagar na farmácia, os farmacêuticos passarão a ter mais facilidade na descodificação da tão famosa “letra de médico” e os doentes poderão deslocar-se a qualquer outra farmácia caso a primeira farmácia onde se dirigiu tenha falta de medicamentos.
O responsável pela pasta da saúde garante que brevemente todo o país passará a usufruir deste novo modelo de prescrição médica.

Apetece-me sentar-me no parapeito da janela e olhar o céu em silêncio, contemplar as estrelas, sentir-me envolvida pela luz da lua.
Apetece-me embrulhar-me num cobertor e chorar até que as forças me faltem, deitar toda a dor, mágoa, tristeza, desilusão, arrependimento, amargura, medo, tristeza…
Apetece-me libertar-me de todos os sentimentos que me envolvem e consomem a alma, que antigamente era repleta de sorrisos, alegria e tranquilidade.
Apetece-me saborear um café com um delicioso bolo de chocolate, a observar o mar.
Apetece-me ver as crianças a brincarem num parque infantil…
Apetece-me ser envolta pela sua inocência e felicidade.
Apetece-me tanta coisa e a vida cada vez mais me passa rasteiras. Estou farta de estar doente, farta de ter de condicionar todos os meus movimentos por causa desta maldita doença que me consome o corpo, o espírito e a mente…
Apetece-me dormir e só acordar depois de todo este pesadelo passar.
Apetece-me sorrir em vez de chorar.
Apetece-me brincar, apetece-me correr, apetece-me soltar as amarras e simplesmente deixar-me levar ao sabor de um vento que me leve a porto seguro, onde possa voltar a sorrir.

*Foto gentilmente cedida por RainStorm*
Ele quis voltar atrás.
Como se fosse assim tão fácil. Como se bastasse pedir desculpa e esquecer o assunto. Apagar o erro. O que determinou o nosso fim.
Ele quis voltar atrás e recomeçar. Disse que ninguém era mais importante que eu. Que as atracções físicas existem e que os homens não são de ferro. (Que desculpa estúpida!)
Quis convencer-me que a dona do seu coração era eu. E do seu corpo, não seria? De que me adianta ter um coração se não tenho o resto? Amor e sexo complementam-se; não se separam. Ou não se deviam separar.
Explicou-me que ela não teve importância. Que eu sou a Mulher da vida dele. Deverei acreditar? Deverei dar-lhe uma chance?
Não. Não posso ter as coisas pela metade. Ou tenho ou não tenho.
Não quero um coração. Quero um ser humano junto de mim. Por inteiro. De corpo e alma. Amigo e amante. Para sempre.
Não te quero mais.
Sentada dentro do carro observo a chuva que me rodeia. As pessoas azafamadas fogem dela “a sete pés”, já eu procuro um lugar onde possa senti-la, saboreá-la, entranha-la em mim.
No meio de uma cidade em total bulício é praticamente impossível; na praia, vêm-se casalinhos apaixonados ou grupos de jovens sorridentes, assim a minha única solução é procurar uma pequena barragem onde possa encontrar a solidão total.
Eis que a encontro, pequena em tamanho, mas grande em tranquilidade. Num dos lados uma pequena árvore mergulha os seus “pés” e saboreia o prazer que a chuva lhe proporciona. A tão desejada chuva.
Desligo o carro, e fico em silêncio a ouvir a chuva a bater nos vidros. Fecho os olhos e recosto-me no banco. Sou acordada do meu leve sono pelo toque do telemóvel. Vejo quem se trata e não atendo. Quando pára de tocar, tiro-lhe o som e volto a colocá-lo dentro da mala. Não quero falar com ninguém.
Saio do carro e tento abstrair-me da pessoa que me tentou contactar. Quero estar sozinha, refugiar-me em mim mesma e naquilo que sinto. Sento-me ao lado da árvore, descalço os sapatos e molho os meus pés, tal e qual ela faz.
Sinto a chuva a cair-me em cima e deixo-me ficar. Embalada ao sabor dos meus sentimentos. Sentimentos por mim, pelo mundo que me rodeia, pela vida que levo, pela tristeza que me consome.
